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Eu garanto que você leu o título dessa matéria e pensou ‘ué, como que um site que fala sobre empoderamento feminino e autoestima tá falando pra eu não dar ouvidos pra conserva sobre amor próprio?’. Eu sei, parece muito contraditório, mas tem um motivo que você vai entender logo logo.

Dia desses eu vi no Twitter (já segue o Superela por lá?) um comentário sobre como o discurso sobre amor próprio e autoestima pode ser tão opressor quanto os padrões de beleza. Isso me deixou intrigada, porque, na minha cabeça, isso é impossível. Como um discurso empoderador pode ser opressor também?

Aí que está. Ele pode, sim. Como todo discurso, existe uma linha tênue entre o que é incentivo e imposição – fora que existe a questão da interpretação: cada pessoa entende o que a gente fala e escreve de um jeito. Ou seja, o que a gente coloca como um texto motivacional pode ser entendido como ‘cagação de regra‘ ou, pior ainda, como um discurso vazio.

Falar sobre amor próprio e autoestima é difícil quando você própria passa por problemas em relação a si mesma e a sua imagem. É a típica situação de ‘faça o que eu digo e não faça o que eu faço’. E aí também não dá, né? Precisamos todas crescer juntas nesse assunto.

Então, como saber quando a gente não deve seguir os tais conselhos de autoestima e amor próprio? Simples:

1.Quando ele é agressivo

O maior problema da raiva é que ela é uma sensação que a gente alimenta constantemente, o tempo inteiro. Já sentimos raiva de nós mesmas (em algum nível) diariamente. É capaz de você, em algum momento, falar ou ouvir conselhos cheios de raiva sobre você ter que amar o seu corpo e não se deixar afetar pelos comentários dos homens sobre a sua aparência. Não é bem assim que a banda toca: se você fala, lê ouve algo que tem a raiva como base, é exatamente isso que você vai sentir, por mais que as palavras sejam de incentivo. Amor próprio se ensina com amor, óbvio! Se não for assim, pode ter certeza que não é isso que você está aprendendo.

2.Quando ele causa uma sensação de obrigação

‘Você precisa aceitar o corpo’, ‘você deve assumir os seus cachos naturais’, ‘faça isso’, ‘faça aquilo’. Para tudo. Aprender a amar a si mesma significa que você se sente confortável consiga mesma – e esse conforto é natural. É um processo de se livrar das amarras que te prenderam por tanto tempo e não criar amarras novas. Se você sente que tem a obrigação de aprender a se amar e a agir de um jeito X ou Y porque isso demonstra que você se ama, é hora de dar um passo para trás e respirar fundo: não é seguindo o que os outros falam que você vai aprender sobre amor próprio. O movimento é de usar as informações que recebe para olhar para si mesma e se conhecer melhor, o que por consequência aumenta a sua autoestima.

3.Quando ele passa fórmulas mágicas

Existe uma diferença entre passar dicas práticas, que você pode adotar no seu dia a dia, e uma fórmula mágica, que promete o amor próprio instantâneo. É mais complicado do que isso. Amar a si mesma não é algo que acontece do dia para a noite, mas demanda um processo de treino longo e diário. Por isso que esse discurso só é válido quando é feito com amor, caso contrário a raiva vai causar frustração e te levar para o lado contrário.

4.Quando ele diz que você não pode ter dias ruins

A gente acredita de verdade que é possível toda mulher (todo mundo, na verdade) chegar num lugar de se sentir 100% satisfeita e feliz o tempo inteiro, porém até alcançarmos esse nível é normal termos alguns dias mais complicados. Desconstruir tudo o que você aprendeu sobre si mesma para aprender a se amar demanda força de vontade e muita paciência e isso pode ser um pouco frustrante – principalmente quando você fica de frente com as suas maiores dificuldades de aceitação própria.

5.Quando ele coloca mulheres umas contra as outras

Sabe essa coisa de rivalidade feminina? Sim, é normal isso aparecer distorcido em discursos como esse. É como se a era da magreza tivesse acabado e agora é vez das mulheres gordas dominarem o mundo. De novo, não é assim que a banda toca. O objetivo é todas as mulheres serem igualmente aceitas e entenderem a sua importância no mundo. Não existe um corpo melhor do que outro, uma mulher melhor do que a outra. Há espaço para todas se amarem e amarem umas às outras sem problemas. É aí que entra a tão importante noção da sororidade.

Em resumo…

Falar de amor próprio é falar de amor, e a única coisa que esse processo exige é que você preste atenção no que sente e pensa a todo momento. Se falam que você precisa aceitar as suas curvas, mas isso te passa uma sensação de raiva, é o momento de respirar fundo e olhar para você: o que isso te faz sentir? Como você pode mudar essa sensação? Como você pode trocar essa raiva por carinho? Pouco a pouco, os resultados aparecem e você vai perceber que o amor cresce tão facilmente quanto os memes na internet.

Imagem: Pinterest

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