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O que você procura?

Quando eu era adolescente, vivia acreditando que deveria resolver todos os conflitos que apareciam. Bastava eu brigar com uma amiga ou um namorado e, em pouco tempo, estava eu indo atrás para fazer as pazes, mesmo quando eu julgava estar certa. Também era comum eu ficar procurando aqueles amigos que sumiam com frequência, que quase nunca tinham tempo para uma ligação ou mensagem (leia mais aqui).

Não sei se eu fazia isso por medo de perder a pessoa, se era por uma necessidade natural de deixar tudo em clima de paz (confesso que detesto brigas e fico mal com climas chatos) ou se era porque eu sabia que o orgulho ou a indisponibilidade do outro era sempre maior que a minha.

Depois de tantos pedidos de desculpa (pelo que eu não havia feito) e de tantas procuras por quem escolhia não ser presente, eu fui me cansando de ser a única que levantava a bandeira branca e a única que se importava em saber como o outro estava.

orgulho

No começo, as pessoas se chocavam e diziam que eu havia mudado demais, que eu estava indiferente, que parecia não me importar mais. E sabe o que era engraçado de se observar? Aquelas pessoas que antes pareciam tão orgulhosas e inatingíveis, agora vinham me procurar, pediam desculpas, tentavam esclarecer as coisas e perguntavam sobre o meu dia.

É claro que eu me dei conta de que elas não eram tão orgulhosas ou indisponíveis assim, eu é que sempre acabava indo atrás e simplesmente fazia elas contarem com isso, sem que fosse necessário fazerem qualquer esforço. Ao contrário do que possa parecer, eu não me tornei uma pessoa orgulhosa com o tempo – até porque eu acredito que orgulho não nos leva a nada de bom, pelo contrário.

Não sou do tipo que consegue guardar consigo os sentimentos por uma questão de ego, mas eu aprendi a ser mais seletiva, entendendo que algumas vezes não ir atrás é também um ato de amor. Por quê? Porque as pessoas precisam crescer, precisam enxergar quando erram, precisam aprender a deixarem o orgulho de lado e precisam ter tempo para quem amam (leia mais aqui).

Quando eu erro, engulo qualquer sinal de orgulho que apareça e peço desculpas. Acredito que não reconhecer os meus erros é errar de novo e eu me sinto muito melhor comigo mesma e com a minha consciência quando sou capaz de assumir minhas falhas. Por isso, muitas vezes, quando alguém pisa na bola e me decepciona, eu acabo ficando quieta no meu canto. Não faz sentido eu procurar alguém que é incapaz de me procurar e me dizer: “eu errei com você, me desculpa?“.

Aí você pode me dizer: “mas às vezes a pessoa nem sabe que errou”. Bom, nesse caso, faria menos sentido ainda eu procurá-la. Algumas coisas devem ser óbvias para quem tem um pingo de sensibilidade e, ainda que não fossem, se uma pessoa realmente se importa com você, ela é plenamente capaz de perceber e sentir o seu afastamento.

Quando me dei conta disso, entendi que se eu preciso tolerar erros, ignorar ausências e sempre ser aquela que procura e que se dispõe a resolver tudo, é porque é uma relação unilateral (leia mais aqui). E sabe, eu cansei de relações assim… Cansei de me doar a quem não se entrega, a quem não se preocupa com o que sinto, a quem não sente a minha falta, a quem não enxerga o que causa ao outro com suas próprias atitudes.

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Desde então eu sei que não ir atrás, às vezes, não é uma questão de orgulho e sim de honestidade com o que sentimos e, principalmente, de amor-próprio (porque merecemos ter ao nosso lado quem não hesita em nos mostrar que deseja estar nele).

Imagem: Pinterest

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