Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










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Olá, pessoas! Durante um tempo toda semana o pessoal do Superela separou um espacinho no blog pra eu poder postar uma história seriada para vocês.

Para quem já me conhece aqui eu posto contos eróticos e textos feministas. Essa é a primeira vez que eu posto uma história sobre amor aqui, então be kind.

Sinopse

Romana queria saber se o amor (aquele entre duas pessoas, sabe?) realmente existia.

Foi assim que ela resolveu começar uma pesquisa pra descobrir. Graças a essa loucura ela conhece Antônio, que batia de frente, mesmo a garota acreditando firmemente “nessa coisa de alma gêmea” o rapaz era um completo desacreditado e queria convencê-la que isso era só uma mentira para vender livros de romance água com açúcar.

Capítulo 1 – Eu e o Deus Tempo

Tomei um gole do meu café e sentei na varanda. Costumava odiar dias nublados, estava frio e eu, com aquela camisa enorme e velha do Sex Pistols achei, por um momento, que fosse congelar completamente.

Mas era como se eu tivesse realmente me castigando por ser estúpida, ou qualquer coisa mais que combine com isso, eu confesso que não sei muito bem o que estava passando na minha cabeça, mas no final das contas isso também não importava muito.

A única coisa que eu queria era ficar ali, olhando para o céu cinza de algo que me dizia ser muito cedo.

Eram seis horas da manhã e eu nem tinha a necessidade de estar acordada naquela hora.

O problema era que eu sou muito ansiosa e tenho uma rixa profunda com o Deus do Tempo. Eu acho ele muito lerdo, enquanto eu estou a mil por hora. Eu aposto que ele acha que eu sou uma retardada também.

Por várias vezes já me peguei imaginando como seria mudar a órbita da Terra, diminuí-la, fazer com que seja menor, do tamanho da de Vênus ou de Mercúrio, para que assim, o tempo de um ano, de um dia, de uma semana, de um mês, acabasse correndo mais rápido.

Isso seria maravilhoso para mim, mas ao mesmo tempo injusto com quem, por exemplo, tem câncer e só tem mais alguns meses de vida. E eu ainda tenho minha juventude inteira pra aproveitar.

Pelo menos é o que dizem, pelo menos é por isso que eu estava sentada nessa varanda, encarando o frio de frente e castigando o meu corpo, que é a única parte de mim que se aproveita das burradas do meu cérebro, dizem que eu sou muito jovem para pensar nas coisas que penso. Que eu tenho pressa demais e que as coisas que eu planejo simplesmente vem com o tempo, que não é necessário tanta pressa.

O problema é que eu sempre acabo imaginando como seria se eu estivesse prestes a morrer.

Olho minha palma da mão esquerda com uma certa pontada de dor. A minha linha da vida é curta.

Algo sempre me disse que eu iria morrer antes dos meus pais, que eu ia morrer jovem, mas o que sempre me deixou muito ansiosa foi: e se eu morrer sem saber o que é amor?

Não estou falando de amor de mãe. Minha mãe me faz o favor de me sufocar com ele. Justificando suas paranoias e medos com o seu amor. Como os pais sempre justificam o fato de gritarem com seus filhos como uma demonstração de amor. Eu não sei se as pessoas concordam comigo, mas acho que isso é no mínimo cômico.

Amor de mãe é algo quase que previsível, mas não certo. Há também aquelas mães que odeiam seus filhos. Mas é fácil amar alguém que você desejou ter, que você gerou com um pedacinho de você, que você alimentou com a sua energia, seu tempo e sua paciência. Esse amor todos nós temos.

Eu me refiro especialmente ao amor que vem de fora. Ao amor que supera o previsível. Ao amor que vem de alguém, que você simplesmente não tem nada com ela, quando você não tem sangue nem dívida com essa pessoa. Quando ela é só uma alma solta no mundo, assim como você, e vocês se encontram e percebem que se completam.

Minha mãe me fez acreditar nessa merda de lance de alma gêmea.

Na verdade sou dessas que acredita em reencarnação, então segundo as regras da reencarnação nós acabamos sempre nos encontramos com pessoas que tivemos problemas ou carinho muito grande. Seguindo essa lógica eu provavelmente vou encontrar a pessoa que eu amei em outras vidas por aí.

Tornei a olhar para minha mão esquerda. Quando aquela cigana do centro leu minha mão disse que eu iria encontrar um sim o amor da minha vida e que ele passaria despercebido.

Daí me surgiu dois questionamentos, um era se ele e eu já nos conhecemos ou não, outro era que se eu perceber que era ele tarde demais? E se eu morrer antes?

Não sei até hoje de onde vem esse medo de morrer e esse imediatismo meu, mas vai saber, não é?

De qualquer forma, provavelmente as pessoas devem me achar no mínimo otária por acreditar numa cigana de rua. Na verdade, eu tenho o maior respeito pela cultura deles, e quando comecei a pesquisar sobre a história dos ciganos comecei a respeitar muito mais.

Sobre acreditar nisso, é só uma forma de certificar que um dia talvez eu encontre alguém que eu ame.

De repente me surgiu uma ideia, meu café já estava esfriando, mas mesmo assim eu ainda bebericava alguns goles.

Fui até a sala, peguei um caderninho, desses pequenos e de arame, e comecei a escrever minha tese. O que eu queria pesquisar, o motivo e como eu iria descobrir aquilo o quanto antes, eu sei que isso deixaria o deus do tempo muito irritado, mas isso é extremamente necessário.

O que eu queria pesquisar: O amor existe?

Amor no sentido: duas pessoas, se conhecem, se apaixonam, se amam demais e tem certeza de que encontraram o amor de suas vidas.

O motivo: Depois de tantos anos vendo comédias românticas de Sessão da Tarde e alimentada pela mídia capitalista, Shakespeare, as ideias da minha mãe e a maldita cigana do centro, começo a me questionar se essa coisa de alma gêmea realmente existe.

Como eu vou descobrir isso: Entrevistando as pessoas, utilizando de base livros, filmes, estudos e um pouco de mitologia.

A caneta que eu usava era uma caneta colorida roxa, bem chamativa, tinha até cheirinho, mas eu gostava porque era com ela que eu pintava meus planos mais loucos. Era com ela que eu tentava chegar em algum ponto que ninguém havia chegado.

Eu não esperava muito dessa coisa toda na verdade. Talvez eu nem chegasse a lugar nenhum…

A única coisa que eu queria saber era se esse sentimento existia e como encontrá-lo.

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