Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Cheguei numa fase da minha vida que não tenho mais saco para joguinhos. Aliás, acho que todas as idades deveriam abolir essa besteira e adotar a estratégia de ser sempre sincero. Não é para provocar o “sincericídio”, sabem? Aquele em que você quase acaba com o outro por falar “umas verdades”. A ideia é a simplicidade do “tô afim” com a elegância do “desculpa, mas não estou interessado“. Talvez, se a gente aprendesse a colocar pra fora certas coisas que ficam engasgadas, evitaríamos muitas expectativas e decepções por aí.

Ressalto mais uma vez quanto é importante ser claro porque lembro a dor de ver alguém se distanciar enquanto dizia “tá tudo bem”. Tá tudo bem uma porra. Começou a fazer de água o relacionamento, começaram as brigas, as desculpas, a distância aumentou e, quando a gente percebeu, já era tarde demais para fazer alguma coisa. Quer dizer, só nos restou colocar um ponto final e torcer para a amizade continuar. Não continuou. Sei que mágoa é uma palavra muito forte pra ser colocada, mas tem dias que isso tudo machuca como uma.

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Tem dias que a cicatriz ainda arde

Um amigo ilustrador, o Felipe Guga, tem uma frase linda que diz “quanto mais clara as intenções, mais saudáveis as relações” e faz um elo com um ovo na figura. Se você considera comer ovo saudável ou não é outra questão (eu considero), mas é impressionante como que é possível falar muito com tão pouco. É cada vez mais necessário mostrar ao menos a parte que diz respeito ao sentimento do outro. Até porque, ninguém se relaciona sozinho. E não adianta colocar a culpa na expectativa que o outro criou. Chamar a pessoa de maluca é fácil depois.

Sei que parece complicado olhar pra alguém e mandar na lata “olha, isso aqui não vai passar de uma ficada”, mas ainda é mais justo do que ir levando até o ponto em que tudo se assemelhe a um namoro e só falta a beleza do rótulo – que pode não vir e frustrar uma das partes. Ou, pior, quando se encontrarem numa balada (com outras pessoas) e forem obrigados a repetir o já manjado “ninguém deve nada pra ninguém”. Sei lá, eu sempre acho que deve o mínimo de respeito dependendo do que há.

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É por isso que vou insistir pra que você, ele, eu e quem quer que seja pare de fazer jogos. Pare com aquela coisa de gato e rato, dar linha e depois puxar, fingir que quer muito alguma coisa em troca de uma noite. Dizem que “o combinado não sai caro”. Não sai mesmo, principalmente para os valores emocionais que estamos sempre lidando quando se trata de relacionamentos. Mais fácil saber desde o começo que aquilo não tem pretensão de durar do que quebrar a cara lá na frente. Ou, quem sabe, apenas ter a leveza de saber deixar rolar, sem pressão.

E o que vier depois é lucro, aprendizagem ou felicidade.

Imagem: Pexels

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