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Uma das notícias que bombou nas redes sociais na última semana foi a da pequena Milly Toumei, de 11 anos. A irlandesa cometeu suicídio porque, acredite se quiser, não tinha o corpo ideal – ela foi encontrada com a frase ‘meninas bonitas não comem’ escrita no corpo e ficou comprovado que sofria de distúrbios alimentares.

Parece exagero quando a gente fala sobre a adultização de crianças, mas esse é apenas um dos casos em que essa cultura mostra os seus efeitos. Se nós, mulheres, nos sentimos presas à um padrão de beleza que nos faz odiar os nossos corpos, é porque aprendemos desde pequenas que isso funciona assim.

A gente acredita que as crianças não estão suscetíveis a esses padrões, que elas estão blindadas contra isso, mas uma pesquisa global feita pela Dove este ano revelou que apenas 11% das garotas no mundo (isso mesmo, NO MUNDO!) se sentem confortáveis descrevendo a si mesmas como bonitas. 72% das meninas que participaram da entrevista também dizem que sentem pressão para serem assim.

Trazendo isso um pouco mais para perto, podemos falar do case Larissa Manoela. Além de lidar com toda uma questão de superexposição, Larissa (que tem só 16 anos, vale lembrar) posta fotos nas suas redes sociais com maquiagem muito elaboradas, roupas sensuais e faz carão para as fotos.

Não acumule o que escurece a alma e amarela o sorriso. Acumule o que perfuma a vida! 💛✨

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Alguns podem argumentar que esse tipo de comportamento é ‘normal’ para uma menina da idade dela. Será que é mesmo, ou será que ela, como todas nós, foi ensinada que a partir de uma certa idade ela precisa se fazer bonita e ter um corpo desejável para os homens? (porque é ingenuidade nossa achar que ela não é alvo dos desejos masculinos – por mais criminoso e errado que isso pareça)

Ela fez uma dieta com a coach Mayra Cardi, que até mostrou o ‘antes e depois’ na internet. Por mais que ela tenha dito que a escolha da atriz teen tenha sido feita por uma questão de saúde, é inegável que, já tão cedo na vida, ela pensa que comeu demais e que precisa prestar atenção no peso por causa da profissão que têm.

A atriz de Stranger Things, Millie Bobby Brown, foi outro caso recente que a gente problematizou por aqui. Antes, ela usava roupas de menina: vestidos com saia de tule, tênis no tapete vermelho, tiarinhas… Coisas de uma criança de 12 anos. Um ano depois, o look é outro: maquiagens, saias curtas, ensaios mais adultos… É como se ela tivesse envelhecido 10 anos em 12 meses.

Fancy Nancy 🥀

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A cultura do corpo ideal começa muito cedo

A gente acha que não – que é um exagero achar que Millie está sendo sexualizada, que Larissa já é grande o sucifiente para se preocupar com a dieta e a ‘boa forma’ e que a pequena Milly Toumei foi uma exceção.

Parece que os problemas de autoestima que temos começam quando já somos grandes e assumimos um papel de mulher. Parece que as crianças não estão suscetíveis a isso. Mas quantas vezes você lembra de ouvir a sua mãe dizendo que você estava ‘comendo demais’? Ou de algum tio ou tia dizendo que se você não perdesse peso, do alto dos seus 10 aninhos, não conseguiria um namorado mais para frente? Quantas vezes você ouviu que os meninos não gostam de meninas que comem demais e que você precisava ser magrinha para conseguir um namoradinho?

É. A culpa disso não é dessas pessoas. Porque elas também foram ensinadas exatamente essas mesmas coisas e, com certeza, sentem o peso de lidar diariamente com um padrão de beleza. E é uma escolha delas mudar essa visão de mundo ou não. O objetivo aqui é, principalmente, mostrar que isso é algo que aprendemos desde cedo e que esse padrão opressor entra na nossa cabeça de uma maneira que é difícil de tirar depois.

Segundo uma pesquisa feita pela ONG britânica Girlguiding, que incentiva o empoderamento de meninas no Reino Unido, 43% das jovens entre 11 e 21 têm medo de serem julgadas pela aparência – por isso preferem desistir de um esporte a continuar nele, porque a atividade física deixa o corpo mais musculoso e isso não é considerado ‘atraente’ pelos meninos.

Um outro dado da pesquisa nos deixou bastante chocadas também: 64% das meninas com idades entre 13 e 21 anos experienciaram algum tipo de assédio sexual no ambiente escolar – desde toques inapropriados até piadas e provocações de cunho sexual. Essa é mais uma prova de como a visão do corpo feminino como uma forma de prazer, segundo um padrão de beleza, é algo que aparece diariamente na vida das meninas no mundo todo.

A mídia tem um papel muito importante nesse meio, é claro. É difícil que ela não tenha uma influência quando, ainda hoje, vemos matérias sobre emagrecimento, como perder peso rápido, como fazer uma maquiagem incrível para ir para a escola (!!!) ou como conquistar o carinha perfeito.

Os dados são de 2013, mas ainda assim servem como uma base para entender como essa pressão começa cedo. Na época, a revista IstoÉ divulgou um estudo da Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas que mostrava um aumento considerável nessas cirurgias em adolescentes. O número de operações em jovens de 14 a 18 anos mais do que dobrou em 4 anos: de 37.740 procedimentos em 2008 para 91.100 em 2012. Por que esse aumento de procedimentos em uma fase que ainda é de desenvolvimento, quando o corpo muda muito, se não para se adaptar à algum tipo de padrão? (e, consequentemente, evitar o bullying na escola?)

É por isso que dizemos tanto que a mudança precisa ser estrutural. O que ensinamos às meninas hoje é que a sua aparência ainda é mais importante do que seu caráter, inteligência e determinação – que a sua personalidade. Valorizamos tanto o corpo que elas têm certeza que não terão uma vida feliz se não forem bonitas. E isso, ainda bem, está bem longe de ser verdade – a felicidade vem de dentro para fora e não o contrário, e só vamos conseguir uma geração de meninas mais confiantes quando lembrarmos de valorizar o que elas são e não a aparência que têm.

Foto de capa: Reprodução / Pequena Miss Sunshine


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