Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Hoje, indo para o trabalho, me senti assediada. Foi na frente de diversas pessoas que riram quando um senhor começou a olhar para minha vagina de maneira indiscreta. Logo depois, ele lambeu os lábios e balbuciou coisas indecifráveis. Eu o olhava e me sentia despida, violentada por dentro e por fora. Foi quando percebi dois jovens que observavam a situação rindo. Eles riam pois acreditavam ser hilário um senhor de idade manifestar seus desejos sexuais a luz do dia.

assediada

Vindo do trabalho presencio outro estupro. Este, cometido dentro do trem. A vítima, aparentemente menor de idade, estava acuada e não reclamava. Mas a palidez em seu rosto revelava medo.
Também já me senti assediada no cinema, quando um rapaz, com quem havia saído duas vezes, invadiu minhas pernas com seus dedos afoitos. Eu travava os membros, mas preferi não fazer escândalo. Afinal, a cultura do estupro na qual fui criada e robotizada me dizia que se eu estava ali, ele tinha o direito de me tocar. Até porque eu nem era mais virgem, e havia topado o encontro.

Outra vez, assediada e até mesmo abusada pelo meu ex namorado. Ele transou comigo e me penetrou mesmo eu dizendo que não queria, que estava cansada e sem pique. ‘’ Quando eu começar você não vai querer parar’’. Na verdade, eu quis parar, e até pedi. E ele parou, assim que gozou em mim.

Você já se sentiu assediada hoje?

Pois, é meninas, diariamente somos violentadas de maneira tão pragmática que mal percebemos o que está acontecendo.

Já pensou que bom seria poder sair e tomar um porre pra afogar as mágoas, sem ter a premissa de que se quem te ajudar na carona for um homem, vai querer ter relações com você? E que se você dormir pelo efeito do álcool, ele vai transar com você assim mesmo? E que máximo seria poder colocar um shortinho em um dia de calor e ir na praça tomar um sorvete sem que homens de todas as idades te traçarem ali mesmo, sendo acobertados pela sua ‘’imprudente’’ escolha de vestimenta?

Uau… Seria mesmo incrível

Então, novamente te pergunto você já se sentiu assediada hoje? Você não é violentada somente quando te machucam e te forçam a manter relações. Você é vitima quando seu ‘’amigo’’ esta na seca e resolveu tirar casquinha, passando a mão disfarçadamente em sua perna. Ou quando está ficando com o cara e ele insiste em te tocar mesmo você retirando incansavelmente suas mãos. Ou ainda quando seu marido ou namorado perdem a capacidade de entender o que é ‘’eu não quero’’.

E então, eles vão comentar por aqui que isso tudo é mimimi, coisa de feminista peluda, e que elas bem que gostam quando são elogiadas na rua. Se colocou shortinho, queria mesmo ser estuprada. Bebeu até desmaiar, então não era santa, estava procurando por isso.

Até quando nosso corpo será de uso coletivo e não singular?

assediada

O meu intuito com este texto é mostrar por quantas vezes somos abusadas sem nos darmos conta. Por medo de fazer escândalo, por medo de ser chamada de vitimista, ou por simplesmente acreditar que tudo isso é normal.

Não, não é normal.

Seu corpo suas regras. Ainda que esteja pelada, ninguém pode invadi-la sem tua permissão.

Diga não ao estupro, ao abuso, assédio e constrangimento ilegal.

Você não esta sozinha, estamos aqui para lhe assegurar isso.

Imagem: Pexels


E o que vocês responderiam a essa pergunta aqui abaixo, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?

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