Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










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Uma das piores coisas pode ser perceber a falência de um relacionamento mesmo depois de terminado. Às vezes a dor é tanta que parece o luto pela morte de um ente querido ou um amigo muito próximo. Isso pode acontecer quando percebemos que nosso namorado, ou ex, foi muita coisa boa ou ruim, mas não foi nosso companheiro.

Posso comê-lo no café da manhã e guardar um pouco para o jantar

No caso de uma relação heterossexual monogâmica, são duas pessoas se relacionando, como qualquer outra relação mono. Duas pessoas, dois corpos diferentes, com vidas individuais, projetos individuais, necessidades individuais, porém o apoio precisa ser mútuo.

Em um relacionamento é necessário que tenha reciprocidade para dar certo.

Infelizmente, nem sempre ocorre. Mas na sociedade machista em que vivemos, ainda paira o pensamento de que a mulher deve se doar mais ao relacionamento e ao parceiro, ou seja, virar um apêndice do moço.

Términos exigem maturidade, e eu costumo refletir sobre os meus relacionamentos e os términos. Mas, com frequência, me vem na cabeça um relacionamento que eu achava que beirava à perfeição, mas somente depois de um tempo do término que eu percebi que não, que não estava nem perto disso.

Às vezes me parece que aquela relação era como um objeto de decoração que a gente não sabe o que ainda está fazendo ali na estante da sala, não te dá mais entusiasmo ao olhar, não te dá mais orgulho em ter, mas você também não se desfaz dele.

O outro não precisa ser agressivo ou violento para apagar o brilho de sua companheira, basta ele ser inexpressivo. E foi assim que eu, um furacão, me peguei sendo garoa fina de cidadezinha de novela das 7.

Como esquecer um amor?

Como diz Tim Bernardes “o que começa terá seu final, isso é normal”, a questão é o decorrer.

E isso, olhando daqui desse ângulo, não foi muito legal.

Podemos perceber isso em pequenas coisas. Eu, por exemplo, comecei a entender que isso ocorreu quando me questionei onde eu poderia ter faltado na minha relação. Isso mesmo, faltado, qual foi o momento em que não fui companheira e percebi que na verdade fui mais companheira do que estive acompanhada.

Percebendo isso, fiz questão de fazer algumas comparações. Eu estava praticamente todo final de semana na casa dele, enquanto ele foi no meu bairro não mais que 5 vezes em todo o tempo do relacionamento. Eu conheci todos os amigos possíveis dele, enquanto ele apenas se tornou mais próximo de amigos meus que ele já conhecia antes de nos relacionarmos ou conheceu amigos meus que circulavam nos mesmos espaços de lazer que a gente. Meus amigos de anos luz que são de fora do eixo “badalado” do Rio de Janeiro o moço nunca nem viu. Eu fui em apresentações dele de trabalho, as que eu não pude ir ou eu estava trabalhando ou eram fora do estado durante a semana. Eu já dei inúmeras palestras, já participei de dezenas de mesas de debate e não lembro de vê-lo em nenhuma dessas ocasiões.

Falando em trabalho lembrei da questão geográfica e de como acho lindo casais que cada um mora numa ponta da cidade e os dois não medem esforços para estarem juntos, mesmo sendo complicado. Parecia a gente… só que não. Isso porque morávamos perto. Mas era eu que tinha que gastar meu bilhete único e ao descer do transporte público ainda andar um pouco, muitas vezes nesse sol carioca, correndo riscos, pra poder estar junto do gato privilegiado.

O boy pode agir assim por conta do patriarcado que rege nosso modo de se relacionar, sem uma noção totalmente consciente de estar agindo de tal forma, porém cabe a reflexão, a autocritica e o ouvir a parceira.

Às vezes essas atitudes, que podem ser chamadas de egoístas, podem nos incomodar, mas nem sempre iremos perceber de forma límpida o cerne da situação, a falta de troca igual do parceiro conosco.

Perfeição não existe, mas reciprocidade sim.

Agora, moça, é importante que você tenha em mente que não deixou de fazer nada por conta da ausência dele nos seus projetos, em partes importantes da sua vida. Lembre-se das malas que você carregou inúmeras vezes sozinha. E das vezes que pegou transporte público tarde da noite sozinha porque ele estava indisponível para te acompanhar. E que ele só estava com você quando era conveniente, por outro lado sempre houveram pessoas ao seu lado.

Dicas financeiras para morar com as amigas

Levanta, dá fim na caixa de poucas fotos de vocês que está no fundo do guarda-roupas, joga a pasta do notebook em alguma nuvem, se veste bonita e lembre-se:

Não troque sua própria companhia pela meia companhia de ninguém.

Se doe para quem se doa. Seu coração é grande demais para um potinho.

Imagem: Unsplash

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