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‘Onde não puderes amar não te demores’

Provavelmente você já ouviu ou leu essa frase em algum lugar, talvez a mesma o tenha feito pensar por alguns segundos nas vezes em que permaneceu tempo demais em lugares frios, resistentes e impermeáveis ao teu bom e resiliente amor.

Há dez anos estava eu envolvida com um rapaz, (atualmente é meu marido, mas isso vem de uma longa história). Na época era um relacionamento destrutivo, me tirava a autoestima, e até mesmo a identidade.

Vou reforçar aqui que meu relacionamento foi modificado, refeito de modo que, a mudança comportamental do meu parceiro tornou possível fazer com que nossa relação não viesse a um final definitivo.

Não recomendo as garotas ou garotos que venham a ler este texto a prospectar expectativas sobre relacionamentos abusivos ou singulares a ponto de excluir você de qualquer seja seu modo de vida ou pensamento.

Bom, voltando.

Era uma sexta feira e ele me convidou para uma ida a um bar na sua cidade, que ficava bem longe da minha, seria a apresentação de uma banda composta por alguns de seus amigos.

Eu tinha 24 anos com cara de 16.

Trabalhava muito, pois era mãe solo. Cumpria dois turnos em uma grande rede de restaurantes, não tinha roupas legais e descoladas, mas me arrumei, “sem luxo, mas me perfumei.”

A balada era bem familiar, algumas mesas grandes com pessoas de riso frouxo. Foi em uma delas que me sentei juntamente com o meu então namorado.

Fui ignorada por todos na mesa, exceto por um rapaz.

Todos falavam com o meu namorado como se eu não estivesse ali. Ele que estava recém-separado de um antigo relacionamento e era constantemente questionado sobre ela, a sua ex. Que digo de passagem ser uma mulher super bacana que nunca encanou em nada nas nossas vidas. O problema era a intangibilidade que as pessoas usavam para comigo. Foram verdadeiros cretinos, e isso não excluí meu atual marido, na época meu cretino namorado. Senti-me muito mal naquele momento, o desprezo para com um ser humano é algo de extrema crueldade.

Vez ou outra o rapaz que citei anteriormente tentava me incluir nas conversas, logo alguém dava um jeitinho para que não me sobrasse chances, para que não me restasse nada.

Eu ainda não sabia naquela época do significado da palavra empatia, naquela mesa ninguém sabia, exceto ele, o Nilmar.

Este garoto me ensinou a ser melhor.

Ele pode nem se lembrar desse dia, dessa história, não temos contato, o que ficou foi uma amizade que se resume em algumas curtidas aleatórias no face, mas quero muito que tenha permanecido a pessoa de valor que se mostrou naquele dia.

Só para não deixar vocês na curiosidade… Eu me levantei e fui embora da mesa, recolhendo os farelos de dignidade que ainda me restavam.

Então hoje, vendo postagens filosóficas facebookianas me deparei com essa frase.

‘Onde não puderes amar não te demores’.

E falei para mim que ela devia ser um lema existencial.

Nessa noite, queria falar para aquele rapaz da mesa, o Nilmar, que foi o amor que saía dele que fez com que eu suportasse aquela tortura inconsciente que aqueles jovens fizeram comigo, queria falar que a menina que usava um tênis branco um número maior que o seu, e uma blusa rosa choque nada bonita ou convencional se apoderou de tudo que é seu, dos seus sonhos, do seu potencial e força. Meteu o pé e se formou em jornalismo, se pós-graduou, escreveu um livro e hoje escreve para um puta site feminino, o Superela e se lembra com carinho de toda sua gentileza.

A frase-título deste texto é da atriz italiana Eleonora Duse — atribuída a pintora mexicana Frida Kahlo e ao poeta e escritor brasileiro Augusto Branco, enganadamente.

Imagem: Pinterest

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