Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Fui Hannah Baker quando tomei alguns comprimidos com um copo de vinho porque não aguentava mais sofrer.

Fui um porquê quando tirei sarro de alguém no colégio por causa da sua aparência ou personalidade.

Fui Hannah Baker quando não sentia vontade alguma de encarar o mundo e preferia não sair da minha cama.

Fui um porquê quando me uni com as amigas do colégio para condenar as atitudes de uma ex-amiga que havia nos magoado.

Fui Hannah Baker quando soube que fui apostada em uma brincadeira sem graça no colégio.

Fui um porquê quando apenas assisti às ofensas dirigidas a quem não havia feito absolutamente nada.

Fui Hannah Baker quando peguei uma lista na sala de aula em que eu estava como uma das últimas na classificação de beleza.

Fui um porquê quando não me sensibilizei com a dor de pessoas que não eram próximas só porque quem causou a dor era meu “amigo”.

Fui Hannah Baker quando não aguentava mais as piadinhas que faziam sobre mim, mas preferia não dividir isso com ninguém porque dividir me forçaria a relembrar o que me machucava.

Fui um porquê quando ri dos apelidos que eu ou algum amigo atribuía a outras pessoas, mesmo que isso as chateasse.

Acho que em algum momento da vida, todos somos ou seremos Hannah Baker ou um porquê.

Somos humanos e, consequentemente, frágeis e falhos.

Temos dias difíceis e temos dias em que somos difíceis.

Acho que é aí que se encontra a importância da série 13 Reasons Why: ela nos faz refletir sobre o que a gente sente, o que não merecemos aceitar, o que fazemos de errado com os outros e o que deixamos de fazer quando seria mais sensato reagir às injustiças que acontecem ao nosso redor.

“Não seja um porquê” é uma campanha já lançada para que a empatia venha à tona e a gente tenha mais amor e compaixão pelo próximo, afinal não podemos mensurar a dor que uma pessoa é capaz de sentir. Tem gente que escuta uma ofensa e não se abala, mas tem gente que já está deprimido e uma mera ofensa pode funcionar como um gatilho.

Agora, acho válido também não ser Hannah Baker. Não silencie a sua dor. Não deixe que ninguém defina como você deve se sentir. Não deixe que ninguém te diminua.

Se está difícil, procure ajuda. Se você sente que está sozinho (a) e que não tem ninguém que possa apoiá-lo (a), cogite buscar um profissional (às vezes, a gente precisa de alguém que está fora do nosso convívio para enxergar as coisas de uma outra forma).

Não seja também o medo de declarar o que vem do coração para não sentir o arrependimento do Clay Jensen.

Viva o hoje, fale o que sente agora… Não hesite em deixar que as pessoas saibam o quanto elas são importantes para você! Isso pode mudar a vida de alguém e até mesmo a sua.

Por fim, aproveito a reflexão deste texto para, mais uma vez, pedir desculpas a todos os envolvidos quando eu fui um porquê. E justamente por também estar nesta posição de pedir desculpas, eu perdoo os que fizeram eu me sentir como a Hannah Baker.

A adolescência tem muitas armadilhas, é verdade. A gente se deixa influenciar e, muitas vezes, consideramos mais o que os outros irão pensar do que aquilo que a gente pensa.

Tomara que esta série mude isso e que ela nos faça considerar sempre, em primeiro lugar, os sentimentos de cada um. Só assim teremos um mundo com menos porquês e, consequentemente, sem o sofrimento de mais Hannahs Bakers.

Imagem: Reprodução

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