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Sobre depressão, todos falamos. Até porque, segundo a OMS, a quantidade de casos de depressão cresceu 18% nos últimos dez anos. Claramente, somos uma das gerações mais deprimidas, com mais problemas de síndrome do pânico e depressão da história da humanidade. Falar sobre, não é a dificuldade propriamente dita. A dificuldade é falar sobre si mesmo sob a ótica da depressão.

Obviamente, ninguém quer ser julgado, nem colocado como frágil numa sociedade taxativa e repressora quando trata-se de demonstração de emoções e a exaustão física e mental. Tudo é fraqueza, frescura e mimimi. É aí que a gente se distancia dessa realidade, como se jamais nos fosse acontecer. Mas pode acontecer. Ainda segundo dados da OMS, até 2020 a depressão será a doença mental mais incapacitante do mundo. E 2020 está às portas!

O acúmulo de emoções, a repressão dos sentimentos, as palavras por dizer e todos os gatilhos que já conhecemos (fatores genéticos e biológicos, divórcio, falência, perda de emprego, dificuldades financeiras, perdas de modo geral, morte de uma pessoa próxima, etc) podem, gradativamente, nos adoecer. E tudo o que nos adoece a mente está pautado, principalmente, na ausência do hoje na nossa geração.

Excesso de passado gera depressão.

Excesso de futuro gera ansiedade. E tudo o que temos é o presente.

No entanto, raramente estamos focados no agora. Muitos dos distúrbios emocionais estão ligados a dificuldade de saber nomear e entender nossos sentimentos. Afinal, é muito mais importante ensinar A fórmula de Bhaskara do que ensinar como lidar com os sentimentos. Por conta disso, a principal percussora da nossa educação sentimental é a cultura. Tudo o que consumimos como entretenimento, é traduzido para nossa realidade como verdade.

As músicas que você ouve, os filmes e séries que você assiste e os livros que você lê, retratam claramente sua opinião sobre amor e amar, tristeza, alegria, decepção, relacionamentos, amizade e assim por diante. Mas você já parou para pensar que talvez a sua visão sobre sentimentos é que está retratada e baseada no que você consome, e não o contrário? Pois é.

Além da cultura que consumimos, da vida colocada em piloto automático e todas essas coisas que pouco prestamos atenção, estamos na geração dos coaches da prosperidade repentina. E estes reproduzem constantemente o discurso mais perverso da meritocracia: se fulano conseguiu, você também consegue. Tudo é uma questão de força de vontade. Este discurso, além de perigoso, cria um exército de pessoas frustradas e deprimidas por não conseguirem para si o que fulano conseguiu para ele. Ignorando completamente questões sociais e estruturais e a individualidade do ser.

Nem tudo é uma questão de força de vontade, nem de pensamento positivo.

Veja: se você torce o pé, ninguém te diz que você não consegue andar porque te falta vontade. O mesmo se aplica, ou deveria se aplicar a depressão. Quando nossa mente adoece, não é uma questão de ausência de força de vontade. Não é corpo mole, preguiça, falta de Deus, muito menos frescura. Depressão é uma doença séria e uma questão de saúde pública. Sem o tratamento adequado, pode levar ao suicídio em casos mais extremos.

Aí está outro assunto tabu: suicídio. Aliás, qualquer assunto ligado ao estado mental adoecido é tratado como tabu. Há uma imensa atmosfera de temor só de falar sobre isso. Infelizmente o estigma de incentivo ao falar sobre suicídio é bastante presente. Entretanto, falar sobre o assunto, sem julgamentos, previne. Ignorar ou demonizar o assunto, silencia suas vítimas. Mundialmente, a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio. E já que este é um fato tão recorrente, por quê nos distanciamos tanto disto? Por que não estimular o outro a falar ao invés de silenciar?

Geralmente, o suicida planeja seu último ato em silêncio e são poucas as vezes em que um suicida dá sinais de que precisa de ajuda. Censurar o assunto torna qualquer tentativa de desabafo e diálogo mais difícil, porque para esta pessoa, existe a certeza do julgamento. É preciso sensibilidade, empatia e atenção. Estes três pilares juntos podem salvar uma vida.
E para quem sofre de depressão, muito mais do que ouvir, este precisa falar e ser escutado.

O SUS oferece tratamento gratuito para depressão. Basta procurar a Secretaria de Saúde do seu Município. Além de psicoterapia e medicamentos específicos para cada diagnóstico, existe um canal de comunicação chamado CVV. Há voluntários aptos e respeitosos prontos para ouvi-lo sem qualquer julgamento. O telefone deles é o 188. Mas clicando aqui, você encontra outras formas de se comunicar, se assim preferir.

O mais importante é não guardar e não se sufocar de si mesmo. É preciso falar, se ouvir e ser ouvido. Encontrar alento e sobretudo, não se sentir só. Porque você não está só. Nenhum de nós está.

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