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Esses dias, estava conversando com um amigo, que debatia ”o jeito certo” de fazer as coisas. E embora eu não goste do termo ”politicamente correto”, nunca tinha parado pra pensar que o que mais me incomoda nele, é o fato do politicamente correto funcionar como uma espécie de cavalheirismo social.

Por exemplo, puxar a cadeira para uma mulher sentar porque é uma coisa que você faz com todo mundo, é gentileza. Puxar a cadeira para uma mulher sentar porque é o ”jeito certo” de fazer as coisas, é cavalheirismo. Ceder espontaneamente espaço no ônibus para a senhorinha em pé sentar; segurar a porta do elevador para a pessoa com pressa; ajudar alguém a atravessar a rua; tudo isso se chama bom senso. O que parte naturalmente de você, se chama bom senso.

Fazer o bem sem olhar a quem, envolve bom senso, que por vir de forma solícita, acaba se chamando altruísmo. E então, as coisas se confundem: o que deveria vir de forma leve e natural, acaba surgindo de acordo com a culpa que sentimos – por possivelmente não estarmos agindo ”do jeito certo” – e não queremos assumir.

É aí que percebemos a grande diferença entre ser politicamente correto e ser inclusivo: se para sermos politicamente corretos, dependemos ”do jeito certo” de fazer as coisas e de pequenas regras de convivência com relação a questões tão banais quanto tratar bem os outros, a inclusão passa a acontecer por culpa. E quando a inclusão acontece na base da culpa, não estamos sendo inclusivos, mas sim, vaidosos.

É interessante reparar o quanto culpa, vaidade e medo andam sempre juntos. Quantas vezes não sentimos culpa por não querermos fazer algo ou por termos pensado de um jeito diferente? Se questionarmos de onde vem essa culpa e esse medo, descobrimos duas perguntas simples: Culpa de quê? Medo de quê? E se você acabar desapontando ou deixando a desejar? E se te enxerguem em outra luz e não gostem mais de você por isso? A culpa e o medo sufocam por conta de consequências hipotéticas, e uma dessas consequências coloca a sua imagem em jogo. É o que os outros pensam de você e o que você pensa de si mesmo sendo colocado em cheque, e final do dia, é tudo vaidade. E vaidade e inclusão não se misturam, não tem como. Vaidade é sobre o EU, e a inclusão é sobre NÓS.

Não é tênue a linha que separa a generosidade do ”jeito certo de agir”, a consideração do ”jeito certo de pensar”. E como pequenos alpinistas da alma, vamos seguindo regras e conceitos, e criando regras e conceitos, não para caminharmos juntos, mas para sempre voarmos solo.

O que é terreno confunde mesmo, às vezes é difícil conseguir separar a vontade espontânea de praticar o bem porque faz bem, e praticar o bem por ser bem visto. E a ideia toda por trás da inclusão, é justamente esse desprendimento natural do ego: ser inclusivo não é sobre ser uma pessoa mais palatável. Apenas alguém menos egocêntrico.

Imagem: Pinterest

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