Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Desde que escrevi aqui sobre a minha óbvia (e tardia) epifania sobre não ser especial, tenho pensado muito sobre a pressão social que sofremos para fazer TUDO. SEMPRE. MELHOR. MAIS. AGORA.

É impossível absorver todas as informações que são publicadas diariamente, não temos tempo hábil para acompanhar as TANTAS séries ÓTIMA do momento que pipocam, agora, em plataformas diferentes. Ninguém vai conseguir ler com a voracidade que gostaria todos os livros do Kindle ou ouvir todos os podcasts que já marcou como preferido no smartphone. Também não dá pra fazer todos os cursos de aperfeiçoamento profissional, ainda que a (IMENSA) oferta dos cursos seja tentadora.

E, claro, ninguém consegue seguir todas as novidades do universo da espiritualidade/bem-estar, ainda que todo mundo deseje ter uma vida mais saudável, leve e feliz (conseguir ir uma vez por semana na terapia já é um trunfo e tanto). E, MEU DEUS, quem consegue absorver tanta coisa?

Você anda buscando LIKES na vida real?

Racionalmente, a gente sabe tudo isso. Somos humanos, oras! Entendemos as nossas limitações (de tempo, de capacidade mental, de barreiras físicas), mas por que então nos cobramos tanto para LACRAR o tempo inteiro? Será que a gente também não anda buscando LIKES na vida? 

Tenho percebido algo interessante no meu convívio. Parece cada vez mais difícil ter uma conversa singela com alguém. Sabe daquelas que a gente tinha na casa da vó, sentada no banquinho com uma caneca de café recém-passado na mão? Os diálogos parecem vir precedidos de “que rufem os tambores” e pá! Declaração bombástica. E, no final, aplausos imaginários encerram uma conversa que – na verdade – nunca existiu. Porque não é uma conversa se não há troca.

E eu me incluo nisso. Também observo o quanto eu falo e o quanto eu presto atenção real ao que o outro está me contando (sem ficar continuamente pensando no que responder). É difícil me sentir confortável no silêncio. É difícil deixar o outro dar a última palavra. É difícil não participar de todas as conversas. Mas juro que estou tentando.

No meio de todas essas reflexões cheguei até a Brené Brown. E, MANAS, como eu tô apaixonada pelo trabalho dela. O documentário “O Poder da Coragem“, disponível no Netflix, é uma lição para viver bem.

Trata-se de um talk no qual ela fala na maior parte do tempo sobre o poder da vulnerabilidade. Fiquei muito impactada com um depoimento sobre seu trabalho com pessoas que enfrentaram situações de luto, de perda, de muita dor. O que a surpreendeu foi que o quê, de fato, as pessoas sentiam mais falta era dos momentos mais bobos ao lado dos que se foram. Elas tinham saudade das coisas mais simples que nunca tinham valorizado.

Brené conta a história de uma mulher que brigava o tempo todo com a mãe porque ela não sabia usar o celular e vivia mandando mensagens cheias de emoticons sem nenhum sentido. E, depois que a mãe morreu, tudo que ela mais queria era receber um Whatsapp bem cafona, cheio de carinhas aleatórias. Ou a história dos pais que sempre repreendiam o filho de 4 anos porque ele ADORAVA bater portas e, quando ele morreu de câncer, eles se pegavam batendo a porta do quarto do garoto por uns 10 minutos, só pra sentir a presença do pequeno na casa.

Não é o LACRE que vai fazer alguém te amar

Não é um prêmio Nobel ou o um cargo importante que vai fazer alguém gostar de você. Quando a gente não estiver mais aqui, as pessoas vão lembrar do jeito que a gente sorria quando via uma criança brincando na rua, daquela piada sem graça que contamos repetidas vezes, de como os nossos olhos brilhavam diante de uma paisagem linda, do nosso jeito estranho de dançar…

Olha aí o clichezão que não pode faltar nos meus textos. E quer coisa mais maravilhosamente clichê que falar de brilho nos olhos? 

O que você faz HOJE que te deixa feliz?

Essa é uma das perguntas que fazem parte do repertório do IKIGAI, uma filosofia japonesa que propõe encontrar o propósito e o sentido da vida (prometo que volto no próximo post para contar mais sobre essa doutrina oriental, que é muito incrível).

Mas vamos voltar à pergunta que vale 1 milhão. O que te faz feliz hoje? Passear com o seu cachorro de manhã antes de ir ao trabalho? Tomar café com os seus filhos tranquilamente para começar bem o dia? Fazer yoga ou uma aula de dança? Abraçar seus amigos e passar horas conversando com eles? Encostar a cabeça no ombro do seu parceirx enquanto assiste um filme? 

Ou será que você pensou naquela baladona, no carrão, nas roupas caras e no seu extrato bancário?

Eu, por exemplo, fico muito feliz com os meus bichinhos!!!

Seja bem honesta nessa resposta, porque isso é o que define quem você é!

A gente não precisa LACRAR o tempo inteiro. A vida real não permite filtros e textões editados para ganhar likes. A gente vai ouvir NÃO de vez em quando. Algumas pessoas não vão ir com a nossa cara (por mais que a gente se esforce). O nosso trabalho nem sempre vai ser elogiado. A nossa benfeitoria pode não ser reconhecida como gostaríamos.

E, tudo bem, porque a nossa felicidade não pode depender do selo de LACRAÇÃO alheio. 

O que te faz feliz hoje? Vá fazer isso agora!

Por O Ano do Novo

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