Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Se você gosta de moda e sinceridade, esse texto é pra você. Tenho acompanhado a São Paulo Fashion Week desde a 41ª edição. A que está acontecendo nesta semana, de 21 a 26 de abril é a SPFW N45. Fazendo uma comparação entre as cinco edições que frequentei é possível notar uma diferença absurda entre elas. Ao chegar lá, a primeira coisa que pensei foi: gente, onde está a SPFW?

Antes de continuar, é preciso deixar uma coisa bem clara, não é uma crítica às marcas ou aos desfiles. É sobre toda a estrutura do maior evento de moda do Brasil, que assustadoramente vem perdendo a força e também um pouco da relevância. Para os apaixonados por moda, é doloroso imaginar a possibilidade deste evento não existir mais, porém, espero muito estar errada, se os organizadores são se mexerem, isso não parece estar longe de acontecer.

Já me assustei ao ver o line-up que perdeu nomes de peso. Nessa edição não desfilaram mais Reserva, LAB Fantasma, Vitorino Campos, Animale. Estamos falando de um evento em que Gisele Bündchen encerrou a carreira em fevereiro de 2017. Há 1 mísero ano os fashionistas “matavam e morriam” para estar nesse evento, hoje, não mais.

A SPFW em sua maioria, aconteceu na Bienal do Ibirapuera, estrutura gigantesca, carrinhos de golfe levando o pessoal que estacionava longe até a entrada, vários patrocinadores com stands interativos com ações e dando brindes, além de espaços mil para fazer fotos para as redes sociais, e presença de todas as pessoas importantes do setor e também as que querem ser. Sempre foi um evento para convidados, mas o credenciamento para imprensa nunca foi um bicho de sete cabeçaspara N45 estava limitadíssimo.

Consegui entrar no evento e já tive o primeiro susto. Pedi para o Uber parar na Bienal (afinal, havia placas no caminho informando para descer no portão 3 encaminhando para a Bienal), mas não era lá, foi no Pavilhão das Culturas Brasileiras, que é consideravelmente menor e absurdamente mais longe. O Pavilhão da Bienal tem 25 mil m2 e o Pavilhão das Culturas Brasileiras tem 11 mil m2. Graças ao bom Deus não sou adepta de saltos muito altos, pois a caminhada foi longa e não havia o transporte de carrinhos de golfe como outrora. Li em uma matéria de outro veículo de moda que as fashionistas apostaram em saltos quadrados e baixos no SPFW e que era a nova tendência. Ri sozinha, por que depois do primeiro dia, todos se ligaram que andariam feito camelos dentro do Ibirapuera.

Lá dentro outro choque. Havia a linda exposição do Conrado Segreto, que foi o homenageado desta edição, em cima umas duas paredes para foto, dois stands de marcas de sapato, algumas peças de roupas usadas pela cantora Iza em seus clipes, um outro stand patrocinado para fazer uma foto e imprimir (que foi legal, mas tinha uma fila quilométrica), outros dois stands que só podiam entrar convidados e food trucks do lado de fora. Acabou! Era só isso!

Os desfiles que aconteceram foram lindos, as marcas sempre trazendo novidades, imprimindo a identidade delas para se tornar referência e aconteceu até gravação de novela lá. Aí você pode perguntar: mas ora, você não vai lá pra ver o desfile? Sim, claro! Mas o SPFW sempre foi mais do que isso.

O SPFW merece mais do que isso!

As figurinhas carimbadas da moda marcaram presença. Você continua andando e cruzando com Glorinha Kalil, Constanza Pascolato, Lillian Pacce, Arlindo Grund, Dudu Bertholini nos corredores do pavilhão, mas as blogueiras e influencers que tem dominado o mercado sequer citaram o SPFW. Estamos falando de blogueiras brasileiras que viajam para as semanas de moda europeias e de Nova Iorque, mas nem passaram por São Paulo. Camila Coelho nem no Brasil está. Thássia Naves nem tocou no assunto. Apenas Camila Coutinho compareceu e comentou sobre o evento, e Mari Dalla prestigiou Fabiana Milazzo.

Das influencers Plus Size, nem o cheiro, pois sem a LAB Fantasma não houve atenção pra outros padrões de corpos. No desfile da Água de Coco teve modelo grávida, modelo com uma gordurinha a mais, uma celulite aqui e outra ali, mas gorda real, não houve. Nem Ronaldo Fraga fez um desfile apaixonante na N44 com a top plus size Fluvia Lacerda, amputados e idosos investiu nisso neste edição, apenas Marília Gabriela destoou das outras modelos.

O que pode estar acontecendo?

Gostaria muito em saber o que tem causado essa decadência. Pode ser a crise que pegou geral no Brasil. Pode ser o boom das redes sociais e internet que deixou a propaganda mais barata e direcionada para ser alcançada. Pode ser a estagnação do formato do evento. Porém realmente acredito que tudo isso junto gera um combo realmente negativo para sobrevivência desse evento, que é o mais importante da moda brasileira. Há muito burburinho sobre o futuro do SPFW, mas até então, é só especulação.

Vista grossa e glamurização

Como citei acima, claro que ainda é o evento de moda mais importante do Brasil. Sim, houve desfiles maravilhosos, interessantes e é referência no meio, mas fingir que os problemas não estão acontecendo e jogá-los para baixo do tapete só minam a possibilidade de fazer do SPFW o que ele sempre foi.

Cansei de ver várias Blogueirinhas de Merda” (o termo é em alusão a um personagem da internet que faz piada com algumas meninas pretendentes a ser blogueiras, que usam os mesmos bordões e costumam forçar a barra para aparecer) tentando passar uma imagem de perfeição e tentando glamorizar o evento. Claro que é legal pra caramba fazer parte disso, mas é preciso ter menos deslumbre e mais conteúdo para tudo sobreviver.

Esse é o relato de alguém que ama e torce muito pra que a Semana de Moda de São Paulo não perca sua força.

Imagem: Reprodução / FFW

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