Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Acordei faminta. Meu estômago roncou tão alto que acordou os vizinhos. DESLIGA ESSA MÚSICA, TEM GENTE DORMINDO, eles gritaram. Deitado comigo tem um prato de carne, restos de ontem à noite. Não estou a fim de requentar comida, sabe? Acho que preciso de algo fresco. Abro a geladeira do meu celular à procura de alguém que possa ser consumido imediatamente. No entanto, só encontro coisas fora da validade.

Tenho que fazer uma limpa nesse lugar.

O mercado é um lugar meio subjetivo hoje em dia. Deixa eu ver: quero alto, magro, mas não muito magro, de cabelo curto, com barba, que goste de cachorros e livros de época com finais tristes. Agora é esperar, esse alimento tem que me querer também. Enquanto isso vou atrás de um lanche rápido. Danço ao som de uma música profunda, porém, rodeada de pessoas rasas. Também estou rasa, buscando comida em um lugar que me dá a alusão de estar bem alimentada. Saio insatisfeita.

Ando meio cansada de pagar tão caro por tão pouco. Quero fartura. É a era da gourmetização, põem um diploma na mão dele que ele já se acha estudado, um prato fino que não pode ser consumido por qualquer um. Vem falar comigo de política e eu respondo no mesmo tom. “Ai não dá moça, se bancar a inteligente a comida não desce”.

Cuspo na mesa, mas não engulo essa. Mudo de cardápio.

Prato bom é prato caseiro, daqueles que vem de tudo, sem frescura. Gosto de gente que não tem inquietação. Não importa se é no boteco do seu Carlos da Augusta ou se é no restaurante fino do shopping novo. Comida é comida. Agora, cada um tem a sua superstição do que pode ir por cima ou não, por mim pode misturar tudo. Como dizia a minha vó, vai tudo para o mesmo lugar.

Saio do mercado de pratos rápidos acompanhada de um prato de alta qualidade. Muito recomendado, por ele mesmo. Tem prato que se vende sozinho, né? Você olha e quer. Simples assim. Mas no fim nem foi tudo aquilo. Não tinha o gosto que dizia ter. Ódio de pagar caro por comida ruim. Fico pensando em todas as refeições que eu poderia ter tido se eu tivesse dispensada só essa. Gula.

Caminho até em casa olhando os letreiros dos restaurantes. Várias promessas disfarçadas de promoções. Fico tentada a entrar em um restaurante conhecido, um que tem cheiro de casa. Entro e o aroma da refeição me invade o âmago. Meu estômago grita e meu cérebro roda um filme que eu já decorei. Sem nem mesmo experimentar, lembro-me do gosto dele. Essa é a comida pela qual eu estava ansiando o dia todo. Quero agora, nem precisa esquentar.

Esse prato ferve em brasa 24 horas por dia dentro de mim.

Como uma condenada a morte, procuro pelo meu carcereiro, implorando pela última refeição. Ele me é servido. Saboreio tudo com uma lentidão descomunal. Ele é o meu doce e o meu salgado preferido. Posso comê-lo no café da manhã e guardar um pouco para o jantar. É de lamber os beiços. Preciso comê-lo entre as refeições também. Ainda tem mais um pouquinho na panela. Deixa eu lamber a colher?

Nunca me encho dele, mas a comida acaba. O amor acaba? Muda de forma. Os nossos restos ainda vão dar um bom risoto para outra pessoa. Não vou desperdiçá-lo. Ele me deu forma, transformou meu corpo e enriqueceu meu paladar. Como comida de vó, espero não passar o resto da minha vida achando que ninguém é tão bom quanto você. Esqueço as normas de etiqueta, lambo o prato.

Imagem: Unsplash

Área especial sobre Orgasmo Feminino

Sabia que a gente tem uma área especial sobre Orgasmo Feminino com muitas dicas, técnicas, fotos e vídeos?

Veja uma prévia do que espera por você

Você ainda poderá participar do nosso grupo fechado no Facebook e tirar dúvidas com uma Sex Coach, além de falar sobre o assunto com outras mulheres!
Vamos nessa? 😉

Acessar o especial Orgasmo Sozinha
@ load more