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No Ritmo da Sedução (em uma tradução errônea para Been So Long) poderia ser só mais uma tentativa de musical britânico que não conseguiu alavancar muitos suspiros, mas o conjunto da obra faz com que a gente torça nosso bico e pense um pouquinho melhor.

Ela é uma mãe solo. Ele é um ex detento com um passado misterioso. O que podemos esperar de tão relevante nesse musical?

OS PARÁGRAFOS A SEGUIR CONTÊM DOSES DE SPOILER, porém nada que possa comprometer as surpresas do filme.

Em uma indústria cinematográfica completamente clichê e com as mesmas caras brancas de sempre nos papéis principais, No Ritmo da Sedução traz Michaela Coel (Star Wars – Os últimos Jedi) e Arinzé Kene (The Pass) dois atores negros para protagonizar esse leve musical.

O filme que estreou esse ano, conta a história de Simone (Michaela Coel) de uma maneira bem simples e que nos permite criar diversos paralelos com histórias de mulheres reais.

Abandonada pelo pai de sua filha quando descobriu a gravidez, Simone enfrentou sozinha as graças e dificuldades da gravidez e da criação de sua filha, exatamente como sua mãe. Ela lida com isso de uma forma bem madura e tem sua vida nos eixos até cair nos encantos de Raymond, um desconhecido que acabara de cumprir pena.

No início, Simone parece bastante resistente para dar uma oportunidade a esse rapaz, por inúmeros, mas impulsionada por sua melhor amiga, ela mergulha nessa aventura.

Nesse ponto nós vemos a primeira crítica do filme: mães solo ou que estão há muito tempo sem entrar em um relacionamento, são extremamente inseguras.

Nada tão fora do esperado, porém não menos doloroso. A sociedade ainda julga uma mulher que é mãe, como inadequada para um relacionamento que não seja com o pai da criança e isso claramente reflete no psicológico delas. Simone demonstra-se bastante insegura, recorrendo a joguinhos juvenis de demonstrar desinteresse e mistério como forma de aguçar o interesse alheio. E isso acaba funcionando (novamente o cinema alimentando o clichê de relações amorosas).

Depois disso, temos umas cenas bem incríveis de cumplicidade feminina e da diferença que o apoio entre mulheres consegue fazer. Ao longo da sua jornada, Simone é fortemente amparada por sua melhor amiga e por sua mãe. Em geral, as três têm vivências distintas, porém com semelhanças unânimes. As três são mulheres fortes, donas de si e empoderadas.

Entre uma canção e outra, o filme nos apresenta alguns estereótipos bem falhos que a sociedade ainda costuma associar. Yvonne, a melhor amiga de Simone, é a que encoraja a protagonista a se dar uma chance com o Raymond, porém o filme peca ao tentar apresentar a personagem com esteriótipos tão batidos. Como uma mulher bem resolvida quando a associa a uma pessoa impulsiva, irresponsável, baladeira e até mesmo a ideia de que necessariamente ela precisa ser fogosa (como uma característica extremamente rasa sobre sua liberdade e autonomia sexual).

Um personagem um pouco fora do contexto (e quem sabe até da órbita) porém muitíssimo problemático também, é o “lunático sem nome”. No passado, ele sofreu uma desilusão amorosa onde o Raymond (veja bem como Londres é minúscula) se envolve com o “amor da vida dele”, a partir disso o lunático passa a perseguir o protagonista por toda a cidade a fim de se vingar. Não fosse somente a loucura que passa esse personagem, o filme também nos alerta sobre o comportamento que alguns homens costumam ter, quando entendem a mulher como sua propriedade, e não sabem lidar com uma rejeição.

Finalizando a sequência de personagens secundários, temos a Mandy, filha da Simone. Uma garotinha de aproximadamente 9 anos e que tem uma maturidade absurda para uma garota da mesma idade. O que me faz problematizar um pouco esse “amadurecimento” forçado que os filmes apresentam em meninas.

Em certo momento, Mandy reencontra seu pai, até então desconhecido e posteriormente questiona sobre o seu abandono, mas infelizmente o filme não explora muito a respeito disso, nos deixando com uma versão rasa – mas não rara- do que aconteceu.

Em linhas gerais, No Ritmo da Sedução tinha fortes chances de ser um grande filme.

Uma história próxima da realidade de quem o assiste e um modelo fora do padrão hollywoodiano de casal protagonista para quebrar aquele clichê que estamos acostumados. Porém mesmo com tudo isso, a trama não consegue ser forte o suficiente para estar numa categoria de um grande musical, até porque nem mesmo as músicas do filme têm um grande efeito.

Com uma história e elenco não muito bem explorado, No Ritmo da Sedução é um musical leve, mas que não deixa de ser uma boa escolha para um fim de tarde. Ótimo para aqueles momentos com o crush, com a galera ou até mesmo sozinho.

Bom filme!

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