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Desde os primórdios da nossa querida e saudosa infância somos incutidas a acreditar que existem apenas 2 modelos de mulher a serem seguidos: a Maria virgem e abençoada ou a Maria puta em busca da salvação advinda de um homem.

Seguindo o molde casto, temos ainda as princesas Disney, solitárias e torturadas por outras mulheres que, cumprem seu papel de inimigas para sempre, reforçando a ideia batida da rivalidade feminina. Isto baseado nos padrões físicos e emocionais. Princesa: bela, magra, pés miúdos e frágil. Bruxa: feia, com traços masculinos (em aparência e personalidade) e sobretudo, malvada.

Em todos os contos de fada, elas brigam por um homem, sofrem por um homem e são salvas por um homem. Temos ainda as Helenas mártires da dramaturgia que forjam uma força descomunal na luta pelo amor de um… Homem.

Mas você já se questionou quem escreve essas histórias?

Quem roteiriza o comportamento da mulher na ficção? Quem é que dita o que é ser mulher?

Bem, não vou fazer mistério, afinal de contas não é surpresa que essas histórias foram escritas por homens. Sim, o ideal do ser mulher é projetado por homens.

Lá atrás, na Grécia antiga, Aristóteles declarou que “A arte imita a vida”. Traduzindo: todo registro cultural faz referência a vida, a realidade. Já na Inglaterra Vitoriana, Oscar Wilde ressignificou a frase, dizendo que “A vida imita a arte”. Significa que todo o hábito de consumo cultural se reflete na estrutura da sociedade.

Logo, as mulheres retratadas em todas estas narrativas tornam-se o padrão ideal, seja em pureza ou promiscuidade. A projeção de perfeição feminina está pautada na benevolência e submissão e este é o padrão considerado adequado e atrativo. Aquelas que estão fora deste padrão, seja por terem despertado para si ou por simplesmente não se encaixarem, são taxadas como loucas, desconexas, barangas, feminazis, ou… Bruxas.

A mulher que se rebela dessas amarras faz o caminho contrário às expectativas depositadas nela desde sempre. Espera-se que o papel dela seja de compreensão absoluta, perdão incondicional e o alento sempre disponível.

É aquela história de sentimento materno que toda mulher tem. Mas será que tem mesmo?

Voltando-se para a vida real, o cotidiano cru, pasmem, somos seres individuais! Carreira, entretenimento, autocuidado, ambições, crescimento e tudo o que preenche o ser, se aplica também a mulher (perdoem dizer o óbvio). Ao contrário das projeções, não somos coadjuvantes de nossas vidas, tampouco centros de reabilitação dos outros. Ser parceira ou companheira de alguém é apenas uma característica. Não a definição, entende?

Tenha em mente que você, mulher, pode ser o que quiser, quando quiser e se assim quiser.

Em pleno 2019 estamos discutindo o comportamento adequado da mulher. Lutando pelo direito ao próprio corpo, destino e escolhas. Sabe por quê? Porque como Oscar Wilde pontuou, a vida imita a arte. E a representatividade feminina na cultura ainda é, majoritariamente, escrita por homens que, mesmo (alguns!) bem intencionados, não conhecem o que é ser uma mulher.

É preciso tomar o controle do protagonismo feminino. Precisamos escrever, dirigir, atuar a nossa história, do nosso ponto de vista, tendo em vista nossas vivências reais. É preciso ocupar os espaços e é para isso que estamos aqui.

Sejamos as bruxas tão temidas. Ou mesmo as princesas, mas estas refletidas na realidade, não na ficção. Sejamos Lilith que foi expulsa do paraíso por não corresponder às expectativas de Adão e do Deus hebreu.

Hoje temos muito mais voz e estamos conquistando o nosso lugar de fala cada vez mais. Coloquemos as nossas próprias expectativas sobre nós em pauta.

Isso é tudo o que importa: sermos protagonistas da nossa própria história. Ficcional ou não.

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