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O que você procura?

Você já perdeu a vontade de viver? Já sentiu que nada tinha jeito e que talvez fosse melhor acabar com o sofrimento de uma vez por todas? Eu já, mais de uma vez. Foi uma fase bem pesada da minha vida, em que eu tinha certeza que só a morte me salvaria do que eu estava sentindo.

Porém, com um pouco de esforço da minha parte, eu percebi que não era exatamente assim. Que tinham motivos incríveis pelos quais valiam a pena levantar da cama de manhã e a minha vontade de viver foi voltando, pouco a pouco. Parece que só quando chega no fundo do poço que a gente se abre para ver as coisas de uma forma diferente e faz um pedido sincero para buscar um resquício de propósito no que a gente vive.

Não existe uma receita de bolo para superar essa falta de vontade de viver, infelizmente. Seria fácil se tivesse um botão que a gente pudesse apertar e tudo voltaria ao ‘normal’. Não é bem assim que a coisa funciona e, para quem sente que nada mais faz sentido, a maior dificuldade de todas é encontrar alguma coisa que fuja a essa regra.

Eu sei que também que ler um texto que fale sobre o assunto pode ser só um primeiro passo nessa jornada, mas eu posso apenas esperar que tudo pelo qual eu passei (e superei) seja uma esperança para quem precisa reencontrar a vontade de viver. Se eu consegui, você consegue também.

5 dicas para recuperar a vontade de viver

perdeu a vontade de viver

1. Faça uma coisa por vez

Quando você está em um ponto em que tudo parece demais, o que eu aprendi é que dar um passo por vez é a melhor coisa que você pode fazer. Para mim, foi essencial encontrar uma forma de focar em cada tarefa. Primeiro, levantar da cama. Depois, escovar os dentes. Depois, tomar banho. Depois, comer alguma coisa. E assim por diante. Pensar em tudo o que eu tinha para fazer de uma vez só sufocava. Mas se eu colocava na cabeça que tudo o que eu precisava fazer mesmo era levantar da cama, ficava mais fácil. Foi um processo. Algumas vezes, isso não funcionava, mas só de tentar pensar de um jeito diferente foi o suficiente para acender uma faísca de força de vontade.

2. Converse com alguém

Quando a minha vontade de viver desapareceu e eu senti que estava indo para um caminho sem volta, eu tive um estalo: se não conversasse com alguém sobre o que eu estava sentindo, eu ia morrer. Então, fui atrás de alguém, qualquer pessoa, que estivesse disposta a me ouvir. Algumas dessas pessoas não aguentaram o que eu tinha a dizer. Outras, foram verdadeiros anjos, que ficaram comigo a cada passo do caminho e que ouviram tudo o que eu tinha para falar, me consolaram e me incentivaram a continuar em frente, em buscar um tratamento, em ir atrás de ajuda profissional. Essas pessoas, essas amigas, salvaram a minha vida de mais formas do que elas imaginam, e a gratidão que eu sinto por elas é eterna. Encontre alguém para te ouvir. Qualquer pessoa. Tente com todo mundo que você conhece. Eu tenho certeza que pelo menos uma dessas pessoas vai dar esse passo a mais para te ajudar e mostrar que você não está sozinha.

3. Encontre algo que você goste

Eu sei que falar ‘procure um hobby’ parece a coisa mais clichê do mundo, mas, para mim, ajudou demais encontrar alguma coisa que eu gostava de fazer. No caso, foi escrever. Eu comecei um blog novo e usei essa ferramenta como uma válvula de escape, uma forma de extravasar o que estava sentindo. Foi a melhor coisa que eu fiz e esse blog é, até hoje, uma das coisas pelas quais eu sou mais grata na vida. Me abiu portas e mostrou que eu não sou a única que se sentia dessa maneira. Eu encontrei um motivo para continuar escrevendo: se alguém mais se beneficiasse das minhas palavras, se encontrasse consolo ali, então algo valia a pena. Busque alguma coisa que você goste de fazer, seja desenhar, tocar um instrumento, escrever, pintar… Qualquer coisa. E se prenda a isso. Segure-se na sensação que você tem toda vez que faz essa atividade. Esse é o caminho para você reencontrar a vontade de viver.

4. Aceite o tratamento

Um dos meus maiores receios quando comecei a fazer terapia era que a minha médica me encaminhasse para um psiquiatra e que ele me prescrevesse remédios – antidepressivos. Para mim, isso era a mesma coisa que assinar o atestado de loucura e eu não aguentava imaginar o que as pessoas pensariam de mim quando soubessem. Por isso mesmo eu adiei muito a minha visita ao psiquiatra e só cinco meses depois de começar a terapia eu topei ir até um para ter um diagnóstico e um tratamento adequados. No fim, foi a melhor coisa que eu fiz também. Apesar de achar que todo mundo pensaria que eu era louca, topar tomar o medicamento por um tempo e fazer um acompanhamento psiquiátrico foi essencial para que eu melhorasse de vez. Sim, algumas pessoas me chamaram de louca, mas tantas outras ficaram felizes por eu estar buscando ajuda de verdade.

5.Estabeleça um deadline para melhorar

Eu não sei se isso é a melhor coisa a fazer ou não. Ou se funciona para todo mundo. Mas eu lembro bem que, quando decidi aceitar o tratamento, eu não seria refém dele por muito tempo. Eu ia melhorar. Me dei o tempo mínimo para tomar o medicamento: um ano. Eu tinha um ano para melhorar e ficar livre dessa sensação, do tratamento e de tudo mais que isso envolvia. Eu ia melhorar e eu ia sair dessa, nada mais importava. Dito e feito, um ano depois, eu parei o medicamento conforme a indicação do meu psiquiatra, recebi alta e estava, enfim, recuperada. Eu voltei a me sentir como eu mesma e voltei a ver a vida com mais alegria.

 

Sabe, tudo isso é um processo. Voltar a ter vontade de viver parece impossível para quem está no fundo do poço, e é, sim, uma questão de querer. Queira viver. Eu sei que tudo parece cinza e que o que você sente parece não ter saída, mas peça para ver a verdade das coisas, da vida, e peça por uma saída. Ela vai aparecer.

Se você precisa de ajuda, se acha que não vai conseguir seguir em frente, saiba que existem opções. Você pode entrar em contato com o CVV – o Centro de Valorização da Vida -, uma ONG que ajuda pessoas que têm pensamentos suicidas, basta discar 141 no seu telefone, ou acessar o site oficial.

No mais, tudo o que eu posso dizer é: não dê atenção à vozinha na sua cabeça. Viver vale a pena e é incrível.

Imagem: Reprodução


Você superou um momento complicado e reencontrou a sua vontade de viver? Que tal usar a sua experiência para ajudar quem precisa? É só responder a pergunta abaixo:

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