Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Sabe o incrível momento em uma relação que um casal se torna um? Não, não estou falando sobre o casamento, estou falando sobre a fase, se é que é uma fase, do “a gente”. Quando foi que “eu” me tornei “a gente”? Em que momento da minha vida eu deixei de responder só por mim mesma e passei a responder por outra pessoa também? Quando foi, hein?

Não foi quando eu o conheci. Não. Eu ainda era “eu” quando o conheci. É preciso ser você mesma para reconhecer tuas paixões no outro.

Também não foi quando ele me conheceu.  Sim, a gente (eu e ele) não nos conhecemos no mesmo dia. Eu sei que eu o conheci na primeira vez que ele riu de uma piada minha. Notei que o tinha conhecido quando vi o exato momento que o seu rosto se transformou em um sorriso. Ele sorri com o rosto.

Mas ele não me conheceu naquele dia. Eu preciso de tempo para ser desbravada. Sou selvagem.

Ele me conheceu no dia que prestou atenção no meu humor sarcástico. Ele só me conheceu quando me leu. Não se deve folhear uma mulher, nem tentar leitura dinâmica. Não. É preciso prestar atenção e apreciar a leitura. E foi assim que ele me conheceu.

Eu ainda era eu naquele dia. Sei disso porque é preciso ser você mesma para ser lida. O amor não aceita plágios.

Eu fui eu mesma por muito tempo, isso eu tenho certeza. Mas em certo momento eu fiquei cansada de ser só eu, pois tudo com ele parecia melhor, certo. Daí mudei de personagem. Agora eu sou “a gente”.

“A gente vai ver se vai”

“A gente não gosta disso”

“A gente já viu”

“A gente não vai poder ir”

Fiz até um poema sobre a gente:

“A GENTE

A gente foi feito para ser desfeito um pelo outro, fomos feitos para derramar. A gente não pinga, gostamos do desperdício, a gente transborda.

A gente foi feito para acontecer ou para ser?

A gente foi feito para dizer sem dar a entender. A gente só fala nas entrelinhas. A gente interpreta o mundo, aquele que só existe entre a gente, do jeito que a gente quer.

A gente não sabe o que quer.

A gente brinca de ser amigos, mas a gente não sabe brincar. A mãe da gente já falou: “para com isso que vocês vão se machucar!”. A gente não se machuca não, mãe. A gente se desfaz.

A gente é café com leite.

A gente anda de pés descalços, mas não sente o chão. A gente vive com a cabeça no teto. A gente não tem muita ambição  e é por isso que nunca conseguimos chegar nas nuvens.

A gente não consegue sair da Terra do Nunca.

A gente finge que não sabe do fingimento um do outro. A gente gosta de imaginar saber o que o outro está pensando. Não nos preocupamos em perguntar.

A gente tem problemas.

A gente não tem o que fazer, mas faz assim mesmo, pois é assim que a gente é. Seres individuais reduzidos a uma única fala: a gente.

A gente gosta de economizar palavra.”

Por “a gente”.

Mas eu cansei de ser “a gente”. Quero voltar a ser eu.

Não precisamos fazer o que não queremos fazer só porque a gente combinou.

Quem é esse “a gente”?

Vamos matar “a gente” e voltar a ser só eu e você? Tô com saudades de mim, de você, mas cansei da gente.

Imagem: Pexels


E o que vocês responderiam a essa pergunta aqui abaixo, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?

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