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Hoje é dia de falar sobre a vida real. Sem fantasias, com total transparência pois aposto que muita gente vai se identificar. Apertem os cintos e vamos falar sobre sua relação com o dinheiro!

Eu nunca tive dinheiro na vida. Não nasci em berço de ouro, não tive herança, nada disso. 

Na minha infância não tinha curso de inglês, ballet, natação, piano. Não tinha viagem pro exterior, nem férias em resort. Não tinha nem plano de saúde, era SUS mesmo.

Nunca passei nenhuma necessidade, nós vivíamos em uma casa própria, tínhamos um carrinho popular e comida em abundância, não precisam ficar com dó de mim, rs.

Por sinal, eu cresci num lar feliz, com muito amor e atenção – quanto a isso não tenho o que reclamar, só agradecer porque tenho lembranças muito boas da infância. <3

Vida de criança é uma coisa gostosa, né? Criança não liga para aparência, para sofisticação.

A alegria de grande parte dos meus dias era ouvir o barulho do caminhão do meu avô chegando, porque ele sempre trazia balinhas que comprava nos semáforos de SP.

Criança não se importa se está no carro da moda ou num fusca, se come chocolate hidrogenado ou Kopenhagen.

Então, vamos considerar isso como ponto de partida: eu vivi uma vida simples, sem luxo e, ao longo dos anos, conforme fui crescendo, acumulei algumas vontades que não foram realizadas entre a infância e adolescência.

Assim que comecei a trabalhar, aos 17 anos, tinha acumulado uma lista das coisas que queria ter: roupa da moda, unha feita toda semana, luzes no cabelo, óculos Ray Ban, etc.

Eu consegui realizar um pouco destas vontades, mas logo veio a faculdade, onde 200% do meu salário era utilizado para os gastos relacionados a ela (mensalidade, livros, transporte, alimentação, etc). Digo 200% porque durante a faculdade eu gastei mais do que ganhava, não por luxo, mas para garantir que conseguiria me formar.

O que aconteceu é que tanto tempo de vontade reprimida me gerou a síndrome do “eu mereço”.

E assim que eu comecei a ganhar mais, saí no consumismo desenfreado com a desculpa de que, depois dos perrengues que passei, eu simplesmente merecia. Então comprava roupa e sapato todo mês, fiz coleção de óculos escuros, tive bolsas de todas as cores, iPhone de última geração, produtos de beleza que nem precisava, maquiagem, perfumes e por aí vai…

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Por um bom tempo, mantive esses hábitos, que me fizeram feliz por um tempo. Foi uma época importante, onde vivi aquela sensação de poder, de “cheguei lá” e conquistei o que eu queria.

Acontece que, depois de um tempo, isso já não me era mais suficiente e precisei partir para a tão famosa “educação financeira” para ter uma melhor relação com o dinheiro.

E como eu vivi os dois lados da moeda: da consumista para a minimalista, da desenfreada para a garota das finanças organizadas, quero contar 6 coisas que ninguém te conta sobre seu dinheiro. São fatos que quanto antes você souber, mais suas decisões serão conscientes – sejam elas consumistas, minimalistas ou o que você escolher ser.

Vamos às dicas!

Coisas que não contam sobre sua relação com o dinheiro:

1. Ser organizado financeiramente tem mais a ver com prioridade do que com passar vontade

Por muitos anos, fugi da educação financeira porque achava que, se me tornasse uma pessoa que controlava o dinheiro, não ia comprar nem fazer nada do que eu queria. Também achava que me perderia toda minha liberdade, ficando presa à uma planilha de Excel.

Porém, o que aconteceu foi totalmente o contrário: mesmo controlando as finanças, hoje eu consigo comprar tudo que quero de verdade e não tudo que está disponível para ser comprado. É só uma questão de autoconhecimento e prioridades. E, melhor ainda, me sinto mais livre do que nunca, porque não preciso viver preocupada, nem me sentir culpada quando compro alguma coisa.

2. Usar o dinheiro é diferente de gastar

O dinheiro é feito para ser usado, isso é inquestionável. Porém, o que deve ser analisado é COMO devemos usar?

Não existe um certo e um errado quando falamos deste assunto. Não há uma porcentagem ideal de quanto gastar em que categoria, embora existam algumas metodologias de que podem ser aplicadas, mas é uma questão pessoal, que tem a ver com vontade, necessidade e prioridades.

Um único ponto crucial que precisam ter consciência é que USAR É DIFERENTE DE GASTAR.

A utilização não deixa de ser um investimento, enquanto o gasto é algo desprovido de consciência e planejamento.

Quando você utiliza seu dinheiro, tem consciência de quanto está indo e para onde. Você pensa primeiro e utiliza depois, tendo sempre um propósito por trás de cada centavo.

Quando você gasta, você tem a famosa sensação de não saber para onde foi o dinheiro. Isso acontece quando você vê sua conta zerada logo depois de receber o salário e tem a percepção de que não comprou nem fez nada do que queria. Você gasta primeiro e pensa depois, normalmente sem ter nenhum propósito que justifique seus gastos.

A minha dica é:

  • Mapeie as categorias essenciais para você – vestuário, estudos, alimentação, moradia, etc;
  • Separe essas categorias em dois grupos: necessidade (essencial) e vontade (importante);
  • Separe uma porcentagem do que ganha para estes dois grupos;
  • Depois disso, com o total que destinou a cada um dos dois grupos, estipule um valor teto para cada categoria contida no essencial e no importante;

Depois de fazer este exercício, você terá dois cenários:

  • Cenário Azul: se no final o que você ganha for suficiente para cobrir necessidades e vontades, é só seguir este planejamento e aplicar daqui para frente, sempre incluindo qualquer item novo neste controle antes de sair gastando.
  • Cenário vermelho: se o que você ganha não for suficiente para cumprir suas necessidades e vontades, você tem duas opções: ganhar mais ou gastar menos. As duas opções vão exigir esforço e disciplina, itens que podem ser aperfeiçoados com algumas técnicas, mas isso é assunto para outro post. 🙂

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3. Se você não sabe o que quer, a mídia escolherá por você!

Somos impactados pela mídia o tempo todo: no celular, na TV, no metrô, no trânsito, na revista, no mercado.

O perigo de não ter um planejamento nem prioridades definidas, é se tornar a presa mais fácil para os publicitários que estão neste exato momento encontrando a melhor forma de te convencer a comprar aquilo que você não quer e/ou não precisa.

Você pode (e deve) utilizar os meios de comunicação para se informar sobre um determinado produto, comparar os concorrentes, garimpar preços menores, mas sempre tomando o cuidado de não cair em qualquer discurso publicitário sem antes refletir se isso faz mesmo sentido.

Em resumo, você pode adotar duas atitudes para lidar melhor com a mídia: autoconhecimento – saber quem você é, sem precisar que te digam o que deve fazer ou consumir – e senso analítico – filtrar o que a mídia leva até você e verificar a autenticidade da informação.

Desta forma, você faz a mídia trabalhar para você e não o contrário. 😉

4. Até os menores gastos fazem diferença no final do ano

Eu nunca me preocupei com aquele valorzinho de R$ 5 que o banco cobrava de seguro do meu cartão, nem ficava comparando qual era o mercado mais barato da minha região.

Para ser sincera, achava tudo isso coisa de gente mesquinha e não entendia porque ficar pesquisando para economizar 90 centavos aqui, 4 reais ali.

Até que eu comecei a fazer um balanço anual das minhas finanças e fui percebendo que estes pequenos valores, se repetidos por muitos meses, tornavam-se grandes valores que poderiam ser melhor aproveitados ao invés de serem jogados fora.

Pense nisso antes de dizer que não tem nenhum dinheiro para aplicar em investimentos e se preparar para o futuro.

5. Pode não parecer, mas seu dinheiro é justo com você

Quero te dizer que a sua relação com o dinheiro é a única relação totalmente justa, afinal, o dinheiro é ciência exata. Não tem interpretação, nem dois lados da moeda, nem permite DR’s.

Agora é hora de refletir: como está sua relação com o dinheiro? É um relacionamento harmonioso ou vivem em cabo de guerra?

Quando falamos de vida financeira, é “8 ou 80”. Não há meio termo. Ou você controla o dinheiro ou ele te controla.

Lembre-se sempre: o dinheiro não leva desaforo para casa. Ele não te dá uma brecha, nem faz vista grossa.

Portanto, escolha se você quer ser protagonista ou figurante nesta história, e se o dinheiro será mocinho ou vilão.

6. Poupar é hábito – quanto mais você poupa, mais gostará de poupar

Por fim, mas nunca menos importante, é que por mais complexo que pareça manter uma vida de economia, o mais difícil é sempre dar o primeiro passo para ter uma ótima relação com o dinheiro.

A decisão de mudar de vida dói, dá trabalho, bagunça a rotina no curto prazo, mas após poucas semanas (poucas mesmo) você começará a colher os resultados e perceberá que tudo muda quando você muda.

E a educação financeira é um caminho sem volta. Não conheço pessoas que se arrependeram e voltaram atrás depois de criar este novo hábito.

Se mesmo assim, você acha que não terá facilidade em entrar nesta rotina, eu indico a leitura do livro O poder do hábito, que vai te dar mais ferramentas para redefinir os hábitos que estão programados em piloto automático na sua mente.


E aí como anda sua relação com o dinheiro de verdade? Ficou com vontade de poupar? Está cheia de dúvidas? Não sabe por onde começar? Quer que eu escreva mais sobre sua relação com o dinheiroMande suas perguntas no post do Facebook que responderei com maior prazer!

Imagem: Pexels

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