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Muito se critica os protestos pró-feminismo em que as mulheres optam por expor seus corpos. Essas são taxadas como putas, feminazis, agressivas e daí para baixo.

A mesma censura acontece com mulheres que, por vontade própria, expõe sua nudez. Sobretudo mulheres que estão fora do padrão de beleza estabelecido pela hegemonia atual.

E dando uma pincelada rápida neste assunto, padrão de beleza nada mais é do que o retrato da classe detentora de uma época. Prova disso são as obras renascentistas em que as mulheres eram retratadas em formas mais voluptuosas, sempre deitadas, imprimindo na arte a imagem da classe detentora que podia comer e descansar o ano inteiro, numa época em que não havia a possibilidade de armazenamento, nem meios de conservar alimentos.

Já a hegemonia de hoje ostenta tempo livre para academia e dinheiro suficiente para tratamentos estéticos, que não é o caso do proletariado. Ou seja, o padrão de beleza, em qualquer tempo, não diz nada sobre beleza e sim sobre capital e divisão de classes. Mas isso é assunto para outro texto (prometo que escreverei).

Voltando a polêmica nudez feminina, essa que agride a moral e os bons costumes, colocando o corpo feminino num patamar inferior, só é mal vista se for exposta pela própria mulher e por sua própria vontade.

Veja: na pornografia, na publicidade e nas revistas masculinas não é vulgar. Traduzindo: nudez para apreciação masculina é ok.

nudez feminina padrão
nudez feminina padrão

Então o problema não é a nudez feminina, certo?

O problema é: em que mãos está o poder sobre o corpo feminino.

Logo, o asco ou a excitação são reações diretamente ligadas ao poder, muito mais do que a moral. Outro exemplo é a amamentação.

O seio como fonte de alimentação quebra completamente o fetiche e a objetificação do corpo da mulher, causando até nojo por alguns. Parece absurdo, mas nós mulheres, sabemos bem o que é isso.

Para entender problemas estruturais, é preciso voltar os olhos para a história e a construção da sociedade. Afinal, não há soluções fáceis para problemas difíceis e engendrados nas raízes de um sistema antiquado e machista.

Portanto, é importante olharmos para a revolução feminista nos anos 60. Ao falarmos da história desta revolução (maio de 1968), é preciso desmistificar algo que está mais nu do que os nossos corpos nas campanhas publicitárias.

Infelizmente, a revolução feminista foi manobrada e boicotada para que atendesse a estrutura machista, como uma forma de facilitar ao homem o acesso ao sexo.

As mulheres que fizeram parte da revolução, lutavam por liberdade sexual. Liberdade essa que foi muito mais benéfica para os homens, tendo em vista que a sociedade daquela época era feita por homens e para homens, diminuindo assim o valor da mulher que ainda era vista como objeto sexual e de procriação (por meio do casamento).

Em teoria, a revolução feminista tinha como objetivo a libertação sexual e a consciência de que o corpo feminino pertencia somente a mulher. Na prática, o corpo da mulher passou a pertencer ao capitalismo e não a ela. Estamos rodeados de campanhas publicitárias, produtos e afins que estampam o corpo da mulher como produto ou atrativo para produtos.

Para o sistema, o feminismo se tornou produto.

O ato revolucionário daquelas mulheres reverbera até hoje e trouxe muitos benefícios. É muito triste ver que ideais tão genuínos foram tomados e destorcidos por outros que não lutaram, nem sofreram opressões na busca pela mudança. No entanto, não é o suficiente para barrar uma luta legítima que se faz presente, continua avançando e continuará.

Afinal, as próprias mulheres são a revolução mais longa.

Imagem: Pexels

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