Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Sempre a sombra de um romance maior e melhor. Atrasada, nunca encontro uma página em branco. Mundos já foram destroçados, corações partidos e meu despertador ainda nem tocou.

Ninguém narra a minha história quando eu acordo, nada de grande está prestes a acontecer. Será que eu tenho um nome ou só sou a amiga da Alice, irmã do Gabriel e filha da dona Madalena? Desconhecia.

Meus dias são turvos, mal roteirizados. Ele me fez acreditar que o filme era meu. Ganhei nome, personalidade e falas. O diretor me deu os olhos dele, os melhores dos holofotes. Acordei no sábado, tudo escuro. Ainda tinha um nome, mas perdi a fala. A história não era minha.

O que acontece com os coadjuvantes quando eles percebem que não terão um final feliz?

Meu problema é ser boa demais. Sou trocada facilmente, ao que parece, por pessoas inferiores. “Você é boa demais para mim”, eles dizem.

O que isso quer dizer?

Quer dizer que eu não fui boa o bastante para fazer ele ficar, não cativei nele o que ele certamente cativou em mim. Quer dizer que tem outra pessoa que faz ele se sentir suficiente e eu não fiz. Quer dizer que a história nunca foi minha e isso me quebra em pedacinhos.

Depois de notar a minha intromissão saio constrangida, como se eu tivesse riscado um livro emprestado. Peço desculpas, digo que vou comprar outro, sinto que violei algo, mas foi sem querer. Eu não sabia que a alma dele já pertencia a alguém, eu me apossei do corpo achando que eu o tinha.

Enquanto eu estava vivendo a página 1, ele já estava na página 200 do romance e eu só estava quebrando um galho, tampando um buraco, eu era só uma tentativa. Foi embaraçoso achar que eu era tudo. Sempre acho.

Todo coadjuvante é protagonista da sua própria história.

No final eu sei que a culpa não é minha, ninguém tem culpa. Só não era para ser. Eu ainda não aconteci, meus amores nunca foram meus, só as dores, as dores são sempre reais.

A verdade é que nenhum deles nasceu para ser protagonista da minha história, são todos coadjuvantes me preparando para algo maior, para a minha verdadeira história.

Qualquer dia desses eu acordo não esperando nada da vida, zombado do narrador que tenta me controlar (NOT TODAY SATAN) e sem perceber estarei na mesma página com um desconhecido, um perdido que não sabe o que tá acontecendo.

Ele vai começar me pedindo em casamento, eu vou aceitar de cara, entrar na brincadeira de casada com um desconhecido. Vamos começar com o final, com o término. “Foi bom enquanto durou” é o que vamos dizer toda vez que nos despedirmos de madrugada. “Acho que devemos reatar” será o nosso bom dia.

Vamos passar dia falando viagens e casar quando ninguém estiver olhando. Ele da casa dele e eu do meu escritório. Casados na Irlanda por meio de mensagens no celular, comentando sobre a nossa lua de mel, detalhando insanidades e safadezas esperadas.

A parte boa de começar do “felizes para sempre” é que a gente tem a oportunidade de retroceder lindamente para a melhor parte que é se conhecer todos os dias.

Eu flerto e me mostro, ele diz coisas que nunca tinha dito para ninguém. Me sinto única. Até que tudo acaba de novo e ao invés de pensar que essa não era a minha história, percebo que foi só uma das muitas histórias que eu ando cultivando para contar para alguém mais especial.

Final feliz é uma coisa muito superestimada, eu gosto é do estrago.

Imagem: Unsplash

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