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Demorou quatro meses para eu processar os milhares de sentimentos que pairam aqui. Demorou porque eu queria digerir passo por passo, fato por fato. As expectativas. As frustrações. Tudo.
Confesso que, desde o início, o meu lado emocional torceu muito para que as coisas fossem diferentes – vai ver foi por isso que pensei e analisei tanto assim. Porque eu queria que fosse diferente da última vez, mas não deu.

Uma das piores coisas do mundo e, também uma das mais libertadoras, é perceber que você é a única que está fazendo esforço para voltar o barco para a maré. É cansativo porque quando a ficha cai, cai por inteiro, aí o peso do barco cai todo sobre a gente. Eu fiquei inventando mil desculpas para justificar algo que já havia acabado há um tempo, e acabei usando de uma bobeira extrema para externar meus sentimentos. E então os externei. Não da maneira correta, mas o fiz. E só para processar o resultado disso gastei mais algum tempo digerindo. É incrível como o tempo tem o poder de clarear as coisas, sejam elas ideias ou sentimentos.

Eu deixei os sentimentos tomarem à proporção que precisavam tomar. Não forcei sorrisos. Não forcei a bebida quando já estava embriagada psicologicamente. Não forcei a voz quando o silêncio quis dominar. Não forcei diálogos quando tinha certeza que o resultado seria um monólogo. Não forcei mensagens quando tinha certeza que o resultado seria um simples vácuo. Não forcei olhares quando os mesmos já me destruíam por demais. Já tinha forçado a barra durante algum tempo, então me impus como regra não mais forçar nada.

O silêncio é mais libertador que qualquer palavra 1

Confesso que esses cento e vinte dias foram complicados. É complicado e doloroso se olhar no espelho e não mais se reconhecer. É estranho tocar em partes obscuras do nosso ser. É complicado assumir os nossos erros pra gente mesmo. É complicado porque meche com o nosso ego, e ego e amor próprio andam sempre muito distantes. Eu precisei me desvencilhar do meu mundinho para começar a entender mil fatores que facilitaram esse turbilhão de sentimentos.

O mais difícil foi reconhecer que eu também errei. Errei ao doar oceanos quando não me pedia nem um pingo de água. Errei ao criar expectativas e a esperar que elas fossem cumpridas. Errei quando acreditei nas promessas de “para sempre e eu te amo”. Porque amor, para mim só é verdadeiro se for recíproco – e eu já sentia que não havia reciprocidade (leia mais aqui). Aliás, quando a minha ficha caiu quanto a nunca ter tido reciprocidade, doeu mais que um soco no estômago. E foi logo quando percebi isso que as dores estancaram mais aqui dentro.

O silêncio é mais libertador que qualquer palavra

Eu não conseguia aceitar, embora também concorde que amor é um sentimento livre, que não devemos implorar ninguém para ficar, eu não deixei de me sentir usada e descartada. Vieram mais dias nublados e silenciosos. Silêncio esse que jogava na minha cara todas as minhas falhas. Silêncio esse que me mostrou que houve amor de minha parte sim, mas que chegou um momento que o meu amor próprio foi esquecido e eu comecei a querer a justificar essa falta de amor e cuidado próprio, cuidando e amando outrem. Que implorar atenção é humilhante. Que talvez, o sinônimo de reciprocidade seja interesse. Que ela só vai existir enquanto o outro for útil. Confesso precisar de mais tempo para digerir essa minha nova concepção sobre reciprocidade.

Nesse tempo fui aprendendo a digerir as coisas com mais racionalidade. Com esse tempo eu fui percebendo que a gente cobra muito dos outros e muito da gente mesmo. Com esse tempo fui percebendo que não dá para mudar e nem para me culpar pelo o que não depende só de mim.
De tudo ficaram lembranças boas e uma mágoa doída. Mas isso há de passar também. Não dependia só de mim, e finalmente irei seguir virando essa página de minha vida.

Imagem: Pinterest

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