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O que você procura?

Nos últimos anos tem se tornado evidente para muitas mulheres o mal que a quantidade de hormônio contida nos anticoncepcionais pode fazer a nossa saúde. Eu resolvi pesquisar um pouco mais sobre métodos contraceptivos naturais e comecei a me perguntar: Por que eu, no auge dos meus 23 anos de idade, com uma vida sexual ativa, não conhecia quase nenhum método não hormonal ou natural?

Cheguei à conclusão que, além de não ter tido educação sexual em casa, e na escola, todas as vezes que eu fui ao ginecologista, ele me receitava os anticoncepcionais hormonais antes mesmo de me apresentar qualquer outra opção para que eu decidisse o que seria melhor para mim. E conversando com outras mulheres eu notei que isso é muito normal nos consultórios.

Eu nunca tomei anticoncepcional porque sempre me achei esquecida demais para lembrar de tomar todos os dias, junto com uma pitada de desleixo, afinal de contas, existem apps, lembrete no celular ou até mesmo a injeção que pode ser tomada de 3 em 3 meses. Outro fato que eu julgo o mais determinante nessa minha escolha, que é nunca ter visto anticoncepcional na minha casa (somos 4 mulheres adultas), a única vez que eu vi foi quando a minha mãe encontrou uma cartela nas coisas da minha irmã mais velha e começou a brigar muito com ela, como se isso fosse uma coisa muito errada. Lembrando que a minha irmã já era maior de idade e já tinha tido alguns relacionamentos sérios.

Então confesso que eu sempre quis evitar o desgaste de ter que ficar escondendo a cartela, para que a minha mãe não visse e acabasse em briga. Assim como nunca andei com camisinha também, nem nada que entregasse que eu já havia dado início na minha vida sexual.

Em casa falar sobre sexo sempre foi um TABU, assim como em muitas famílias brasileiras, principalmente nas que são compostas por filhas mulheres. Lembro que a primeira vez que eu fui ao ginecologista, minha irmã foi quem me acompanhou e os exames tiveram que ser escondidos a sete chaves.

Mulheres foram ensinadas desde cedo a esconder, se envergonhar e ter nojo de suas próprias vaginas. Isso começa lá na infância quando o menino nasce e o pai logo brinca “Olha o tamanho desse P*, papais segurem suas meninas porque o meu filho vai dar trabalho” entre outras frases como essas que deixam claro que o pênis do menino sempre é um motivo de muito orgulho para a família e para a sociedade. Enquanto que a menina quando está descobrindo o seu próprio corpo, e coloca a mão na vagina sem maldade alguma, já escuta um “Tira a mão daí, não pode! Que coisa feia! Aí é sujo, eca!”

Já não basta na infância terem nos feito achar que nossas vaginas são sujas e impuras, ainda vem a indústria pornográfica e cria um “padrão de beleza para vagina e ânus”, fazendo a gente acreditar também que a vagina é feia e fazendo muitas mulheres mutilarem seus órgãos e se submeterem a métodos doloridos de clareamento, e depilação. Para ter uma vagina clara, pequena, simétrica e sem pelos, como a de uma criança.

Isso não soa doentio para vocês?

Se você achou muita coisa, não para por aí. Se a vagina da mulher é suja, impura e feia, qualquer fluido que saia dela também é. Logo a secreção vaginal e a menstruação são tão sujos e nojentos quanto a própria vagina.

Que mulher nunca precisou se levantar para ir ao banheiro trocar o absorvente e enrolou ele no bolso para que ninguém o visse, porque que vergonha seria se todos soubessem que você está menstruada, não é mesmo?

E os nomes para esse período que inventaram como se fosse um pecado dizer menstruada… “Naqueles dias, de Chico, de bode…”.

Se a menstruação é considerada suja então, imagina o muco cervical?

Muitas mulheres têm nojo do próprio muco cervical porque não sabem o que é, e nem para que serve. Ninguém as ensinou, ninguém disse a elas que é normal, e que toda mulher em seu ciclo reprodutivo libera secreções por suas vaginas. Analisando alguns posts sobre isso na internet percebi que ainda falta muita informação para a mulherada em relação a isso, então vou explicar:

O que é muco cervical?

muco cervical

Muco cervical é uma secreção liberada pelo útero durante o seu ciclo, pode haver alteração na cor, na quantidade e no cheiro e cada uma dessas características indica em qual fase do ciclo você se encontra.

Pra que serve?

O muco cervical serve de barreira para a entrada de bactérias no colo uterino, e durante o período fértil ele se torna mais líquido e em maior quantidade para facilitar a passagem do espermatozoide para o útero.

Quais são suas fases?

Ele pode apresentar uma cor branca ou levemente bege, e cheiro característico, com uma textura cremosa como a de um creme hidratante porém um pouco mais espessa, nessa fase ele indica que você não está mais no período fértil e pode vir logo após o período fértil.

Secreção transparente, líquida, e levemente elástica, similar a uma clara de ovo. Indica período fértil, quer dizer que você está ovulando.

Secreção pegajosa e levemente “esfarelada” significa que a menstruação está próxima e você não está no período fértil também. Inclusive é a fase que indica o menor grau de fertilidade no seu ciclo, pois sua aparência de leite talhado impede com mais facilidade a entrada de espermatozoides.

É importante lembrar que o muco cervical tem cheiro característico de vagina, que para a surpresa de muitos não é cheiro de sabonetes, ou flores, mas também não é normal liberar secreção com mal cheiro e forte o suficiente para incomodar outras pessoas, ou com cores esverdeadas, marrons e etc. Nesse caso, chamamos essa secreção de corrimento, e é indicado procurar um ginecologista o quanto antes para saber o motivo da alteração, lembrando que nem sempre é IST, mas é importante ficar alerta.

Portanto, muco cervical, secreção vaginal ou seja lá que nome vocês querem usar, não é nojento, não é sujo e nem é motivo de vergonha. Entendido?

Conhecer o seu próprio corpo e entender as fases do muco cervical, é muito importante para quem resolver fazer uso dos métodos contraceptivos naturais, pois eles auxiliam a mulher a descobrir quando ela está no seu período fértil.

Antes de escrever esse texto, diz uma enquete nos stories do meu Instagram e eu percebi que muitas mulheres não sabem nada a respeito dos métodos naturais, então eu vou deixar explicadinho aqui:

O que são os métodos contraceptivos naturais?

Métodos contraceptivos naturais são métodos para evitar a gravidez que a mulher toma como base os sinais emitidos pelo seu próprio organismo, sem intervenção de hormônios, que não são liberados pelo seu corpo, para evitar a gravidez.

Quais são os métodos contraceptivos naturais?

Coito interrompido

O homem retira o pênis da vagina da mulher antes de ejacular, vale lembrar que existe uma chance, MUITO MÍNIMA, mas existe, de conter espermatozoides no líquido liberado pelo pênis antes da ejaculação. É extremamente difícil a mulher engravidar dessa forma, mas existe essa possibilidade e precisamos deixar isso registrado também.

Também é bom lembrar que é preciso ejacular longe da vagina. Já ouviram a expressão “feito nas coxas?”, pois é, essa possibilidade existe também até porque a ejaculação pode escorrer até a entrada da vagina e como ela está lubrificada o espermatozoide consegue “nadar” até o óvulo.

Tabelinha

Esse método só pode ser feio por mulheres que possuem ciclo REGULAR. A tabelinha é feita através de uma conta, dentro de um calendário que encontra os dias de maior fertilidade da mulher. Ou seja, nos ciclos mais comuns com 28 a 30 dias, a fertilidade máxima seria entre o 12° e o 15º dia, contando como primeiro dia o início da menstruação. Nesse caso a mulher deve usar um método de barreira nos dias em que a tabela diz que que ela está fértil. Lembrando que o espermatozóide pode se manter vivo no seu corpo até três dias, portanto é bom considerar três dias antes e três dias depois usando algum método de barreira.

Método Billings

Consiste em analisar o muco cervical e identificar através dele qual é o seu período fértil e também optar por um método de barreira ou de abstinência caso você prefira, lembrando que é bem-vinda a ajuda do parceiro nesse método e em qualquer outro.

metodo billings

Método da temperatura basal

A mulher introduz um termômetro na entrada da vagina todos os dias e através da temperatura consegue saber se está ovulando ou não, pois durante o período fértil a temperatura da vagina sobe para aproximadamente 37ºC.

Método sintotérmico

O método sintotermal é a junção de todos esses métodos. É o autoconhecimento do próprio corpo que permite através de sinais que a mulher perceba quando é o seu período fértil e não fértil e evite a relação desprotegida no período de maior fertilidade.

Eles são 100% seguros?

Nem mesmo em relação à camisinha podem afirmar 100% de eficácia, quem dirá através de métodos contraceptivos naturais.

Eu acho eles muito seguros, o que acontece é que muitas mulheres sabem muito superficialmente sobre eles e resolvem aderir, cometendo falhas e levando à gravidez indesejada, depois elas culpam o método.

Eu tenho uma amiga que usava anticoncepcional, e resolveu mudar para a tabelinha. Acontece que o método tabelinha só pode ser feito, por mulheres que têm o ciclo REGULAR, e principalmente, TEM QUE dar um prazo usando um método de barreira quando você muda de um método para o outro até o seu organismo se adaptar, ela simplesmente não deu prazo nenhum e engravidou. Isso acontece muito, até mesmo se você mudar de marca de anticoncepcional, mas continuar usando o mesmo método, é preciso um período usando método de barreira, pois haverá uma alteração hormonal em seu corpo.

Os anticoncepcionais hormonais inibem alguns sinais do nosso clico e a mulher fica totalmente perdida, sem conhecer o seu corpo. Portanto ao sair de um método hormonal para um natural é preciso muita cautela e observação. Você pode ir aos poucos e substituir por um método não-hormonal, porém não-natural (os chamados método de barreira) por um tempo.

E quais são esses métodos não hormonais ou método de barreira?

Diafragma, camisinha masculina e feminina, DIU (somente o de cobre), esponja contraceptiva e capuz cervical.

Importante lembrar que…

contraceptivos

Com exceção da camisinha, nenhum dos outros métodos é recomendado para mulheres que não possuem parceiro fixo. Pois nenhum deles evitam ISTs. Eles ajudam somente na prevenção da gravidez indesejada. Portanto meninas, sem parceiro fixo usem sempre a CAMISINHA, que até o momento é o ÚNICO método que previne IST, e isso é muito, mas muito importante!

Certa vez um conhecido meu me disse que havia contraído uma IST, e ao questiona-ló sobre o uso da camisinha ele me solta um:

“Ah, como eu ia adivinhar, a mina era mó gostosa, loirinha, cara de limpinha?”

Até hoje eu me pergunto como eu tinha paciência para manter um diálogo saudável com um ser escroto como esse. Primeiro que a frase foi extremamente racista e machista. E por fim, só mostra que além de escroto o cara era um ignorante, eu ia dizer burro, mas não quis ofender o coitado do animal. Enfim, foi eliminado da minha vida com sucesso e eu sigo plena longe de gente tóxica.

Mas fica aí a mensagem meninas, quem vê cara não vê IST, não confiem em qualquer pessoa. Se não for alguém que convive com você todos os dias não cedam quando pedirem para ter relação sem camisinha. A vagina de vocês é preciosa e merece todo o cuidado e amor do mundo.

Os médicos não estão errados em indicar os métodos hormonais, o que não é certo é indicar eles logo de cara e não passar nenhuma outra opção como os métodos contraceptivos naturais, como se a mulher não pudesse decidir o que é o melhor para ela. O ideal é que você conheça todos e decida qual é melhor para você.

Está na hora de pararmos de permitir que controlem os nossos corpos e as nossas ações sobre eles. E para isso precisamos conhecer o nosso próprio corpo e ensinar/incentivar outras mulheres também a conhecerem. Vamos dar um basta nisso. Também é sobre isso que a frase “Meu corpo, minhas regras” fala. Por muito tempo não tínhamos autonomia sobre nosso próprio corpo, sempre ditaram ou induziram a gente a fazer o que eles achavam certo, o tempo de submissão acabou!

Imagem: Every Day Health

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