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Mãe solteira. Quantas vezes você já ouviu (ou falou) esse termo? Muitas, com certeza. Talvez até ao ponto de você ficar meio chocada ao descobrir que ele é errado. O correto é falar mãe solo. Mas, calma, que a gente explica.

Lá atrás, há muitas décadas, quando as mulheres eram praticamente obrigadas a casar, as pessoas acreditavam que uma mulher que tivesse um filho fora do casamento era uma vergonha. Esse era um tempo em que os pais pagavam ‘dotes’ (quantias em dinheiro) para um pretendente das filhas e o casamento era considerado a única ‘função’ digna de uma mulher.

Ser mãe e solteira ao mesmo tempo era a maior desgraça para uma mulher e, por isso, as mulheres que tinham filhos fora de um casamento ficaram conhecidas como ‘mães solteiras’. Porém, o que todo mundo precisa entender é que ser mãe independe do status de relacionamento de uma mulher, por isso, o melhor termo para definir essas mulheres é mãe solo.

Mas, afinal, o que é mãe solo?

Mãe solo é toda mulher que se responsabiliza pela maior parte da criação de um filho. Ou seja, a Karina Bacchi, que decidiu fazer uma inseminação artificial para engravidar, é mãe solo. A mulher que adota sozinha uma criança é mãe solo. Quem tem um filho e foi abandonada pelo marido também. E quem é casada, mas cuida mais do filho do que o parceiro, também.

Isso significa que mulheres casadas podem, sim, serem consideradas mães solo. É uma questão de quanto a criação da criança é compartilhada com um parceiro. Se o pai não é igualmente envolvido nas atividades do filho, se não ajuda na criação tanto quanto a mulher, então essa mãe é mãe solo.

Para explicar um pouco melhor, você pode ver esse vídeo da incrível Hel Mother:

Basicamente, estar casada ou não, namorando ou não, morando junto ou não, não define se uma mãe é solo, mas o tempo que ela investe cuidando dos filhos. É uma tarefa muito difícil porque, na maior parte das vezes, essas mulheres equilibram uma balança impossível: o trabalho com os estudos e a criação dos filhos, por exemplo. Ou vários empregos de uma vez, para ajudar com as contas, além das responsabilidades como mãe.

É mais um problema estrutural

Toda mãe solo ainda sofre muito preconceito da sociedade. Principalmente as que são, de fato, solteiras. Essas mulheres são chefe de mais 38% das casas no Brasil, mas têm mais dificuldade de conseguir emprego por causa da sua condição e até de começar um novo relacionamento.

Falar que ‘ninguém mandou a mulher abrir as pernas’ é um problema tão grande quanto dizer que ela é mãe solteira: fazer um filho do jeito tradicional exige a presença de um homem e uma mulher. Isso quer dizer que os dois lados são igualmente responsáveis pela criança.

A questão é que uma sociedade patriarcal, focada na importância do homem branco, diz que ele (o homem) não precisa se responsabilizar pela gravidez de uma mulher – a culpa é dela de ter engravidado – e ele tem uma ‘permissão’ social de abandonar a família sem pensar duas vezes. Uma mulher que faz o mesmo e deixa a criança com o pai é para sempre julgada como irresponsável – e esse pai solo é visto como herói.

mãe solo

E outra: um filho criado por mãe solo (assim como a própria mãe) não é digno de pena. É possível essa criança crescer cercada daquilo que precisa para se tornar um ser humano feliz e útil na sociedade. Essas mães não são coitadas, mas o seu esforço precisa ser reconhecido porque, afinal, elas toparam cuidar de outro ser humano, muitas vezes sem o apoio necessário para a tarefa, e passam por momentos de frustração e raiva, baseado em acertos e erros.

Ser mãe não é, nem nunca será fácil, mas com certeza pode ser mais leve sem o olhar julgador daqueles que ainda acham que o papel da mulher é ser esposa e cuidar das crianças ‘direito’.

Imagem: Mãe Solo

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