Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

“Branca para casar, mulata para fornicar e negra para trabalhar…” Vou começar o texto com essa frase escrita por Gilberto Freyre em seu livro Casa Grande e Senzala, contando-nos que esse ditado era comumente proferido no Brasil na época da escravidão.

O que muitas pessoas não sabem é que esse pensamento continua vivo na nossa sociedade até hoje. E se a população negra do Brasil sofre resquícios da escravidão até os dias atuais, um deles é a hipersexualização da mulher negra.

Muitas mulheres negras se calam ou não falam sobre o assunto porque fingir que tal realidade não existe é uma tentativa de fugir e cessar algo que lhes causa dor. O que faz com que algumas pessoas acreditem que isso é coisa do passado, mas não é.

De uma forma muito mais sutil esse ditado perpetua na vida das mulheres negras fazendo com que seus corpos sejam hipersexualizados e objetificados na atualidade.

Porém é muito comum que muitas dessas mulheres ao se depararem com situações desse tipo, acreditem ser coisa de suas cabeças, e quem objetifica o corpo da mulher negra também não se considera racista na grande maioria das vezes.

A hipersexualização da mulher negra e o racismo

Ué! Mas como alguém que vê o corpo da mulher negra apenas como uma fonte de prazer pode não entender que isso é hipersexualização e pode não se considerar racista?

Simples! O racismo que vivemos no Brasil hoje é estrutural, isso quer dizer que ele está tão enraizado no nosso dia a dia que podemos até dizer que ele está ligado ao nosso inconsciente. Sendo assim a sociedade em geral foi acostumada a reproduzir expressões e atitudes racistas e ver isso como algo normal.

Um homem que não assumiria uma relação com uma mulher negra, mas gosta das mesmas para se relacionar sexualmente, jamais vai dizer que a preferência dele é por questão racial.

E quando questionado sobre o porquê só namora com meninas brancas provavelmente vai responder que é questão de gosto pessoal e que não tem nada a ver com racismo (leia mais sobre solidão da mulher negra aqui).

O que a gente precisa entender é que gosto pessoal não existe, o que existe é construção social. Nós fomos influenciados por muito tempo, principalmente quando se trata de padrões de beleza, a pensar da maneira que pensamos hoje. Então se você se limita a questões estéticas quando vai se relacionar com alguma pessoa, saiba que você foi influenciado a ter esse tipo de limitação, que é o que a gente chama de pré-conceito, ou preconceito e saiba que da mesma forma que essas construções foram postas em sua cabeça, elas podem ser desconstruídas, se você realmente quiser.

hipersexualização da mulher negra

Prova dessa construção social, é o fato de que mulheres negras nunca tiveram representatividade. Desde a sua infância, a começar pelos contos de fadas e quando foram crescendo, essas mulheres sempre viam a sua imagem associada à coisas ruins, mas muitas demoraram a entender (e algumas até hoje não se deram conta) que foi por causa dessas influências que muitas alisaram os seus cabelos, usaram bases claras para embranquecer a cor da pele, tentaram afinar o nariz, usaram batons que disfarçassem o tamanho de suas bocas, ou apenas choraram em frente ao espelho por não gostarem do que viam. Elas cresceram achando que esse tipo de pensamento era fruto de suas cabeças, e de fato era, porém esse pensamento foi construído pela sociedade ao longo da nossa história e colocado lá!

Muitos homens decidem se vão ter um relacionamento ou não com uma mulher apenas pela aparência física, e muitos têm certeza que não vão apenas pelo fato da mulher ser negra, mas não a dispensam e na maioria das vezes não deixa claro as suas intenções porque ao menos elas servem para transar.

O que vocês acham que leva um homem a decidir se uma mulher serve ou não para ter um relacionamento sério sem ao menos conhecer a sua personalidade?

No caso de mulheres brancas elas precisam estar dentro do padrão de beleza e ter o que eles julgam ser um bom comportamento, no caso da mulher negra, para muitos, basta ela ser negra mesmo.

Nenhum ser humano merece ser objetificado. É um peso muito grande a carregar ter considerada como única utilidade, dar prazer sexual a alguém.

As pessoas são muito mais que corpos, e por mais clichê que pareça, o que tem dentro importa muito mais do que o que está por fora, ou pelo menos deveria.

Não seja a pessoa que se diz desconstruída, militante e apoiadora de causas minoritária,  mas quando ninguém está vendo separa mulheres para casar e para se relacionar sexualmente.

Desconstruir padrões antiquados e preconceituosos não custa nada e pode causar menos dor ao próximo, experimente!

Imagem: Coletivo Negração

@ load more