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Queda de cabelo nunca foi um problema pra mim até eu passar por uma situação em que eu fui chamada de ‘carequinha’. Eu devia ter uns 16 anos e uma amiga foi me agitar para um carinha do prédio dela (que eu gostava), mas uma outra colega nossa acabou intervindo (pelas minhas costas – crise de ciúmes, eu diria) e me definindo assim. Isso me marcou por tanto tempo que até hoje me dá um aperto no coração pensar nesse assunto.

Naquela época, meu cabelo era bem normal. Por genética, eu nunca tive um volume absurdo, mas nada que me incomodasse, de verdade. Depois disso, eu acabei passando por algumas situações bem estressantes – inclusive um caso de depressão sério – e a coisa degringolou demais. Meu cabelo caiu muito, ficou ralo, sem vida, um horror.

Isso afetou ainda mais a minha autoestima (que já não era lá essas coisas) e eu corri atrás de uma forma de tentar reverter o quadro. A boa notícia é que a minha dermatologista sempre me falou que isso era puramente emocional, que eu não tinha nenhum problema como uma alopecia, por exemplo. A má notícia era que, justamente, a minha queda de cabelo era emocional. Lembro, na primeira vez que falei sobre isso com ela, de ficar com uma cara de ‘e agora, José?’, porque eu não tinha ideia de como controlar o meu emocional a ponto do meu cabelo não cair.

Começou aí a minha saga com milhares de tratamentos. Todos eles tópicos, porque nos exames de sangue não apareciam alterações que precisam de uma atenção mais focada. Ou seja, se eu tinha alguma dúvida de que era tudo emocional, tava aí a minha resposta. Até hoje, o que deu mais resultado no meu cabelo foi o Minoxidil.

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Pra quem não sabe, Monixidil é uma solução muito usada para tratar calvície em homens. É um remédio forte, que precisa ser prescrito por um médico, e em mulheres, normalmente, tem que ser diluído. No Brasil não é permitida a venda da solução pura para nós. O maior problema sempre foi esperar os três meses até o negócio fazer efeito. Pra quem tem autoestima baixa, esse período é a maior tortura que se pode imaginar.

Enfim, meu cabelo começou a crescer de novo. Aos pouquinhos, os fiozinhos foram nascendo e ele encheu. Fiquei bem. Fiquei feliz. Cuidei com o que eu achava que era carinho. Em 2013 fui fazer uma viagem de intercâmbio e não poderia fazer o remédio por lá. Parei de usar, cai em depressão profunda quando voltei (não por causa disso, vale ressaltar), e a queda de cabelo voltou mais forte do que nunca.

Sobre ontem ♥ | ? @xugar

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Pensei em cortar o cabelo todo. Pensei em raspar a cabeça. Pensem em tacar fogo pra ver se começava de novo. Em certo momento, pensei até em morrer. Quem sabe nascendo de novo o cabelo não viria mais bonito. O que eu não tinha percebido e absorvido até então é que a minha queda de cabelo era puramente emocional. Eu precisava tratar de mim antes de pensar em cuidar do meu cabelo.

No meu ponto mais baixo, eu não queria nunca sair de casa e as fotos são muito escassas. Era dolorido me ver em imagens porque o meu olhar ia direto pro meu cabelo. Deixei de ir nos médicos, me isolei e sofri até tomar uma decisão: eu ia sair desse buraco. Se o meu cabelo melhorasse no processo, que incrível! Se não, eu ia precisar aprender a aceita-lo.

Comecei um processo de cura e autoconhecimento muito profundo e foi aí que eu vi que a queda de cabelo fazia muito sentido, porque era o lugar onde eu mais me atacava. E o lugar que a gente mais ataca é sempre aquele que a gente dá mais valor. No caso, vocês adivinharam, era o meu cabelo.

Aos pouquinhos, fui entendendo que ele não me definia. Que ele não fazia de mim uma pessoa melhor ou pior, ele só representava um monte de coisas que eu pensava e ainda penso sobre ele. Decidi cortar o meu cabelo de uma vez, mas por um motivo diferente: seria uma forma de me libertar de algo que me fazia tão mal e começar a vê-lo por um outro olhar, o cabelo que eu tinha na época não combinava mais comigo.

Me encontrei.

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Não vou dizer que transcendi totalmente o fato dele ainda ser ralinho, mas alguma coisa mudou, sim. O principal é que eu deixei de sentir tanta raiva dos meus fios e da queda de cabelo. Mais recentemente, em novembro, eu senti vontade, de coração, de cuidar e resolver esse ‘problema’. Fiz exames de sangue, fui na dermatologista, e ela me passou o Minoxidil mais uma vez, além de algumas vitaminas específicas para unhas e cabelos.

Desde estão, estou mais uma vez no período dos três meses, mas já vejo alguns fiozinhos nascendo e isso me acalma o coração. A decisão de mudar isso foi tão importante porque me abriu o caminho para cuidar, de verdade, do meu cabelo – apenas mais um resultado daquela outra decisão ali em cima: de sair do buraco em que eu me enfiei.

Esquentando a mão na caneca™

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Atualmente, eu cuido do meu cabelo assim: tomo as vitaminas prescritas de manhã, lavo o cabelo dia-sim-dia-não e jamais com água quente (no máximo, morna), durmo com óleo de coco nos fios uma vez por semana e aplico o Minoxidil todas as noites, antes de dormir, massageando bem o couro cabeludo.

Olhar para o meu cabelo com raiva é um condicionamento tão grande, que ainda hoje me pego prestando atenção nele quando tem outras coisas mais importantes acontecendo. Mas aos pouquinhos, isso vai mudando. Vai mudando porque, cada dia que passa, eu aprendo a me amar mais.

Com essa história toda, eu percebi a importância de a gente cuidar do que sente e como isso pode afetar o nosso corpo muito mais do que a gente imagina. Minha dermatologista disse pra eu não parar com o Minoxidil, mas espero, um dia, poder não depender dele pra gostar do meu cabelo, porque isso significa que eu estarei muito mais em paz, emocionalmente falando, e não vou mais me atacar tanto.

Assim como eu fiz com o antidepressivo quando precisei dele, prefiro ver o Minoxidil como uma ferramenta pra me ajudar nesse processo todo, ao invés da salvação da minha vida. No fim das contas, eu não sou o meu cabelo, mas algo muito maior (e mais amoroso) do que isso. E se, hoje, eu ainda sonho em ter um cabelo à la Gisele Bündchen, amanhã eu espero nem lembrar mais o que era sofrer com queda de cabelo.

Imagem: Gunnar Halen / Instagram

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