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Recomeçar é quase sempre uma nada mole tarefa. Requer coragem, disposição, capacidade de se perdoar, entre tantas outras coisas. Mas, num mundo em que os projetos de vida são tão idealmente traçados, em que a gente já tem nossa vida mentalmente planejada até a nossa velhice, conseguir abrir mão desses planos e recomeçar profissionalmente é um desafio daqueles!

Quando vemos alguém que largou tudo pra começar do zero novamente – embora eu ache que nunca se recomeça propriamente do zero – temos a impressão de que a pessoa encarou aquela escolha com muita naturalidade. Olha, a realidade costuma ser bem mais cruel que isso.

Quem recomeça profissionalmente geralmente passou por anos tentando superar e esconder de si mesmo a infelicidade com sua primeira escolha. A gente inventa todas as mentiras possíveis pra nós mesmos pra tentar fazer com que aquele sentimento que temos em relação ao que fazemos pareça natural.

A gente diz pra si mesmo que suportar um emprego que não gosta faz parte da vida adulta, que ninguém faz o que gosta e si  o que é preciso pra pagar as contas. A gente se acha fraco e pensa “por que todo mundo consegue lidar tão bem com isso e pra mim parece tão insuportável?”, diz que fazer o que gosta é hobby. E aí de segunda a sexta a gente acorda e dorme com uma sensação de “cara, QUE SACO!”, acorda com o peso de “nossa…lá vou eu mais um dia”.

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Nosso corpo adoece com uma frequência absurda e a gente não se da conta que é nosso emocional pedindo socorro. Que é a gente mesmo pedindo socorro! O despertador toca e a gente chora por ter que levantar mais um dia pra uma rotina torturante se sentindo péssimo no que faz e não encontrando nenhum sentido na função que exerce. No meio do expediente a gente se tranca no banheiro, liga pra mãe da gente e chora dizendo que não aguenta mais aquele emprego.

Passa um ano e meio indo pra terapia semanalmente fazer a mesma reclamação: “eu odeio minha profissão e mais ainda o meu emprego”. E um ano e meio, muitas vezes, é só o tempo que leva pra você se dar conta de que você odeia o que faz, porque você vive infeliz e muitas vezes não compreende ou aceita a possibilidade de que seja por isso.

Mas quando essa lucidez chega, amigo, aí é que você entra em conflito com você mesmo. Você se culpa por não gostar do que faz, você acha que era sua obrigação gostar, afinal, você teve um vestibular – que, às vezes, levamos anos até conseguir uma aprovação – e mais 5 anos de universidade, muitas vezes PRIVADA, pra decidir que queria outra coisa e só agora você conclui isso? Você decide que você é mesmo um fracassado. Que pessoas bem sucedidas e maduras assumem a responsabilidade pelas escolhas que fazem e sustentam essa escolha até o fim.

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Quando você finalmente começa a pensar como seria se largasse seu emprego, desiste só de pensar como vai ser encontrar seus colegas da faculdade, seus conhecidos, seus vizinhos no shopping e quando eles lhe perguntarem o que você tá fazendo, ter que explicar um a um que você “fracassou”, “desistiu”. E aí você desiste de desistir mais uma vez.

Você pensa como vai ser voltar a morar com seus pais e ter gente dando conta da sua vida de novo: se você dormiu em casa, se não dormiu, se chegou sóbrio ou bêbado, que horas acordou. Pensa como vai ser pedir “mãe, me dá 50 reais pra eu sair?” e ter que explicar porque precisa de tudo isso pra ir ali num barzinho com os amigos. E desiste de desistir de novo.

Sua vida é um inferno por fora e por dentro. Você pensa que tá muito velho pra voltar a estudar, pra ser estagiário de novo. Que você tá muito velho pra recomeçar quando todo mundo já tá comprando carro, casa, casando, tendo filhos e você vai ficar 5 anos “estacionado”.

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Mas daí um dia, um belo dia, você entende que a sua vida já está estacionada faz tempo. Que faz tempo que você não se sente feliz ao acordar, que você não encontra motivação pra nada, que você não se apaixona por uma ideia. Mas pra chegar nesse dia foram necessários anos de sofrimento, culpa e desencontro.

Um dia você percebe que, mesmo que você ainda não saiba exatamente o que quer fazer, você já sabe de uma coisa que você definitivamente NÃO QUER FAZER: continuar levando a vida que leva e fazendo o que faz. E aí você percebe que só vai criar coragem de dar um passo em busca da sua felicidade, que só vai se arriscar a experimentar outras coisas (e talvez errar mais algumas vezes, diga-se de passagem), no dia que, num impulso, jogar tudo pra cima.

Num dia em que você pedir demissão e for embora no meio do expediente tocando um belo “foda-se” para aquele dia de trabalho. Nesse dia, só nesse dia, você vai ser capaz de sentir a liberdade e o prazer de finalmente se dar uma chance.

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É bem verdade que você vai trocar uma jornada por outra: a de se descobrir profissionalmente e, consequentemente, ser mais feliz como ser humano. Mas pelo menos nessa jornada, por mais dúvidas que ela traga, você sabe que está se movimentando no sentido de encontrar algo que te realize e faça sentido pra você.

Se você quer um conselho de quem passou por tudo isso, aqui vai: a vida é muito curta pra gente ser uma coisa só! Se reinvente! Só permaneça no que te faz feliz pelo menos a maior parte do tempo. Não vale a pena sangrar diariamente por algo que não tem sentido pra você. Nós dedicamos pelo menos 10 horas por dia de segunda a sexta ao trabalho. Se você somar a 6 horas de sono por noite, mais da metade dos seus dias já está tomada.

Você realmente quer perder metade da sua vida não se sentindo feliz? Sem ter um propósito? Dinheiro é bom, mas realização pessoal na vida profissional (sim, isso é possível) é melhor ainda. Busque algo que faça seus olhos brilharem pelo menos na maioria dos dias. Algo com que sua alma se conecte.

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O caminho pode ser melhor traçado se você buscar a ajuda de um profissional, então fazer uma terapia pode diminuir muito o seu tempo de conflito interno. Faça o que for preciso. Só não fique no mesmo lugar. Perdoe-se por não se sentir como esperava e não ter realizado o que planejou pra sua vida quando entrou na faculdade.

Talvez tenha um futuro definitivamente melhor lhe esperando se você se der a chance de recomeçar. E lembre-se: ter um diploma não é garantia de sucesso nem o único caminho pra ser bem sucedido profissionalmente. Se diploma fosse o segredo pra felicidade, os psiquiatras receitariam universidade como antidepressivo.

Imagem: Pexels


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