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No Brasil, a violência contra a mulher só passou a ser punida em 2006, com a criação da Lei Maria da Penha. Infelizmente, o sexismo ainda persiste hoje em dia e está bastante presente na mídia, que frequentemente adota um discurso ofensivo em busca de audiência.

Ainda hoje, o machismo é propagado livremente na TV e na internet, por meio de anúncios publicitários, novelas, filmes e seriados que constantemente colocam as mulheres em situação de submissão e lhes dá o papel de objeto.

Sexismo em dados: um retrato da publicidade brasileira

Um estudo recente da Heads Propaganda concluiu que a publicidade no Brasil não reflete sua diversidade de raça e gênero — em uma análise de 3 mil filmes publicitários, descobriu-se que 80% dos protagonistas dos comerciais são brancos, 26% reforçam estereótipos sobre homens e mulheres e 74% não contribuem para a equidade de gênero.

Basta apenas assistir à TV por alguns minutos para que isso seja percebido. Muitos dos estereótipos reproduzidos hoje, entretanto, são os mesmos que eram propagados décadas atrás. O mundo está evoluindo constantemente e a publicidade, que se diz tão inovadora, nem sempre consegue acompanhar a evolução.

Até que ponto o conteúdo veiculado nos meios de comunicação reforça e torna certas atividades mais aceitáveis diante da sociedade? Tal pergunta deve ser feita, principalmente antes de produzir um conteúdo ofensivo, preconceituoso ou nocivo, que possa vir a ter uma influência negativa no público que vai receber a mensagem.

De acordo com o próprio Código de Ética dos Profissionais de Propaganda, “a propaganda é a técnica de criar opinião pública favorável a um determinado produto, serviço, instituição ou ideia, visando a orientar o comportamento humano das massas num determinado sentido”, ou seja, o conteúdo veiculado procura criar uma opinião a respeito de algo e pode contribuir com a criação de um imaginário negativo na sociedade, dependendo do que está sendo exibido.

Nos dias de hoje, o conteúdo veiculado nos meios de comunicação aborda a presença feminina como se as mulheres já houvessem conquistado todos os seus direitos — ou simplesmente tratam o movimento feminista com descaso e veiculam conteúdo machista e misógino. Muitos profissionais da área de comunicação continuam promovendo conteúdo machista, sexista e misógino, constantemente fazendo apologia a situações de assédio sexual e à cultura do estupro.

Uma grande parte das produções atuais ainda mostra essas atitudes como aceitáveis, mesmo sendo antiéticas, uma vez que ignoram os direitos das mulheres como seres humanos.

E a responsabilidade social?

Além de buscar uma linguagem de conscientização ao tratar de preconceitos enraizados na sociedade, é importante tomar cuidado para não reforçar estereótipos. Em geral, é fácil perceber, em produções audiovisuais diversas, a insistência em reforçar estereótipos de gênero, que não contribuem de maneira alguma para promover a igualdade.

Em pleno século XXI, chega a ser vergonhoso que tais conteúdos continuem sendo produzidos, uma vez que há anos existem estudos em âmbito acadêmico acerca de gênero e sexo. Já sabemos, portanto, que muitos dos comportamentos que reproduzimos constantemente não passam de construções sociais.

Ainda citando o Código de Ética dos Profissionais de Propaganda, “a publicidade deve ser livre de toda forma de discriminação, seja de gênero, opção sexual, cor, raça ou condição econômica, devendo ser compromisso do publicitário atuar de forma a não constranger ou humilhar aos seus semelhantes com o produto do seu trabalho ou com atitudes individuais ou corporativas das quais participe” e “condenam, ainda, pelos danos que causam às pessoas e às empresas nas quais exercem atividade, todas as formas de assédio moral e sexual, recomendando que todos mantenham-se atentos na defesa dos direitos de crianças, adolescentes e de todas as minorias”.

Ou seja, produzir conteúdo sexista e discriminatório, que faz apologia à exploração e/ou violência contra a mulher, não é uma prática ética.

E como os profissionais que já trabalham na área podem contribuir para mudar essa realidade?

Os profissionais de comunicação e de publicidade e propaganda, como formadores de opinião e produtores de conteúdo, devem se atentar para evitar a produção de conteúdo sexista que possa, de alguma maneira, contribuir para o agravamento da situação atual da mulher na sociedade brasileira.

É importante que, através da comunicação, os profissionais respeitem os direitos humanos e contribuam para que haja uma maior representatividade nos meios de comunicação.

As mulheres podem fazer algo? É claro que sim!

Por meio das mídias sociais, é possível entrar em contato com a empresa por meio dos seus perfis oficiais. Além disso, é possível registrar a reclamação na própria ouvidoria, expor a empresa em um site próprio para reclamações, utilizar sites para fazer um abaixo assinado online contra a campanha ou simplesmente fazer uma denúncia no site do CONAR, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária.

Quanto maior a quantidade de críticas e reclamações sobre uma propaganda sexista, maior é a chance de que ela seja retirada do ar. Nenhuma marca quer ter resultados negativos, não é mesmo? Só não adianta ficarmos caladas, pois somos nós quem sofremos com o machismo diariamente em nossas vidas.

Gostou do texto? Não deixe de compartilhar e, é claro, contribuir para mudarmos a maneira como as mulheres são mostradas pela mídia.

Imagem: Pexels

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