Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Há alguém dentro de nós que não nos conhece. O desconhecimento sobre nós mesmas nos gera um desinteresse pelo que somos, pela descoberta diária do que podemos ser e uma necessidade intermitente de preencher um vazio com a presença do outro. Quando estamos carentes e sozinhas, é como se dentro de nós existisse uma menina perdida.

sozinhas

A menina nunca quer brincar sozinha. É criança que quer companhia. Quando estamos extraviadas de nós, não paramos de querer correr em bando. Diversão? só se for cercada de amigos. Felicidade? Aquela realização pessoal que todas nós queremos?

Obrigatoriamente é número par.

Por que há essa menina e sua mochila pesada de necessidades dispensáveis que a carência se manifesta em nossa forma adulta, junto da depressão, da agorafobia e de muitas outras psicopatologias que se desenvolvem, quando não paramos um momento para desfrutar do conforto de sentar num sofá de um lugar só.

Enquanto estar consigo não for wonderful, marvelous, nunca os momentos de felicidade com o outro poderão ser experiência de liberdade. Aquilo que você vive a dois, em grupo, na vida social, passa a ser uma prisão. Aquilo que deveria ser celebração do momento, transforma-se em condição de felicidade. Ou seja, amarra-se ao outro, ao passo que também amarra-se o outro.

Perceba, felicidade compartilhada é uma coisa. Felicidade condicionada é ilusão.

Independente do gênero, essa ilusão é pertinente à maioria dos seres. No entanto, nós, mulheres, somos conduzidas a botar fé na crença de que os homens são detentores da nossa realização, como se fossem Messias trazendo o reino dos céus. De preferência que este salvador nos venha trazendo dinheiro no bolso e um anel de brilhantes dentro de uma caixinha azul.

Eis o sonho da completude, uma imposição do sistema social que nos mantêm eternamente dependentes.

Até que chega um dia em que você observa que não é este ser miúdo, indefeso, que não sabe brincar só, que tem medo de ir à cozinha sozinha quando está escuro, que precisa correr pro quarto dos pais no meio da noite.

Solidão nas sociedades ocidentais está ligada ao isolamento, ao abandono.

Nas milenares culturas orientais encontramos um tipo de solidão que é dádiva, instrumento de construção de seres conscientes, parte integrante, indispensável do processo valoroso de auto-conhecimento. A meditação. O silêncio. A observação. O desfrute do presente.

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Mas nós, que não somos monges e estamos longe da iluminação, também estamos habilitadas às conquistas que a solidão bem vivida pode trazer.

Amigos, festas, relacionamentos, sexo, tudo isso é celebração e só celebra com a alma quem acolhe com exaltação o exato momento que se vive. A felicidade precisa existir em tudo, em cada detalhe, cada gesto nosso com os outros e conosco também.

A boa notícia é que carência não é um estado sine qua non.

Talvez a sua menina esteja perdida, no meio do salão, esperando que alguém lhe mostre o caminho, quando ela só precisa ouvir a música e dançar sozinha. A vida é dança, queridas. Dancem a dois. Dancem em grupo. Mas aprendam antes o inefável prazer de dançar sozinhas.

Imagem: visualhunt


E o que vocês responderiam a essa pergunta aqui abaixo, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?

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