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Relacionamento mãe e filha é sempre uma questão. Seja por conta de mães que são narcisistas ou por personalidades muito diferentes, pode acontecer de essa relação não ser tão incrível quanto vemos na televisão ou no cinema.

No clube Superela, recebemos muitas perguntas de mulheres que não conseguem ter um bom relacionamento com as suas mães e tentamos descobrir porque isso acontece e como lidar com essa situação.

Relacionamento mãe e filha: o lembrete do que não foi

Segundo a psicóloga Silvia Malamud, especializada em relacionamentos, o que normalmente acontece na ligação mãe e filha é que as mulheres que tiveram bebê começam a perceber que o tempo está passando e que elas não estão ficando mais novas.

É o tal conto da Branca de Neve: na história, a madrasta não aceita saber que existe alguém que é considerada mais bonita do que ela. O mesmo aparece na maternidade, e pode acontecer de a mãe não aceitar que a filha agora é o centro das atenções, que é considerada mais bonita do que ela. No fundo, a relação acaba sendo atrapalhada por uma briga de egos.

A mãe também pode sentir resistência em entregar a sucessão hierárquica da família para a filha (quem nunca ouviu ou viveu a história de uma avó que se recusava a delegar os afazeres da casa para as filhas?) ou porque ela percebeu que está envelhecendo e não terá mais chance de fazer coisas que sonhava fazer antes – nesse caso, a filha vira uma válvula de escape para os desejos que a mãe não realizou.

É aí que entra o relacionamento mãe e filha abusivo. Em um primeiro momento, pode não parecer assim, mas a sensação de competição constante, as críticas e discussões, além do comportamento controlador, são o suficiente para gerar tanto atrito que a situação fica insuportável.

“No momento em que a filha despertar, conseguindo ver a trama de abuso emocional em que está envolvida, podem surgir três movimentos, dependendo da amplitude do mal causado: 1) afastamento por um tempo, para que efetivamente se possa organizar a própria identidade longe dos ataques invasivos, massivos e depreciativos, e depois uma volta, onde a vítima se percebe blindada. 2) um afastamento intermitente por conta de questões de práticas familiares e por entender a mãe como um ser psiquicamente adoecido, o que num primeiro momento não garante segurança total na autopreservação emocional da vítima.3) Atitude do não contato. Em situações mais graves de abuso, e elas existem, o afastamento total é a saída para a sobrevivência”, explica Silvia.

Resumindo: relacionamento mãe e filha nem sempre é como nos filmes.

E você não é a única com questões no ambiente familiar. O afastamento – seja em relação à mãe ou o pai –, às vezes é a única maneira de você se manter saudável. Aliás, esse é um ponto importante: em casos de situação muito abusiva e em que a ligação não é mais sustentável, afastar-se é a melhor maneira de quebrar um padrão de abuso.

Existem situações que são abusivas de fato e outras que são desentendimentos entre as pessoas no ambiente familiar. Adolescentes costumam acreditar que os pais estão sempre contra as suas vontades e, por isso, acham que não se dão bem e precisam se afastar. Porém, muitas vezes os pais têm uma visão maior do que está acontecendo e sabem que precisam manter um centro controle para que os filhos não se machuquem.

Há várias maneiras de lidar com o afastamento, caso ele seja necessário. Por vezes, uma conversa sincera, em que todos entendam o que está acontecendo, é até positivo para que a situação não cause mais atritos. De outras, quando se percebe que o diálogo não vai trazer bons resultados, o melhor a fazer é cortar a relação de uma vez e por completo.

Mas como lidar com a ‘perda’ da mãe?

Uma das dificuldades quando o relacionamento mãe e filha não é bom, é a sensação de perda da figura materna, de não ter um exemplo a seguir. De acordo com Silvia, esse é um processo que pode demorar e exige maturidade.

“Aprender a lidar com a falta da figura materna é um processo que gera maturidade e que passa por um luto que as filhas de mães narcisistas perversas devem passar e para não ficarem a vida toda buscando esse preenchimento afetivo em outros tipos de relacionamentos”, diz ela.

A psicóloga explica que se essa sensação não for resolvida, a sua vida afetiva pode sofrer as consequências, afinal, você vai buscar em todos os seus relacionamentos um substituto para a mãe que nunca teve. O ideal, segundo ela, é fazer um tratamento adequado, com acompanhamento profissional.

Se você pensa em, talvez, chamar a sua mãe para conversar… Saiba que não é sempre que isso funciona. Dizer o que sente é um ótimo começo para resolver qualquer conflito, principalmente os de relacionamentos tão próximos, mas existe a questão de saber o quanto a outra pessoa está interessada em melhorar essa relação tanto quanto você.

Caso você e sua mãe se desentendam apenas em um nível mais leve, do tipo ‘ela não me entende’ ou ‘ela nunca me deixa fazer o que eu quero’, o diálogo pode ser uma ferramenta. Você querer abrir o que está sentindo pode ajudar vocês duas a ficarem na mesma página, mas saiba que você vai precisar também abrir a mente para entender o lado dela e se interessar de verdade pelo o que ela tem a dizer.

Em casos de abuso, o diálogo funciona apenas como um impulso para o abusador dar mais um bote na vítima – e acaba tendo o efeito contrário do esperado. Qualquer que seja a situação, porém, o mais aconselhado é começar a conversa aberta e sem expectativas, lembrando sempre de cuidar de si mesma para que a situação não saia do controle.

No mais: não hesite em pedir ajuda se achar que a situação está muito fora do comum e tente não se cobrar tanto. Por mais que todo mundo sonhe com um relacionamento mãe e filha como o de Lorelai e Rory Gilmore, a realidade nem sempre é assim e precisamos encontrar um lugar de amor próprio e segurança para não colocar nos outros a responsabilidade pela nossa alegria.

Foto de capa: Reprodução / Gilmore Girls


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