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O que você procura?

Essa semana eu estava tranquilamente nos meus afazeres quando recebi de meu marido um artigo muito interessante que comprovava cientificamente o seguinte fato: pessoas que pensam mais, morrem mais cedo.

Oras, então eu me pergunto: será que todos nós aqui morreremos mais cedo? Quem lê, em geral, pensa. Então se você está aí no seu celular ou computador lendo isso, e eu aqui com meu bloquinho escrevendo, é porque pensamos.

E agora José?

Pensar é ótimo, temos de reconhecer! Somos, em tese, os únicos animais da fauna que capazes de formar raciocínios lógicos. Foi através do pensar que o homem conquistou tantos avanços tecnológicos e medicinais.

O telefone, o antibiótico, o banheiro… não são coisas incríveis? Sem as quais quase não conseguimos viver? Invenções que só foram possíveis porque alguém foi capaz de pensar sobre elas. Formular ideias, colocá-las em prática. Então sim, pensar, quando se está construindo algo e focando em coisas úteis, voltadas para um bem maior, é uma dádiva.  

Mas… às vezes, pensar não nos leva à lugar algum, você já pensou nisso? Às vezes damos voltas e voltas e criamos esquemas lógicos na cabeça para chegarmos a conclusões sem as quais viveríamos muito melhor. Entramos em paranóias desnecessárias, procuramos “sarna para nos coçar”, como diz o ditado. E é deste pensamento que estou falando.

É preciso filtrar o que é bom e útil, do que é ruim e destrutivo.

Mas nosso filtro nem sempre funciona, e às vezes a gente acaba entrando em espirais de pensamentos negativos e obscuros que de nada nos serve. Preste atenção durante o dia e você vai perceber como eles surgem de repente.

Saber filtrar é uma dádiva! Ponderar: “Este pensamento me faz bem, este não faz…” Ter consciência de que não devemos ir por este ou aquele caminho na mente, entrar nessa ou naquela paranoia, e saber focar onde é mais saudável, produtivo e feliz para a gente.

É importante aprender a desligar o cérebro. Estudos descobriram que pessoas que viveram vidas longas (mais de 80 anos) possuíam uma maior proteína chamada REST, responsável por relaxar a atividade cerebral. Você sabe relaxar o seu? Eu sou péssima nisso.

Às vezes estou deitada na cama, naquele momento tão esperado do dia, pronta para dormir, já meio transitando entre o sono e o estado de vigília quando sou acometida por um pensamento novo.

Poxa meu amigo, isso são horas? De onde vens? Não percebe que estou aqui relaxando depois de um longo dia de batalhas, pronta para me entregar ao sono dos justos? Recarregar a bateria para amanhã estar nova em folha e, quem sabe, viver novas aventuras incríveis?

Mas não. O pensamento não me dá trégua. Levanto da cama (para não acordar o marido que me enviou o artigo), tento tomar um chá, observar a calmaria da noite pela janela, espairecer a mente, e, resultado: cá estou eu escrevendo isso. Os pensamentos vêm aos montes!

O “Penso, logo existo” de Descartes foi praticamente substituído por “Existo (e sinto), logo penso” no revolucionário livro do neurologista Antonio Damasio – super leitura, recomendo fortemente!

Considerado o pai da filosofia racionalista, Descartes era defensor ferrenho pensamento racional acima de tudo. Mas hoje vemos que há esta controvérsia sobre sua lógica… Porque exercitar o cérebro e não exercitar o nosso espírito (essência, alma, coração, como lhe convir melhor) de nada serve.

Precisamos acima de tudo sentir que estamos vivos. Sei que você sabe que está vivo, mas você se sente vivo?

Se não ouvimos e damos vazão aos nossos sentimentos, adoecemos.

Sempre tive em mente que queria que meus filhos crescessem para se tornarem adultos pensantes. Então desde pequenos estimulei a leitura e o questionamento aqui em casa. Mas agora penso que talvez seja bom também eu começar a ensiná-los a sentir. A prestar atenção no que vem de dentro deles. Pensar, é com o cérebro. Sentir, com o coração.

Acredito que, se aprenderem a sentir, podem se tornar adultos mais humanos, com mais empatia e sensibilidade. E talvez seja disso que o mundo realmente precisa.

Saber sentir e reconhecer os sentimentos também é uma arte. Quantos adultos você conhece que não sabem o que querem, ou não tem a menor noção do que estão sentindo? Sentir é uma habilidade a ser aprendida. É a tal da inteligência emocional.

Pensar é sinônimo de viver com mais clareza. É maravilhoso, sim. Mas talvez seja bom também focarmos em uma vida com mais calma… mais beleza e mais alma. O que acha?

Pense nisso. Ou não.

Imagem: Pexels

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