Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Amar nos dias bons é fácil.

É fácil amar quando tudo está bem e a pessoa ao seu lado te dá tanto quanto você dá. Quando há troca de promessas e ações. Quando se é preenchido por alegria e sorrisos compartilhados. É fácil amar quando no final do dia, mesmo depois de uma briga, se pode fazer as pazes e seguir na mesma sintonia.

Difícil é amar quando vem os dias escuros. Quando se perde a estrutura, o chão, as vigas e até a própria consciência de si mesmo. É difícil amar quando os dias são preenchidos por preocupações e se divide mais lágrimas do que sorrisos.

E quando a angústia faz morada na alma enquanto se busca uma saída.

Será que transformamos o amor numa moeda de troca, que ao sinal das encruzilhadas e pneus furados, desce-se do carro e deixa o outro a sua própria sorte? Será que transformamos o amor num sentimento mesquinho e egoísta, disposto a esquecer-se das promessas em nome de si mesmo? É difícil amar na dificuldade. Amar quando o outro está preso numa cama, dependente de você. É difícil amar quando o outro precisa mais de sua compaixão do que de seu sex appeal.

Do que vale lições de kama sutra ou de aumento da libido quando o outro mal se aguenta em pé? Quando está acometido de tristeza ou de doença? Não seria nessas horas que o amor se torna justamente o amor que deveria ser? Maior do que aparências e certezas de alegrias momentâneas. Alimentado pela cumplicidade e por dedicação altruísta. Esperançoso em si mesmo de tornar a vida do outro melhor, ainda que este não esteja convalescendo. Esperançoso em si mesmo.

Mesmo quando não se chega ao extremo de uma doença, amar é doar-se e decidir todos os dias em amar a pessoa cheia de defeitos que o outro é. Amar é a amizade que virou a esquina e disparou o coração. É a troca de olhares que antecede um beijo ou que permite o fechar dos olhos descansado. Nem sempre haverá noites tórridas, mas o amor preenche também com conversas interessadas e carinhos silenciosos. Amar é querer estar ao lado do outro em suas vitórias e derrotas. Querer ter o colo do outro seja para chorar, seja para se aconchegar ou simplesmente para curtir a vida.

Não é fraqueza precisar de pessoas. Isso é humanidade. Também não nos tornamos super heróis por seguirmos sozinhos. São escolhas. Mas a escolha do amor é facilitada pelo riso e esculpida pela dor. Amar é saber que hoje se doa, amanhã talvez se receba. Não por obrigação como num voto perpétuo, mas porque assim é a vida. Amar é escolha.

Resta saber se somos capazes de viver o amor que não se vangloria e não se envaidece ou se estacionamos na cancela do benefício próprio. Temos falado tanto de amor-próprio, mas este em excesso é o mesmo mal que se combate fantasiado de empoderamento. Esconder-se por detrás de um dito “amar a si mesmo”, deixando-se preencher por uma necessidade de estar o tempo todo tendo seus desejos supridos é a troca verídica do sujo pelo mal-lavado.

Veja bem, eu sempre digo que o amor próprio é a base para relacionamentos saudáveis.

Eu sempre levantei a bandeira do amar a si mesma para ser capaz de amar alguém. Só que tudo na vida é ditado pelo equilíbrio: há sim, excesso de amor próprio e isso se chama egoísmo. Tenha cuidado para que na verdade você esteja assumindo o que queremos combater. Cuidado para não entrar numa ideia catatônica de um eterno “se não me satisfaz, não me importa mais”. O relacionamento saudável, ao chegar no amadurecimento ganha contornos muito mais basilares do que quando se começou. Existe uma diferença crucial entre terminar uma relação porque o outro tem plena condição de te amar e te respeitar, mas não o faz e a situação em que o outro queria poder fazer, mas no momento precisa mais de você.

Além disso, não é possível esquecer que a Terra está em constante rotação. Vez ou outra voltamos para o mesmo ponto, com papéis diferentes. Se nunca aprendermos a nos doar, não será possível sempre receber.

Imagem: Unsplash

@ load more