Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Quando paramos para falar de literatura feminina no Brasil, instantaneamente somos direcionados para nomes como Cecília Meireles, Lygia Fagundes ou Clarice Lispector. O que poucos sabem é que existe uma gama de mulheres literárias com obras maravilhosas publicadas  que merecem ser lidas e  guardadas na estante.

Como já é de se imaginar, em um país com uma cultura historicamente machista, a literatura feminina ainda representa um pequeno percentual na literatura nacional, e ao contrário do que se pensa por aí, as obras escritas por estas mulheres são de extrema relevância cultural e de identidade, nada contra as histórias de amor contadas inúmeras vezes em grossos livros, mas a história que estas novas autoras trazem é um manifesto de amor, representatividade e poder do gênero.

O machismo nunca vem assumido em sua total crueldade, como sempre enrustido em pensamentos limitadores e preconceituosos, assim ele  também funciona com a literatura feminina, comentários como “Nossa, ela escreve como um homem”, são direcionados as escritoras em forma de elogio, ou talvez “A leitura era tão boa, que só no final percebi que o autor era uma mulher.”

Para ter uma ideia, em um levantamento recente feito pelo site Metrópole, podemos ver que, desde 1941, somente 17% dos principais troféus oferecidos pelos oito maiores eventos literários do Brasil foram angariados por mulheres.

Como mudar esta situação? Lendo mais mulheres, como em um todo, a partir da premissa que quando eu compro um livro escrito por uma mulher, estou ajudando na quebra de mais uma barreira que precisa ser ultrapassada por nós.

Claro, que também precisamos que os homens leiam mulheres, mas se ao menos conseguirmos que uma parcela de leitoras passe a consumir habitualmente tais obras, já será um avanço.

E para começar com o pé direito, fiz uma lista de seis autoras contemporânea e suas respectivas obras, que vão fazer você enxergar a literatura feminina com novos olhos:

Então, chega mais perto…

Autoras que mudarão seu modo de ver a literatura feminina:

1. Luisa Geisler

Luisa-Geisler

Vamos encabeçar essa lista com Luísa Geisler, vencedora do Prêmio SESC de Literatura de 2010 na categoria conto pelo seu livro de estreia, “Contos de Mentira”, que também foi finalista do Prêmio Jabuti, foi lá e ganhou no ano seguinte na categoria Romance com “Quiçá”. Isso, aos 19 anos. Em 2012 foi a mais jovem autora selecionada para a antologia da Granta. Também é autora do livro Luzes de Emergência se acenderão, 2014, Alfaguarra.

2. Cinthia Kriemler

Cinthia Kriemler

“Apanhar, obedecer, saciar. Apanhar, obedecer, saciar. Apanhar, obedecer, saciar.” (p. 259)

A autora tem seu novo romance “Todos os abismos convidam para um mergulho” (Patuá, 2017) sendo destaque de crítica, com um tema recorrente em sua escrita: a violência contra a mulher. Mas também traz em sua essência protagonistas fortes e resilientes, um retrato verossímil da mulher brasileira em toda sua plataforma cultural e social.

Destaque também para seu livro de contos “Na escuridão não existe cor-de-rosa” (Patuá, 2015)  que se elevou a semi-finalista do prêmio Oceanos 2016.

A seguir sinta o poder da escrita de Cinthia no conto “Na escuridão não existe cor de rosa”: 

“Quando eu era pequena, eu queria ser bruxa. Bruxas não usam cor-de-rosa. Nem são loiras. Eu não conheço bruxas loiras. Só conheço fadas. Castelos. Sonhos. Varinha de condão. Sapatos número 35 — vá lá, 36 nos dias de calor! —; manequim 34. Gestos delicados. Passos de gata no cio. Ou de gazela, ou de garça. Esses bichos dissimulados. Cabelos loiros. Loiro Ultraclaro 90. Koleston. Nem cachos, nem ondas. Liso europeu. Fadas são europeias. Olhos azuis bem claros. Da cor do mar de Aruba. Que não é na Europa. O mar das bruxas não é azul. É escuro. De tempestades e naufrágios. Mar Negro. Afunda cinco navios de uma vez. Carrega tudo para as águas de baixo. Embaixo d’água não tem fada. Fadas não podem molhar o cabelo. As bruxas podem. Bruxas têm cabelos de anêmona. E se grudam nas rochas do fundo do mar. E afundam navios. Cinco de uma vez.  Para brincar de contar os corpos inchados dos afogados e os pedaços de barcos e lemes e adriças e quilhas e estais e gaiutas e birutas. Birutas são as fadas. Mornas como as correntes do Golfo. Bruxas são geladas. Como as correntes de Humboldt. Cheias de plânctons, de peixes. Ou quentes pela chegada afrodisíaca de El Niño. Eu queria ser bruxa. Quando era pequena. Vassoura, caldeirão, poções de magia, chapéu de ponta. A carruagem das fadas não é segura. Ela rola no precipício. No precipício das bruxas. Onde moram as cobras, os lagartos, os sapos que nunca viram príncipes. E os corvos, essas criaturas dadas às carnes mortas. Que só comem quando sentem fome. Que limpam a sujeira que não fazem. Limpam, limpam, limpam. Para que as fadas pisem terra sem restos. Para que as fadas não cheirem a podridão da morte. Mas as fadas insistem em preferir os passarinhos. E os dias de sol. E os meninos e meninas com juízo. E os homens bonitos. E o pagamento em euros. Ou libras. Cotação em alta. E tudo cor-de-rosa. As unhas, as bochechas, o pôr do sol, a vulva, a moldura do espelho. Bruxas não gostam de luz. Nem de reflexos. Por causa das verrugas que têm no nariz. Que afastam os meninos e meninas cheios de juízo. E os homens bonitos. Bruxas só gostam da noite. Entranhada dos sons das criaturas invisíveis. E da igualdade mais estranha. Na escuridão não existe cor-de-rosa. Nem fadas. Porque as fadas dormem com as galinhas para ter a pele mais bonita. Eu queria ser bruxa. Desde pequena. E de tanto gritar para a boca da noite, ela me respondeu: Your wish is my command!”

3. Barbara Nonato

Barbara Nonato

Essa vem da leva de autoras que se auto publicam, isso mesmo, elas vão lá e fazem, vendem e ganham prêmios. Desta maneira a escritora Barbara ganha seu espaço no mundo literário, finalista do disputadíssimo prêmio Kindle 2016, ela não se deu por satisfeita e em 2017 o romance ”Pelos Caminhos Do Tempo” levou ela mais uma vez ao pódio do concurso. Não há dúvidas que ainda ouviremos falar muito dela.

4. Marina Carvalho

Marina Carvalho

É professora e escritora, autora de 10 livros, tem seu público-alvo voltado para mulheres. Seu último romance solo “O amor nos tempos de ouro” acaba de ganhar sua versão cinematográfica. A mineira é puro talento e figura entre as autoras mais carismáticas e prestigiadas das redes sociais. Seu último lançamento foi o livro escrito juntamente com a também autora Laura Conrado, “Literalmente Amigas” que possuí como casa editorial o grupo Record, com o selo Bertrand Brasil.

5. Ana Beatriz Brandão

Ana Beatriz Brandão

Essa é a caçula da lista, mas só na idade, pois seu currículo literário já é extenso, suas últimas obras “O garoto de cachecol vermelho” e “A garota de sapatilhas brancas” foram publicados pela editora Record, pelo selo Verus, um feito e tanto para uma jovem mulher de 18 anos, que além de ter uma escrita cativante aborda temas em seus livros de extrema importância, como a doença degenerativa Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Parte dos direitos autorais do livro são doados a instituição ABRELA, que cuida e apoia portadores da doença. Isso mostra que além de muito talento, Ana possuí responsabilidade social, portanto merece figurar a lista.

6. Por último e não menos importante: Viviane Santyago, a mulher que vos fala

Viviane Santyago

Sou escritora e jornalista, e terei meu livro de estreia publicado pela editora Telucazu Edições, sob realização do Governo do Estado e a Secretaria da Cultura de SP (PROAC).

A obra “A Linha Amarela do Metrô” traz em sua concepção uma metáfora de uma criança perdida em uma plataforma em movimento, assim como milhares de brasileiros que caminham pelo mundo particular criado no livro. Vencedor de um edital de publicação, o livro recebeu uma bolsa governamental para sua publicação.

Ainda prometo dois novos lançamentos para este ano, com temas polêmicos e muita surpresa por aí!


Bom, agora tá mais que provado que literatura feminina de qualidade é o que não falta por aqui.

E você, tem uma dica de literatura feminina para a gente? Deixa nos comentários do Facebook!

Obs: Todas as imagens usadas neste texto foram retiradas dos arquivos pessoais dos autores, abertas a divulgação.

Imagem de capa: Stocksnap

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