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O que você procura?

O passado é uma roupa que não nos serve mais, já dizia Belchior, o problema é que a gente ainda insiste em guardar as tralhas velhas que só impedem o nosso desenvolvimento. Esses dias estive frente a frente com uma gaveta emperrada no guarda-roupa. Eu sabia que ela estava lá, mas não me lembrava mais o que havia dentro.

Com a correria do dia a dia e a rotina de trabalho, o  tempo foi passando e me esqueci completamente dela. Até que um dia não teve mais jeito. Precisei abri-la e dei de cara com uma peça de roupa. Uma única peça. Lembrei-me da última vez que a usei dos momentos que passei com ela que me trazia lembranças felizes e tristes ao mesmo tempo. Eu sempre pensava nela, como era linda e como – em algum dia – em alguma oportunidade eu a usaria de novo…

Assim os dias foram passando até me deparar com ela esquecida em uma gaveta. Ao abrir uma ingrata surpresa: ela estava completamente tomada pelo mofo devido ao tempo guardada, como a nossa alma em tempos de escuridão. A primeira reação foi o desespero, caramba ela era novinha, usei no máximo duas vezes, em seguida a tentativa de recuperação já fadada ao fracasso, pois no fundo eu já sabia que não tinha mais jeito.

E por último: a constatação de que não havia mais nada que pudesse ser feito.

Ela nunca mais seria como antes e muito menos eu poderia voltar a usá-la. Revolta. Aceitação e por fim a aceitação e a constatação de que aquela roupa nova – agora velha e a caminho do lixo – era como o meu passado. Aquele que deixei guardado por muito tempo na gaveta, um passado que poderia ser lindo, mas que deixei ser tomado pelo bolor e pela tristeza.

Às vezes a gente precisa  enxergar esse passado com a ótica de um novo olhar. Com os olhos da aceitação e  da resiliência para finalmente entender o que Belchior quis dizer com aquela frase e que ele estava irremediavelmente  certo. E que não adianta sofrer pelo que já foi, porque realmente não há conserto.

Aquela peça já não serve mais, não combina mais com o seu estilo e nem com o seu momento atual. Somos seres transitórios, mudamos o tempo todo e não duramos para sempre. Assim como as peças de roupa também não. Tudo no universo é energia, nós também e as roupas também carregam a nossa energia – seja ela boa ou ruim.

Talvez aquela peça tenha sentido as dores das lembranças que ela carrega, assim como eu e aqui vale também o método Kon-Mari de arrumação: “Essa peça me faz feliz?”. Se te traz alegria, você guarda. se não, vai embora. Ou até mesmo da personagem Lara Jean em Para Todos Os Garotos Que Já Amei: “Minha vida estava uma confusão, mas eu podia limpar meu quarto”.

Então, arrume a bagunça!

A triste constatação é que é muito difícil desapegar daquilo que fez parte de você por tanto tempo, mas é necessário se você quiser abrir espaço para seguir pelo caminho sem o peso de tanta bagagem emocional nas costas. É hora de abrir todas as gavetas pra deixar a luz entrar e dar a oportunidade para que o universo te apresente a novas possibilidades e histórias para assim criar novas e mais leves memórias, mas para isso, é preciso dar o primeiro passo, olhar para as suas gavetas e ter a coragem de abri-las. O que tem dentro da sua gaveta?

Imagem: Reprodução / Para Todos Os Garotos Que Já Amei

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