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Para todos os efeitos, o filme 500 dias com ela (500 days of Summer, se você prefere) não é uma comédia romântica convencional. Não trata da típica garota deslocada que, embora tenha uma mente fascinante e um coração sensível, se apaixona pelo cara mais popular do colégio, estereotipado como um adolescente bruto, que só quer saber de curtição, esteroides e futebol americano.

Também não se trata da garota vítima de um universo de mentiras ditas pelo bonitão, que no fim do filme simplesmente faz um belo discurso e pronto! Está tudo magicamente perdoado. Talvez seja por fugir de todos esses padrões difundidos massivamente pelos filmes, que a personagem Summer (interpretada por Zooey Deschanel) recebe tantas críticas. Não sei quantas vezes vi esse filme, nem com quantas companhias diferentes. Mas quando ele chega ao fim, a reação é quase unânime: que vadia! Não, a Summer não é uma vadia. E, por favor, pare com esse discurso.

500 dias com ela traz uma abordagem mais real a respeito do amor do que a maioria dos filmes do gênero comédia romântica. Mas muitas pessoas não querem esse choque de realidade. Querem é idealizar. É o caso de Tom (Joseph Gordon-Levitt), o protagonista da história.

Ele possui a visão romântica (atribuída na história pelo excesso de exposição à música triste dos anos 80 e filmes melodramáticos) de que o amor é aquela coisa mágica que vence tudo e impõe um reinado de felicidade. Acredita que em algum momento uma pessoa especial aparecerá e então sua vida finalmente fará sentido. Tom, amor não é assim!

Summer aparece para mostrar isso. Desde o início, ela deixa claro que não quer nada sério. O problema (no ponto de vista de Tom) é que Summer é um ser extremamente livre. Ela faz o que sente vontade e ultrapassa algumas linhas imaginárias, o que leva muita gente (e aqui não falo de personagens, mas sim dos espectadores) a dizer que ela o iludiu.

Ela olha nos olhos quando tem vontade de olhar, segura a mão de Tom quando quer, revela segredos e divide piadas ruins. Para Tom (e muitas outras pessoas), isso é praticamente assinar um contrato.  Há um simbolismo muito grande em gestos como estes. Acredita-se que eles significam que a pessoa quer algo sério naquele momento. Mas adivinha? Às vezes, quando uma pessoa segura a sua mão, ela apenas quer segurar a sua mão.

E há problemas nisso? Acredito que não, especialmente quando a pessoa deixa claro que não quer se envolver de maneira mais séria nesse momento (como Summer fez!). Não precisa haver esses extremismos de não olhar nos olhos, não trocar carinhos ou não segurar as mãos quando se trata de algo, digamos, casual. Se tem vontade, por que não fazer? Seguimos cegamente manuais imaginários sobre o amor. Mas será que deveríamos?

O que acontece entre Summer e Tom deixou de ser real diante do desfecho que teve? Ela é uma puta por tê-lo deixado? Claro que não, nos dois casos.

Summer não é a vilã e Tom não é o herói. Da mesma forma, Summer também não é a heroína e Tom o vilão. São apenas duas pessoas, com seus dramas, traumas, dilemas, erros e confusões internas, cada qual à sua maneira. É bastante provável que ao menos uma vez na vida cada um de nós será um Tom na vida de alguém. Da mesma forma, é bastante provável que ao menos uma vez na vida cada um de nós será uma Summer na vida de outro alguém.

Summer não é puta e Tom é uma espécie de Ted Mosby nas primeiras temporadas de How I met your mother: alguém que precisava entender que não se pode jogar numa pessoa a responsabilidade pela sua felicidade. É peso demais, pressão demais. Amor deve ser mais leve que isso.

 

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