Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










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Ser mulher hoje é desafiador. Certamente as feministas que deram início às lutas no século XX pensavam que a esta altura do campeonato essa história de direitos iguais estaria mais… igual. Não se pode negar que até então já houve muito progresso, mas o que é um pouco frustrante, é que não parece o suficiente. Por isso, na semana do Dia da Mulher o Superela quer abrir discussões sobre o que uma mulher pode fazer para mudar o ambiente ao seu redor, seja na moda, entretenimento ou gastronomia. Para isso, separamos oito mulheres para se inspirar e ficar de olho, porque elas pretendem quebrar ainda mais estereótipos neste ano.

Mulheres para se inspirar

01. Gabi Gregg (blogueira e designer)

mulheres para se inspirar

Imagem: Reprodução/ Gabi Gregg

Gabi Gregg, mais conhecida por seus seguidores como GabiFresh, é uma mulher que conquistou o sonho de todo mundo que trabalha com internet. Ela conseguiu transformar o site criado como hobby em 2008 em uma carreira completa de designer. Atualmente, tem no currículo cinco colaborações para Swimsuitsforall, marca de roupas de banho inclusiva americana; uma capa na revista Ebony e em 2017 , lançou a Premme, marca própria em colaboração com a amiga Nicolette Mason, e uma linha de lingerie em colaboração com a marca inglesa Playful Promises. Apesar do sucesso, Gabi afirma que não é fácil conquistar espaço na  indústria da moda, especialmente quando se trata de mulheres gordas ou curvilíneas, já que as influenciadoras magras sempre eram preferidas quando as marca tinham propostas de colaborações.

Em entrevista ao site Fashionista, ela conta que antes do boom dos blogs as postagens e o mercado se relacionavam de maneira mais orgânica. Porém, o fato de ter se tornado um grande negócio faz com que este universo fique ainda mais competitivo. No entanto, Gabi afirma que ainda há espaço para quem quiser começar, basta achar sua própria voz. “Eu odeio a ideia de que uma única pessoa possa representar um grupo inteiro. É sobre achar seu nicho, encontrar o que te faz diferente. Agora, nós estamos lutando contra a ideia de que toda mulher plus-size tem a barriga chapada e tem curvas como a Ashley Graham. (…) Se você tem um corpo “maçã”, use isso como vantagem e mostre como você se veste. É sobre encontrar seu caminho e não tentar seguir o de outra pessoa, e com esperança conseguir tornar seu blog um trabalho full time se é isso o que você quer”.

02. Nicolette Mason (blogueira, colunista e designer)

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Imagem: Reprodução/ Nicolette Mason

Nicolette Mason, assim como a amiga e sócia Gabi Fresh, usou do poder das redes sociais para ganhar voz no universo fashion. O segredo de Nicolette para se inserir em uma indústria extremamente conectada aos padrões estéticos foi entender que moda e militância caminham juntas. Foi falando sobre aceitação do corpo e feminismo interseccional que ela conquistou colunas em veículos como Marie Claire, Vogue Itália, Ten Vogue, Refinery 29, além de ser consultora de diversidade de marcas como a Target, gigantesca rede de varejo americana e até a própria Barbie! No meio do ano passado, a blogueira finalmente deixou sua marca (literalmente!) no mundo da moda e lançou a Premme, uma marca dedicada a mulheres que vestem entre 46 e 64 de acordo com os tamanhos brasileiros.

A década de experiência rendeu a Nicolette alguns conselhos sobre a indústria. Em entrevista ao Fashionista, a colunista atenta sobre o uso da palavra “diversidade”, que apesar de estar bastante difundida, pouco se vê o progresso na prática. Por outro lado, ela conta que uma vez que você está dentro do meio, as oportunidades de fazer a diferença aparecem. “Você percebe que é bem diferente do que parece para quem está de fora. Claro que existem pessoas que são favorecidas apenas por questões de aparências e contatos, mas em termos de resistência, perseverança e trabalho tudo valem tudo. Eu não poderia deixar de citar meus privilégios financeiros e por ter a pele clara, mas trabalhar é importante para conseguir o que quer”.

03. Flávia Durante (comunicadora e empresária)

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Imagem: Reprodução/ Flávia Durante

Se lá fora temos duas comunicadoras que se tornaram empreendedoras no universo da moda, aqui quem dá o nome é Flávia Durante. Cansada de não encontrar roupas do seu tamanho e de acordo com o seu estilo, em 2012 ela teve a ideia de criar o Pop Plus, uma feira de moda e cultura plus size que acontece quatro vezes ao ano em São Paulo, e na última edição, em março deste ano, contou com mais de 70 expositores. Como se não fosse o suficiente, Flávia, que está na blogosfera desde 2000, divide seu tempo entre a feira, um blog lançado em 2017 no qual fala sobre temas como pressão estética e gordofobia, e ainda alguns trabalhos como DJ. Ufa!

Apesar de todo o sucesso do Pop Plus, assim como os avanços na indústria da moda em geral, a empresária percebe que ainda há nichos que novas marcas precisam cobrir.

“Há muitos tipos de estilos e serviços ainda inexistentes para esse público, como moda e lingerie para gestantes plus size, roupas para prática de esporte (não só fitness), camisaria, moda executiva, botas, calçados para pés gordos, mobiliário e até toalhas que envolvam o corpo gordo. Não precisamos da milésima marca de vestidos. Queremos o que ainda não existe”, conta em entrevista exclusiva para o Superela.

04. Pat McGrath (maquiadora)

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Imagem: Reprodução/ Pat McGrath

Você pode até não saber quem é Pat McGrath, mas com certeza já viu alguma de suas criações. A maquiadora foi responsável pelo rosto colorido de Lady Gaga na capa do álbum Applause, além de ter trabalhado com celebridades como Rihanna, Kim Kardashian e ser responsável pelas maquiagens de cerca de 80 desfiles das maiores semanas de moda internacionais por ano. Em 2016, Pat lançou coleções cápsulas de alguns produtos limitados como sombras, delineadores e batons, e no ano passado, decidiu lançar uma coleção fixa. Todos as linhas esgotaram no mesmo dia em que foram lançadas.

O que ela tem em comum com as mulheres para se inspirar da lista, é que foi a falta de representatividade no mercado que a levou ao sucesso. Nos anos 80, quando Pat começou a se interessar por maquiagem, era difícil encontrar produtos que funcionavam para o seu tom de pele. Assim, ela tinha que realmente conhecer e misturar os produtos, que na maioria das vezes descobertos por acidente. Segundo a maquiadora, esse talvez tenha sido o motivo pelo seu interesse por visuais mais coloridos e que fogem do “nude”, afinal, o conceito de nude até pouco tempo só contemplava as peles claras. A chegada de Pat McGrath ao topo representa um maior apoio à entrada das mulheres negras no mercado da beleza. Em relação ao futuro, ela conta ao jornal The Guardian que se vê otimista, mas ainda enxerga espaço para que mais pessoas como ela possam ascender: “Eu acho que a gente sempre quer que as coisas melhorem e essa é a minha visão desde que cheguei na indústria. É ótimo ver mais diversidade, mas sempre pode melhorar”.

05. Lisiane Lemos (executiva)

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Imagem: Reprodução/ Lisiane Lemos

Muito se fala sobre diversidade, mas fora das câmeras e capas de revista, representatividade também importa. O avanço do aparecimento de pessoas negras na mídia precisa ser acompanhado pela entrada de mais negros no mercado de trabalho em geral. De acordo com o relatório Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas, os negros ocupam apenas 6% dos cargos de gerência. Isso motivou a executiva de vendas da Microsoft Lisiane Lemos a cofundar a Rede de Profissionais Negros, uma ONG que conecta profissionais em busca de talentos. Já na Microsoft, ela participa do Blacks at Microsoft no Brasil, que usa a tecnologia como instrumento de ascensão social de negros.

Lisiane reconhece que para chegar onde chegou, foi graças a privilégios como bons colégios e uma graduação em uma universidade federal. Por isso, segundo ela, é tão importante que exista essa ponte entre profissionais em empresas. Em conversa com o portal Na Prática, ela ensina como o mercado pode se preparar para auxiliar na ascensão de negros no mercado de trabalho: “primeiro, as empresas têm que mostrar que estão engajadas na questão racial. Se eu não consigo me enxergar naquela empresa, não vou considerá-la como um lugar para o qual devo me candidatar. Por exemplo: campanhas de marketing monocromáticas não estimulam negros a utilizarem os produtos das empresas e terem vontade de trabalhar nelas. Concomitantemente, precisam demonstrar que a igualdade racial é um interesse delas e devem notificar essa vontade de querer aprender sobre o assunto para que os profissionais possam questioná-las sobre suas propostas”.

06. Rihanna (cantora e empresária)

Imagem: Reprodução/ Rihanna

Rihanna é uma cantora que dispensa apresentações. Isso porque, nos últimos dois anos desde o lançamento do último álbum Anti, seus empreendimentos ultrapassaram as barreiras da música e mudaram o universo da moda e beleza. Em 2016, ela lançou sua primeira coleção esportiva em parceria com a Puma e a cada semana de moda apresenta tendências ainda mais ousadas. Apesar de ser considerada um ícone de estilo, foi na maquiagem que ela realmente conseguiu transformar a indústria. Em setembro, a marca da cantora Fenty Beauty sutilmente alfinetou a falta de diversidade de cores no mercado ao lançar 40 tons de base, de peles claras a escuras, o maior número entre as marcas até então.

Quase que imediatamente, os tons mais escuros esgotaram das lojas e a Fenty Beauty conseguiu, em menos de um mês inspirar até as marcas mais tradicionais do mercado como a Make Up For Ever, que logo após o lançamento se viu obrigada a aumentar a variedade de cores. Além disso, o empreendimento da cantora ganhou um prêmio da revista Time como uma das invenções do ano em 2017. Ah! E as novidades não param por aí. De acordo com o portal WWD, Riri está fechando um contrato com o grupo TechStyle para lançar sua primeira linha de lingeries até o fim deste ano. Alguma dúvida de que vai ser a linha mais inclusiva DA VIDA?

07. Cecília Aldaz (enóloga)

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Imagem: Reprodução/ Cecília Aldaz

Não é novidade que o universo gastronômico é tradicionalmente machista, especialmente quando se trata de vinhos. Na época em que chegou ao Rio, a argentina Cecília Aldaz teve de encarar um ambiente majoritariamente masculino, mas tomou para si a missão de mudar a forma como se fala sobre a bebida. O fato de estar mais interessada em histórias e procurar rótulos fora do óbvio, rendeu a enóloga prêmios entre as maiores revistas do país- ficando à frente de vários homens da profissão-, e o programa de TV “Um Brinde ao Vinho”, que estreia sua segunda temporada no próximo dia 14 às 22h30 no canal Mais Globosat.

Cecília, que foge dos chamados “enochatos”, conversou com o Superela em uma entrevista exclusiva e dá uma dica para as inciantes que querem entender cada vez mais sobre o mundo dos vinhos:

“Esse universo da bebida nos surpreende a cada momento. Quando, por exemplo, fazemos a degustação às cegas, podemos já ter muito conhecimento, lido muitos livros – o que ajuda bastante -, mas ali, na hora da verdade, tem quem entender o vinho, a história dele, de onde veio, etc. E as mulheres têm uma sensibilidade especial para o vinho. Então, vale a pena correr atrás.”

 

08. Iza  (cantora)

Imagem: Reprodução/ Iza

A gente te apresentou a IZA lá no começo de 2017, quando falamos de hit do carnaval, se lembra? Naquela época, era possível que você não conhecesse a cantora, mas este ano eu duvido que você não ouviu Pesadão ou Te Pegar ao menos uma vez durante a folia. Ela foi a escolhida para encerrar a nossa lista de mulheres para se inspirar este ano porque reúne todas as outras histórias em uma só. Para se tornar um dos principais nomes do pop brasileiro, ela teve de usar o poder das redes sociais, militância e principalmente, se arriscar. Largou a carreira em Publicidade e Propaganda e decidiu apostar na  de cantora através de vídeos no Youtube cantando músicas de outras artistas como Beyoncé e Nina Simone.

No Rock in Rio do ano passado, foi convidada para participar do show de CeeLo Green, o que lhe rendeu uma turnê com o artista, que passará por São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre em abril e maio deste ano. Apesar do sucesso, IZA faz questão de reafirmar as bandeiras de mulher, negra e periférica para que mais meninas como ela possam se enxergar na mídia: “Não digo que vou ser a pessoa mais militante do mundo e nem que em todas as minhas músicas vou falar sobre esse assunto, mas eu sou e vivi isso. Eu sou negra, sou mulher, sou da periferia. Foi tão bom esse boom da internet, das meninas crespas se assumirem crespas e acho lindo quando elas vêm falar que estão passando por essa transição por minha causa. A gente precisa disso, a gente tem uma missão”.

Imagem de capa: Reprodução/ Rihanna/ Flávia Durante


Agora que você já tem uma lista enorme de mulheres para se inspirar, que tal ajudar a uma amiga no Clube Superela? Você pode responder à pergunta abaixo ou clicar aqui.

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