Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Um fato me aconteceu esse final de semana, o qual me trouxe, e muito, a reflexão. No Facebook há um grupo, formado apenas por mulheres, do qual faço parte. Ele discute sobre tabus, dúvidas e curiosidades. Também traz à tona os alertas de cunho sexual, sentimental, e amoroso de todos os tipos, formas e contextos.

Pois bem. Me deparo com um post cujo o tema é Sugar Daddy e Sugar Mommy. Eu que não sabia nada a respeito, então procurei saber um pouco mais.

Você também não sabe? Então, vamos lá…

liberdade sexual

Imagem: Pexels

Sugar Daddy ou Sugar mommy é uma gíria americana que significa: aquele homem (ou mulher) mais velho que usa seu dinheiro para gastar com uma mulher (ou homem) bem mais nova que ele. Em troca, ele recebe companhia e favores sexuais, ou não.

O que deu a entender pelo site Meu Patrocínio, o qual é responsável pelo encontro das (dos) sugar babies, com seus sugar daddies e sugar mommies, é que pode haver interação sexual ou não. Tudo depende das pretensões de ambas as partes.

Liberdade sexual no Feminismo: uma faca de dois gumes

liberdade sexual

Imagem: Pexels

Bom, claramente, e longe de qualquer refutação, mesmo que a tirar por essa rápida explicação sobre do que se trata os termos, faz-se claro que é um serviço que sim, endossa a ideia de mulher como um objeto. E, consequentemente, nutre mais ainda o sistema machista o qual estamos condicionados. Isso é um fato.

Só que o que me chamou a atenção foi a forma um tanto quanto agressiva e voraz  que essas mulheres, que aceitam ser suggar babies, estavam sendo tratadas e julgadas.

O meu primeiro pensamento foi: O feminismo versa sobre a igualdade dos gêneros, tanto política, social e econômica. Acredito eu que essa igualdade também deva ser observada na tomada de decisões a respeito de seus corpos, comportamentos, relacionamentos e etc. É pela nossa liberdade de ser quem somos, de fazermos o que queremos que militamos todo santo dia. Em casa, na rua, nas festas de família, com as sobrinhas, primas, tias mais novas. É isso que ensinamos, pregamos e defendemos. Não é?

A outra parte das manas estava comparando esse serviço com prostituição.

Sinceramente, devo dizer a vocês, com meu coração aberto, que não sei se podemos ou não comparar uma coisa com a outra. A verdade é que não vejo (opinião pessoal) que a prostituição seja um caso de escolha.  Ela  atinge uma parcela mais pobre e sem recursos da sociedade.

Claro que creio que há exceções. Eu acho que possa ter existido ou exista alguém em algum momento que possa sim ter escolhido a prostituição como forma de ganhar dinheiro, sem a necessidade efetiva de ter feito tal escolha. Simplesmente porque quis. Mas essa não é a regra.

A ato se prostituir, de fato, atinge a parcela mais humilde das mulheres, e as expõe a degradação total. E ainda tem o papel desenvolvido pelos exploradores diretos dessas mulheres, conhecidos vulgarmente como cafetões. Que as marginalizam, agridem de todas as formas, roubam e maltratam.

Em contrapartida,  esse serviço o qual estamos falando a respeito, permite que as manas escolham seus parceiros, conversem, estreitem laços intelectuais e até mesmo sentimentais.

E sim, uma das qualidades tidas como requisitos para as “candidatas” é a beleza e o fino trato. E essas manas são sim de uma faixa socioeconômica mais favorecida da sociedade. Apenas nessas diferenças eu consigo enxergar, e acho que fica bem claro a todos, que são coisas distintas. Mesmo que estejamos falando da mulher ser usada como moeda de troca, resumidamente. São situações completamente diferentes. Tudo difere-se a partir das circunstâncias.

Agora vamos pensar na liberdade sexual pela qual lutamos dia após dia, seja ela em qual contexto for, e até que ponto ela é aprovada e validada por nós mulheres, por homens, e também dentro do próprio feminismo.

Sabemos que a liberdade sexual é uma faca de dois gumes? Sabemos.

Mas por qual razão, Aline?

Porque, basicamente, ao mesmo tempo que ela nos diz que somos livres para fazermos o que quisermos acerca de nossa sexualidade e do nosso sexo, ela também reforça, alimenta e dá poder aos estereótipos de “piranha”, “mulher fácil”, “biscate”. Estereótipos esses criados pelo sistema machista para nos oprimir sexualmente.

E quando a gente luta por essa liberdade, querendo ou não, favorecemos aos homens mais uma vez. Dá-se à eles o que eles querem, sendo que a forma utilizada por eles para julgar e separar mulheres em categorias continua a mesma de mil anos atrás.Ou seja, o sistema permanece sendo alimentado da mesma forma.  Eles nos podam, nos intimidam, nos rotulam.

E a gente contribui com isso, ou não?

É uma dúvida totalmente compreensível e pertinente. A mulher tem o direito de dar sim. Tem o direito de explorar sua sexualidade e também tem direito de dizer não. De não querer. Afinal é exatamente sobre isso que trata o Feminismo.

Você tem direito de escolher o melhor caminho para si de acordo com suas aspirações e vontades, e não deve ser julgada por isso. A minha opinião pessoal, e me arrisco aqui a ganhar o coração de vocês ou o perder definitivamente, é que não é coerente para mim lutar pela liberdade apenas quando essa liberdade vai de acordo com o que eu quero pra mim, e o que está de acordo com os meus princípios.

A liberdade de todas as mulheres precisa ser assegurada. Esteja essa liberdade onde e como ela estiver. Mesmo que eu concorde, ou não, com certa atitude.  Quanto menos julgamentos cultivarmos acerca desse ou aquele assunto, mais seremos livres.

Eu seria uma sugar baby? Não.

Mas não é por isso que vou fomentar um julgamento e um debate que não me acrescentarão em nada. E mais ainda, cerceiam e uma vez mais podam as mulheres a fazerem o que estão a fim. Mesmo que eu não entenda o motivo para elas quererem isso. Mesmo que não tenha a ver comigo. Ou com o que eu quero pra mim. Mesmo que não faça sentido para mim.

E podemos levar essa ótima dica para assuntos como o aborto e outras questões das militâncias atuais.

Você faria tal coisa? Não. Mas quero ter o direito de decidir.

Imagens: Pexels


E falando em liberdade sexual, e poder de escolha, o que você responderia a essa pergunta abaixo de uma de nossas leitoras?

 

 

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