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É muito significativo escrever esse texto hoje, as vésperas de uma data tão importante para nós mulheres e no dia da alta hospitalar de uma das mais importantes mulheres da minha vida, minha Vó, que esteve a passos do terceiro enfarto. O segundo foi no velório do próprio filho, há cinco anos atrás, sentiu tanto, que literalmente o coração gritou. Esses dias dentro de um hospital, e não é a primeira vez que isso ocorre, trouxeram reflexões importantes, cada uma ao seu momento.

E essas tiveram como foco nós, mulheres, guerreiras, fortes, positivas, que enfrentamos a busca por espaço, respeito e posicionamento – desde do adentrar a um simples ônibus ou metrô, com a mesma garra que lutamos por salários iguais, por parceria nos relacionamentos afetivos, por ter filhos ou não e por poder expressar nossos sentimentos, pensamentos e corpos sem as amarras de uma mídia industrial, que padroniza medidas, beleza e comportamento.

Poderia escrever uma lista de mulheres notáveis que fazem parte da História, como Nina Simone, Luz Del Fuego, Frida, Mercedes Sosa… Essa lista não caberia em texto algum de tão extensa, porque somos assim, grandiosas. Se eu a escrevesse, ela só iria reforçar o quanto também somos notáveis e o quanto estamos rodeadas por todas essas mulheres, nas figuras de vó, mãe, irmã,tia, amiga e o quanto somos ativistas e guerreiras, inseridas em uma luta silenciosa gerada pelas consequências de uma sociedade machista e patriarcal, que ensinam suas meninas o feminino de uma forma distorcida e moldam suas mentalidades – muitas das vezes as transformando em mulheres preconceituosas e machistas também.

Quem nunca ouviu uma mulher julgar a outra e apontar sua roupa como a grande culpada por um abuso ou até mesmo um estupro? É a consequência mais cruel desse regime misógino que vivemos há séculos. Por isso a importância da sororidade e de cada vez mais nós, mulheres, olharmos para nós mesmas, de alimentarmos a empatia que nos define e também a importância de cada vez mais nos conhecermos e nós valorizarmos para não aceitarmos o que não nos cabe.

Estar ao lado de uma mulher de 85 anos, pequena, magra, acamada e cardíaca, só mostrou que essa nossa força não tem condicionamentos, não tem geração, tempo. Que ela é presente em todo e qualquer momento. Em épocas em que o ódio e o preconceito se mostram tão presentes socialmente, mais visivelmente nas mídias e redes sociais, cada vez mais devemos desenvolver e deixar vir à tona essa força em nós. Uma força que nos leva ao auto amor, entendimento, plenitude, posicionamento, alteridade, auto conhecimento, respeito, diretos e deveres.

Que possamos olhar para a historia que compõe o dia 08 de março e que possamos reverenciá-la em todas as atitudes que nos compõe – a começar conosco mesmo em pequenas ações que condicionam as nossas vidas. Que nossas escolhas possam ser plenas e livres e que todos os nossos dias possam ser assim, 08 de março diários.

A Vó vai muito bem, coração pulsante e forte, sofre os abalos do muito sentir, mas a força que a compõe transforma as dores em grandes lições e o amor em grandes trajetos – características de pequenas grandes mulheres, assim como ela, eu e você, assim como todas nós…

Imagem: Pexels

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