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O que você procura?

E aí, qual é o problema da paixão?

Qual é o problema de viver algo absolutamente devastador?

Qual é o problema do poema escondido num bolso qualquer do seu casaco; das músicas criadas em dedicatórias desafinadas, de gostar do cheiro da sua pele, de todos os planos a longo prazo que fizermos juntos, da ligação grudinho no final da tarde, te pedindo pra tirar um momento do seu dia e olhar o pôr-do-sol (leia mais aqui)?

Temos a paixão como um grande castigo universal, uma vela faísca que começa cheia de vontade, praticamente estourando na cara, todos os sentimentos que não cabem mais dentro de nós, e timidamente, some. Sai pela tangente e te larga lá.

Esses dias, vi um documentário que falava sobre esportes radicais, e um dos depoimentos chamou a minha atenção: ”as primeiras vezes normalmente são as mais tranquilas, mas a partir do momento que nos damos conta do perigo, as dificuldades começam a aparecer”. Interessante pensar que, até mesmo na ignorância, existe certa dose de coragem – cega -, mas é quando paramos tudo e nos damos conta da nossa ignorância, que acabamos transformando essa coragem em medo.

Mais irônico que o ignorante que foge do conhecimento e escolhe ser ignorante, é o ignorante que vive o medo do não saber. Em palavras mais promissoras: mais irônico que a pessoa que não sabe nada e deseja continuar a vida sem saber, é a pessoa que não sabe nada, e tem medo de descobrir que nunca soube.

Talvez esse seja o problema da paixão…

Dá medo se perceber num carro desgovernado, simplesmente indo pra onde o universo resolver te levar. Das apostas que estamos acostumados a fazer, a segurança é maior quando se tratam de coisas concretas; mas cá estamos nós, deixando o palpável de lado, para apostar todas as nossas fichas na volatilidade dos sentimentos.

Até que, de repente, as pessoas se vão. Os planos a longo prazo nunca chegam a se cumprir, as músicas em dedicatórias desafinadas foram todas abafadas por qualquer outra que tocar no rádio, as ligações pra dividir o pôr-do-sol nunca chegam, os bolsos do casaco se mantiveram vazios desde o último poema, o cheiro da sua pele é apagado com algum perfume forte, e o devastador acontece.

problema da paixao - 2

E ele entra na nossa vida com a mesma intensidade daquela vela faísca do começo: cheio de vontade, estourando na cara, todos os sentimentos que não cabem mais dentro de nós. E nossa, como dói.

Às vezes, tenho a impressão de que a paixão é um cometa que aparece na vida só pra mostrar em flashes todas as coisas que merecemos sentir; todos os momentos cinematográficos que merecemos experienciar, todas as palavras que nunca achamos que fôssemos ouvir, toda a sintonia que jurávamos ser mentira e descobrimos que também podemos ter; toda a cartela de cores daquela ”luz comprida que ficou tão bonita em você daqui”, que agora também conseguimos enxergar.

Pode ter sido surreal, sem que isso signifique que tenha sido irreal. Enquanto a paixão acontecia, tudo o que vivemos existiu e foi um sonho leve que merecemos ter (leia mais aqui).

Talvez quando a paixão resolve timidamente sair pela tangente e sumir, não seja necessariamente com a intenção de nos largar sozinhos com todos estes sentimentos na mão; talvez a paixão resolva sumir sempre no momento certo: com todos estes sentimentos na mão e sem ter onde mais colocá-los, além de nós mesmos.

Imagem: Pinterest

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