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Recentemente venho notado à quantidade de pessoas que vêm sendo intolerantes umas com as outras. Intolerância para com a diferença de opinião, vivência, círculo social, cultural, orientação sexual, religiosa, alimentar, dentre tantas outras situações.

Quanto mais observamos o comportamento de uma pessoa agressiva, muito se pode conhecer sobre ela.

Ilustrarei aqui um espelho à nossa frente. Vamos imaginar agora esse espelho ampliado para tudo aquilo que está em nossa volta. Tornemos o espelho ainda maior, para o mundo. Agora temos ciência de, que tudo aquilo que nos permeia é refletido pela nossa própria percepção. Ou seja, o mundo como vemos não é o mundo como ele é. “Nosso mundo” vem a partir da nossa percepção, baseada em crenças, experiências e valores.

Visualizamos o mundo, as coisas e as pessoas com uma lente de nós mesmos. Aquilo que acreditamos ser o certo ou o errado. A dualidade. O pré-conceito.

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Photo by Giulia Bertelli on Unsplash

O mundo a partir da nossa percepção.

Tudo o que é novo, é desconhecido. Está fora “da gaveta” que identificamos como comum, na estante de nossas experiências de vida.

Em geral, quando alguém se abstém de ver a realidade do outro a fim de experienciar uma percepção diferente daquela que sempre vivenciou, muitas vezes julga a condição do próximo como errada. Às vezes julga até como absurda. Como se a sua própria experiência e conhecimentos fossem absolutos. Quando isso ocorre, detectamos o que chamamos de intolerância. Segundo a Wikipédia, intolerância “é uma atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças em crenças e opiniões.

Obviamente não estamos pontuando todas as pessoas que possuem vivências distintas. Mas sim, referindo-nos aos que possuem uma opinião própria e muitas vezes desrespeitam tudo o que julgam diferente do seu convívio habitual.

O mundo como vemos é o mundo a partir da nossa percepção.

Identifiquei alguém intolerante, e agora?

Como lidar com as críticas sem ser reativa?

Na maioria das vezes em que o indivíduo intolerante expressa sua opinião com a finalidade de atacar o outro, ele nunca está só. Geralmente, está cercado por uma plateia. Às vezes o público partilha da mesma opinião do indivíduo intolerante, pois essa é uma forma dele fundamentar o seu ponto de vista.

A pessoa que é confrontada quase sempre se sente ofendida e em muitos casos passa a reagir diante de uma opinião expressada pelo outro. Todavia nesses casos é possível responder ao invés de reagir. É o agir com sabedoria.

Em primeiro lugar, a paciência é uma das virtudes dos sábios e precisa ser colocada em prática diariamente, e em especial, nessa situação.

Em segundo lugar, ao tomar a consciência de que o mundo é um reflexo daquele que o interpreta como uma representação, e não o que de fato é, nota-se que na realidade aquele que emite a opinião errônea, e muitas vezes discriminatória, é uma vítima de suas próprias crenças limitantes. Aquele que fora confrontado por uma opinião intolerante, ao responder a afronta com sabedoria, pode se colocar em um lugar de um empata e compreender que o outro muitas vezes, sem saber, clama por ajuda. E essa forma de pedir por socorro é chamar a atenção para ele se colocando como um ser superior, julgando tudo aquilo que não conhece, como algo estúpido. Esse clamor pode estar ligado ao assunto em questão, ou não.

Quando alguém vem com mil pedras nas mãos para nos atacar, tendemos a atacá-lo de volta. É exatamente aqui que podemos aprender com uma das inúmeras lições ensinadas por Jesus Cristo: dar a outra face. E ao dar a outra face, podemos também entender que, mesmo parecendo ser bem desafiador, enquanto ofendidos, podemos responder a ofensa com amor e afeto ao próximo. Compreender que muitas vezes não somos exatamente a nós quem o indivíduo confronta, mas sim com seu próprio reflexo projetado no mundo, nas pessoas, em nós.

Através do silêncio, e não da reação imediata, podemos responder para que a vida siga seu fluxo natural de paz.

Imagem: Unsplash

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