Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Créditos: Izabela Souza

Passeando pelas redes sociais, mais especificamente o Instagram, vemos belíssimas fotos, pessoas felizes, tratamentos estéticos e dietas milagrosas prometendo o tão sonhado corpo ideal ditado pelos padrões de beleza midiáticos.

E toda vez que vejo essa expressão de corpo ideal eu fico pensando, afinal o que é o ideal?

O que seria um corpo ideal?

Ideal para quem?

Fui buscar o significado de ideal e encontrei o seguinte:

“Que só existe na imaginação. S.m. Perfeição que o espírito imagina, mas que não se pode alcançar”

Então, poderíamos dizer que não existe? E ainda que você queira que exista, o ideal não seria algo muito particular? Pois, se é algo que existe no pensamento, traz muito do que cada pessoa é, das suas experiências, crenças e valores, portanto, ele é variável.

E, sendo variável, por que desde cedo, nós mulheres somos cobradas e estimuladas a fazermos inúmeros sacrifícios para estarmos “enquadradas” nos ditos “padrões de beleza” impostos por alguém que teve essa ideia, sabe-se lá quando e baseado em quais vivências?

Neste momento, há tantos porques brotando em minha cabeça que confesso estar me sentindo como a Luna do desenho animado “Show da Luna”. Sim eu tenho criança em casa, e, portanto, assisto todos os desenhos, e um segredinho, eu gosto muito.

Mas antes de seguirmos

Quero sugerir uma música que traz uma mensagem super bacana sobre a autoaceitação: Try – Colbie Caillat .

Voltando ao nosso assunto, você já parou para pensar em quantas vezes você, MULHER, já se considerou inadequada fisicamente?

Quantas vezes você, MULHER, já entrou em lojas para comprar roupas e a numeração era um padrão PP?

Quantas vezes você, MULHER, odiou o seu corpo por considerá-lo fora dos “padrões” midiáticos?

Quantas vezes você, MULHER, se esforçou deixando de comer, fazer coisas que você gosta, porque precisa alcançar o “corpo ideal” para ser vista, admirada e desejada?

Quantas vezes você, MULHER, teve que esconder o seu corpo por julgamentos alheios?

Quantas vezes você, MULHER, teve que esconder seu corpo por causa de machos escrotos que acham que toda mulher, vestida ou não, é um objeto sexual?

Quantas vezes você, MULHER, se reprimiu para ser aceita?

Neste momento, imagino que você deve está pensando sobre essas e tantas outras questões que não mencionei aqui, mas que já te incomodaram, ou ainda incomodam, nessa relação de corpo real versus corpo ideal.

Um pouquinho do que eu vivi

Eu por diversas vezes já estive nesse dilema de amor e ódio, por mim mesma e pelo meu corpo. Lembro de quanto já deixei de sair porque me achava gorda, e feia por está gorda. Das dietas loucas que fiz. Dos medicamentos formulados que tomei, que comprometiam minha saúde, a ponto de em muitos momentos ter parado na emergência do hospital por desidratação ou crises de hipoglicemia.

Tudo porque me fizeram acreditar que meu corpo não era adequado aos padrões. Isso era muito louco e gerava um grande sofrimento.

Outra coisa que sempre foi muito complicado era a questão da minhas pernas. Eu tenho as pernas grossas, até pela minha estrutura corporal, e sempre ouvi coisas do tipo não coloca as pernas de fora, não usa roupa curta, porque você vai chamar muito a atenção. O que vão falar de você?

Sinceramente, sempre vão falar, eu colocando ou não. Por que, então eu não deveria colocar as minhas lindas pernas de fora? Se é uma das minhas partes do corpo preferida? Por que eu tenho que suprimir os meus desejos e vontades para ser aceita? Fingir que sou uma pessoa, sendo outra?

Há um tempo, eu decidi que não quero mais esse dilema antagônico de amor e ódio para minha vida, e tenho buscado me desconstruir desses preconceitos, vergonhas, medos e tabus. Uma descoberta nova a cada dia.

Precisei fazer as pazes comigo mesma e trabalhar o meu autoconhecimento. Não tem sido uma tarefa nada fácil, mas, é libertador poder ser eu mesma, na minha própria pele, no meu próprio corpo, na minha própria vida.

E para finalizar

Trago a reflexão que a filósofa e psicanalista Viviane Mosé, apresentou na série do Café Filosófico – O que pode o corpo? Ela diz que, valorizamos hoje o ideal, a forma perfeita. E que o corpo real, na verdade, nada tem a ver com o ideal. O corpo é o inesperado:

“Meu corpo é a porção de vida que trago em mim. Não há separação entre mim e o mundo, valorizar meu corpo é valorizar o atual, o agora”

Ou seja, valorizar tudo que você é, e como você é, não se diminuir para caber nesses padrões insanos, controladores e muitas vezes inalcançáveis que a sociedade insiste em colocar no nosso corpo e em nossa vida.

E agora eu quero saber, você tem valorizado tudo que você é? Me conta como é a sua relação com o seu corpo?

Imagem: Freepik

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