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O que você procura?

Você também se sente ocupada demais? Sem tempo para fazer outras coisas ou para respirar direito, e vive respondendo que está ‘na correria’ quando alguém pergunta ‘como vai você’? É, talvez a noção do ‘ocupada demais’ seja o novo mal do século, o tipo de coisa que, assim como tantas outras, a gente precisa parar de romantizar.

Eu explico: dizer que você está ocupada demais tem um quê de glamour. Uma sensação de mostrar para os outros que você não está parada sem fazer nada e que a sua agenda lotada tem pouco espaço para demandas de fora. Marcar um café com aquela antiga amiga que você encontrou na rua? Sem chances, você está na correria.

O que a gente falha em perceber é que essa mesma correria é o que faz a gente sentir tanto estresse no dia a dia. Pior ainda é perceber que esse estresse é causado pela gente mesma, por um senso de urgência que a gente coloca na nossa cabeça dizendo que a gente PRECISA sair de casa nos próximos cinco segundos, senão estaremos atrasadas e isso é muito horrível.

A coisa toda é tão bizarra que, segundo um estudo publicado pelo jornal Science em 2014, as pessoas preferem dar a si mesmas um choque leve do que ficarem sem fazer absolutamente nada por 15 minutos. É isso mesmo: elas preferem infligir em si mesmas um choque do que não ter nenhum estímulo por um período curto. Antes me machucar do que ficar no ócio.

Quando você está correndo, no dia a dia, parece que você não está machucando a si mesma. Mas é isso o que o estresse faz. É uma ferida que você não consegue ver. A correria gera ansiedade, falta de produtividade, insônia e até distúrbios alimentares. Você come mal, menos do que precisaria de verdade e com pressa.

O Brasil é o segundo país do mundo mais estressado, segundo dados do Isma-Brasil, atrás apenas dos japoneses. Em termos mais palpáveis, nove em cada dez brasileiros têm sintomas de ansiedade, do grau mais leve ao mais incapacitante. Desses, quase metade (47%) tem algum nível de depressão. Ou seja, o momento é de cuidar – muito – da saúde mental de todos.

E o que isso tudo tem a ver com estar ocupada demais?

Tudo! Estamos o tempo todo correndo contra o tempo, lembrando das coisas que não fizemos, das ligações que não atendemos, do aniversário que não pudermos ir por causa do trabalho e das milhares de tarefas do dia a dia. Mas, muitas vezes, somos nós mesmas que criamos esse senso de urgência, essa necessidade de fazer tudo para ontem e de encher a agenda de coisas por medo de ficar sem fazer nada.

Estar ocupada demais parece mais atrativo do que passar um dia dormindo, por exemplo.

Verdade, o trabalho nos dá um senso de utilidade, propósito. Mas isso não significa que ele precisa nos causar mal-estar também. A nossa utilidade está em sermos quem somos o tempo inteiro e não é preciso correr para isso. Glamurizar o ‘muito ocupada’ é apenas uma forma de fechar o olho para a crise que está tomando o mundo, em que as pessoas estão cansadas, muito estressadas e sem saber como aliviar a carga e cobrança que colocaram em si mesmas.

A questão é: muitas vezes não estamos tão ocupados assim, mas geramos na nossa cabeça uma necessidade de fazer várias coisas ao mesmo e não prestar atenção ao redor, não olhar com calma para o que está acontecendo e tomar decisões que levem em consideração o que é melhor para nós e para todos. Vamos combinar, quando você está na correria, quer mais é que as outras pessoas estejam também. Ou você nunca soltou um ‘e aí, gente, vamos logo?’ quando todos já terminaram de comer em um restaurante?

Mas como reverter esse quadro?

Existem várias maneiras de fazer isso. Uma delas, claro, é buscar ajuda profissional caso os níveis de ansiedade estejam atrapalhando o seu dia a dia e tendo um efeito na forma como você trabalha e se relaciona com os outros. Por mais que fazer adaptações na rotina seja importante, é imprescindível você buscar um tratamento psicológico para mudar a forma como você lida com as coisas e aprender a controlar os comportamentos ansiosos.

O segundo ponto é, de fato, dar um passo para trás e ser muito objetiva na análise da sua rotina. Você está ocupada demais mesmo? É verdade que você não tem tempo para nada? Nessa correria toda, você está sendo produtiva de verdade ou isso é apenas uma forma de ocupar o seu tempo, sem focar nos resultados?

Talvez, o primeiro passo, seja abolir o ‘estou na correria’ do seu vocabulário e começar a perceber que essa rotina frenética nada mais é do que uma necessidade de se manter em movimento. A partir daí, vale a pena buscar maneiras de relaxar e aprender a aproveitar o tempo sozinha. Meditação, por exemplo, é uma ótima recomendação para você diminuir o estresse e a ansiedade e conhecer a si mesma mais profundamente.

Deu para entender como estar ocupada demais não é uma coisa boa? Essa vozinha mental que diz que você deve correr o tempo inteiro e fazer mil coisas de uma vez não é sua amiga. Na verdade, ela é uma distração, que coloca você num estado de alerta constante, e que não te deixa presente: você fica tão focada em ‘tudo’ o que tem para fazer, que esquece de aproveitar cada momento.

Respire fundo, dê um passo para trás e reveja a sua rotina. Pode ser que você não esteja ocupada demais, mas com receio de ficar um momento ou dois sem nada para fazer.

Foto de capa: Pexels

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