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“Qualquer idiota consegue ser jovem. É preciso muito talento para envelhecer” – Millôr Fernandes (1923-2012)

Quando se pensa na maturidade logo se remete a um corpo vivendo a desilusão, certa decadência, mudanças físicas, adoecimentos e limitações impostas pela idade. A pele vai perdendo o tônus, os cabelos vão ficando brancos e caindo, a memória vai falhando…

Envelhecer parece palavrão.

Cabelo grisalho em uma mulher é sinal de desleixo, rugas então nem se fale. Mas quem diz isso dos homens? Homens ficam maduros, mulheres desleixadas? Sim, a sociedade costuma ser mais cruel com a aparência feminina, como recentemente tivemos o exemplo de Xuxa.

Quando postou uma foto, em lugar paradisíaco e com a “cara limpa”, logo seguidores, em maioria mulheres, começaram a comentar  sobre a aparência dela, dizendo que a beleza “se foi com o tempo”.

Ela ter postado uma foto com aparência diferente da esperada pelas seguidoras parece ter levantado em cada uma suas próprias questões sobre envelhecimento. Afinal, se incomodou tanto, a ponto de comentários ofensivos, algo interno em cada uma delas foi tocado. O próprio envelhecimento? Relação com a finitude? Medo? Inveja?

O que desperta em cada mulher o envelhecimento?

Os especialistas tentam apresentar a ideia de que o esforço e a disciplina podem paralisar o tempo, então nos levar à tão almejada aparência perfeita, saúde melhor ainda. Hoje existem procedimentos, cirurgias, dietas e exercícios que parecem nos garantir a imutabilidade física, contudo não é bem assim.

A crença de boa aparência como sinal de bem-estar e felicidade parece estar enraizada nestas seguidoras, assim só envelhece, engorda ou fica doente quem quer. Mas a realidade parece chegar, doer e se impõe, então elas não aguentam e criticam Xuxa por seu suposto desleixo, projetando na estrela a própria dor.

Será que não há beleza na maturidade?

Para a sociedade parece que não. A mulher só parece valorizada enquanto fértil e bela, como se houvesse um prazo de validade. A menopausa é tão temida, pois coloca um fim tão cheio de significados. Não basta se encher de hidrantes, fazer mil tratamentos estéticos quando se vive numa cultura machista, em que homens maduros são mais valorizados. As próprias mulheres têm internamente esse medo e cuidado extremo com a  aparência, sendo muito cruéis consigo e com as outras.

Xuxa é uma mulher que goza de condições financeiras bem melhores do que a maioria, talvez por isso o nível de cobrança quanto a aparência dela seja ainda maior. Porém claro que ela é cheia de cuidados, mas isso não a faz ter a eterna aparência de “rainha dos baixinhos”.

O ser humano busca reconhecimento do outro para existir, porém Xuxa parece ter feito algo relevante para as mulheres, expondo a si mesma, de forma tão natural, porém logo outras mulheres a julgaram, falaram coisas que não se esperaria de quem vive ou viverá a dor de envelhecer sendo mulher.

Xuxa parece fugir dos dois extremos de: tentar obsessivamente se manter jovem, ou jurar de pé junto que nunca fez nada em prol da vaidade, nem liga para os avanços do tempo.

Ela foi contra as normas, foi mulher real, envelhecendo numa sociedade em que tudo que envelhecer é deixado de lado. Contudo somos pessoas, Dorian Gray é ficção e talvez lidar com a finitude nos assusta, mas o que não é natural é a submissão intensa a leis da estética disfarçadas de cuidado com a saúde.

Deixem as mulheres envelhecerem em paz! Sejamos mais leves.

Imagem: Unsplash

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