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Bom, saber por onde começar este texto foi bem difícil, afinal somos censuradas em nossas ideias, e na forma como expressamos elas ao mundo, desde muito cedo… e isso fica marcado na gente, é uma trava que vira e mexe temos que vistoriar.

Minha ficha sobre esse cadeado, que vai sendo colocado aos poucos em torno de nossa liberdade intelectual e expressiva, só veio a cair quando entrei na faculdade.

No ambiente acadêmico fui percebendo que minhas conquistas eram tidas como pequenas quando comparadas as dos meus colegas homens, que minhas falas, quando ouvidas, eram tidas como óbvias ou até mesmo descredibilizadas.

Uma situação em específico me incomodou muito desde que ingressei no ambiente da universidade: uma grande cientista da área, a quem eu admirava e que tinha sido uma inspiração para o meu interesse nesse campo da ciência, era frequentemente tratada com desconfiança durante alguns congressos, suas descobertas sempre eram postas em dúvida, suas posturas eram sempre julgadas, e inclusive a sua orientação sexual era abordada nas pequenas rodas de conversa para explicar determinadas condutas suas (um absurdo!!).

Foi então que eu fui começando a compreender que antes de ser uma excelente profissional e cientista, a pessoa que eu admirava era uma mulher, e por isso ela sempre era tratada de forma diferente dos demais pesquisadores homens da área… sua vida sempre era escarafunchada, e suas escolhas sempre questionadas, afinal ela ocupou um espaço que na cabeça de muitos não foi feito para nós mulheres.

Esse sentimento de não pertencimento muitas vezes nos faz querer desistir de seguir uma carreira acadêmica, nos faz pensar que não somos tão boas assim, e às vezes a razão de nos sentirmos desse modo é tão mascarada, tão trabalhada num imaginário de que nada é diferente para nós mulheres, que por vezes acreditamos que essa vontade de largar tudo e fazer qualquer coisa longe da academia não tem a ver com o fato de sermos mulheres, acreditamos que isso não tem relação com as posturas machistas (e misóginas) do ambiente universitário… mas acredite, tem sim!

As pequenas sutilezas do dia a dia no ambiente acadêmico machista vão se acumulando nos nossos pensamentos e influenciando a forma como a qual enxergamos nós mesmas, temos que ficar atentas quanto a isso… conversar com outras colegas da área sobre estas questões foi o modo como encontrei para me fortalecer e não desistir da carreira que escolhi seguir.

Em meio as dificuldades que nós mulheres passamos dentro da universidade (das quais podemos citar desde o assédio de professores, colegas e/ou funcionários, os desafios da maternidade durante este período, entre outros) fui percebendo o valor da representatividade neste espaço.

No meu caso, além da inspiração gerada por uma mulher cientista, a busca de uma aproximação junto a pesquisadoras foi crucial para que eu continuasse firme no propósito de concluir minhas pesquisas.

Atualmente estou terminando o mestrado e anseio ingressar no doutorado em breve, e serei eternamente grata a estas mulheres que me apoiaram.

Assim como acontece com as mulheres na área que escolhi seguir, sou frequentemente questionada sobre as minhas escolhas, sobre o fato de não ter construído uma família e de não ter planos e expectativas para tal. Mas “tudo bem”, porque minhas colegas que concretizaram tudo isso, e seguem na vida acadêmica, também são questionadas exatamente por terem realizado tais planos e têm de ouvir coisas como “mas por que foi se casar agora?” e/ou “mas se quisesse mesmo estudar não teria tido um filho”.

O que eu concluo com tudo isso é que o que incomoda mesmo é o fato de estarmos ocupando o espaço das universidades, de estarmos nos posicionando e de expormos nossas ideias.

Portanto, não desista da vida acadêmica no primeiro baque que você sofrer por ser mulher!

nao-desista-de-sua-carreira-academica

Busque outra mulher para conversar sobre isso. Não desista de suas ideias criativas, que por vezes serão tratadas como sem fundamentos… é que o novo assusta, e ele é mais aterrorizante ainda na visão machista que o mundo nos impõem, segundo a qual as ideias só são brilhantes quando tidas por homens.

Um dia você verá que valeu a pena ser resistente, que você abriu muitas portas para outras tantas mulheres. Apoie suas amigas, colegas e professoras! Ser apoiada por uma mulher é contagiante e gera uma reação em cadeia que nos fortalece e nos dá voz nesse ambiente que na maioria das vezes é tão opressor.

Quando pensar em desistir, reveja o quão importante é para você este curso de graduação ou pós, e acima de tudo não acredite nos pensamentos que irão pairar na sua cabeça durante as madrugadas ou nas aulas que você não gosta tanto… você não chegou até aí por acaso!

Se você, deixando de lado por um momento os problemas e dificuldades que lhe cercam na universidade, se imagina uma profissional feliz e realizada na área que escolheu seguir.

Não desista de sua carreira acadêmica, você está no lugar certo!

Imagem: Pexels

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