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O que você procura?

“Você roubou o meu samba. Ponha-se no seu lugar. Eu falei que eu era mais forte agora, boa sorte. E me libertei. Não se importe com o meu decote. Eu bem que te falei…”

Trecho da música “Decote” – Preta Gil ft. Pabllo Vittar.

É preciso alertá-las, violência doméstica não é “apenas apanhar”. Isso porque, o conceito se estende muito além da agressão física, tomando outras formas, como a violência psicológica, sexual, patrimonial e moral.

Verdade é que, ao compararmos essas outras formas de violência com a física, iremos perceber que os sinais são muito mais sutis, por isso, mais difícil é a identificação.

Você certamente tem uma amiga ou conhece uma pessoa que se encontra em um relacionamento abusivo e, por mais que para nós, que estamos de fora, não rara às vezes, notamos os indícios do abuso, para a vítima, é quase impossível a percepção da violência sofrida.

Certo é que, após um tapa na cara, um soco no olho ou uma relação sexual não consentida, a maioria das mulheres não continua no relacionamento ou, se continua, tem ciência dos abusos de seu companheiro.

Mas, se o abusador, propositalmente, para aquela mulher, é um príncipe encantado, a dependência emocional faz com que a mulher encare aquela situação abusiva com normalidade e, muitas vezes, afasta-se da família e amigos que tentam alertá-la.

Afinal, juridicamente como podemos conceituar as demais formas de agressão?

A Lei Maria da Penha, em seu art. 7º já traz, em síntese, o conceito dessas formas de violência, as quais iremos aqui reproduzir. Vejamos:

A violência psicológica consiste em qualquer conduta que lhe cause dano emocional, diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.

A violência sexual é entendida como qualquer conduta que constranja a vítima à presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada.

Por sua vez, a violência patrimonial é entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus bens ou recursos econômicos.

Por fim, a violência moral é entendida como aquela que configure calúnia, difamação ou injúria.

E em nosso cotidiano?

Na prática, fica quase impossível não perceber que aquela amiga, antes, a mais comunicativa do grupo social, hoje, já não mais aceita sair desacompanhada do namorado ou do marido e, quando ambos saem juntos, percebe-se que fica reprimida, não conversa com outros amigos, principalmente do sexo oposto.

Também é notório quando o abusador se torna o “detentor” dos bens da vítima, controlando suas finanças e, manipulando-a para que arque com todas as despesas do casal, principalmente para satisfazer os desejos mais extravagantes do companheiro.

Não suficiente, há aquele relacionamento em que companheiro sente prazer ao maldizer a vítima, relatando fatos vergonhosos aos demais do ciclo social ou histórias que sequer existem, tudo a fim de denigrir a imagem da esposa ou namorada.

Mas não é só! Veja outros sinais dos relacionamentos abusivos.

Sinais dos relacionamentos abusivos:

1. Ciúmes exagerado

Um relacionamento abusivo geralmente é marcado pelo cíume excessivo, pois com a justificativa de um grande amor, o abusador pretende controlar na integralidade a vida da companheira.

2. Controle

Quer dizer, qual roupa vestir, com quem se relacionar, quais atividades realizar, são pontos assertivos que o abusador pretende controlar, sempre com a desculpa de que “ama demais” e, por isso, “preocupa-se além da conta”.

3. Afastamento proposital

Tenha-se em mente que o único objetivo é tornar a vítima ainda mais dependente daquele suposto amor, por isso, para o abusador, “sua melhor amiga é má influência”, o “colega de trabalho dá em cima de você”, “seus pais querem destruir o relacionamento de vocês” e as outras pessoas “sentem inveja de um amor tão grande como o de vocês”.

4. Manipulação

A forma mais comum de manipulação sempre é a chantagem, assim, se a vítima não concorda com o companheiro, o mesmo incute o medo, principalmente, quanto ao término do relacionamento.

5. Críticas

Nada está bom para o abusador, a mulher está magra ou gorda demais, a comida está muito fria ou muito quente, a mulher se atrasou demais, fez alguma coisa errada, enfim, o objetivo é fazer com que a vítima acredite que o outro é perfeito, ao contrário dela, que é absolutamente imperfeita, motivo pelo qual, pense que nenhum outro homem irá se interessar.

6. Falta de diálogo

Não rara as vezes, o companheiro abusador toma todas as decisões do relacionamento, sozinho e, caso solicite a opinião da mulher, a mesma sempre é ignorada.

7. Falta de interesse pelos sentimentos da mulher

Na maioria dos relacionamentos abusivos, os sentimentos que a mulher nutre são desprezados pelo homem, com a desculpa de que se tratam de “bobagens” e, pouco a pouco, a mulher se cala.

8. Relação sexual forçada

Não se enganem! Não é porque você está em um relacionamento que não pode ocorrer estupro. Muitas vezes, a mulher não tem interesse em praticar relação sexual, porém, por meio da chantagem, da força ou ameaças, o abusador consegue a satisfação de sua vontade. Leia sobre estupro marital aqui.

E quais as consequências do relacionamento abusivo?

O relato mais frequente entre minhas clientes é que, ao estar em um relacionamento abusivo, suas vidas se tornaram “anti-vidas”, isto é, em estado permanente de medo, com discussões homéricas e muitas noites sem dormir.

E infelizmente, esses relacionamentos abusivos só tem um fim quando a violência psicológica, moral, patrimonial e sexual dá lugar para a violência física. Quer dizer, somente em situação extrema de abuso é que a mulher se dá conta das agressões sofridas.

Porém, até o término, as implicações de ordem física e mental são inúmeras, como desenvolvimento de depressão, ansiedade, consumo de substâncias psicoativas, cefaleias, distúrbios psíquicos entre outros, sendo que em casos mais extremos, desencadeia-se a autoagressão, como o suicídio.

Além disso, estudos apontam que as mulheres que sofrem com um relacionamento abusivo se tornam instáveis no mercado de trabalho, acarretando-lhes prejuízos em suas produtividades e, como consequência, em seus salários.

“Sofro um relacionamento abusivo. O que faço?”

Se você finalmente se deu conta de que é vítima de um relacionamento abusivo, saiba que esse é o passo mais importante a ser dado, isto é, o reconhecimento da violência sofrida.

É importante saber que você não é a única mulher do mundo nessa situação crítica, por isso, não se envergonhe e não tenha medo em denunciar. Nos últimos tempos, com o avanço das redes sociais, você encontra o depoimento de outras mulheres de diferentes perfis, vítimas com casos semelhantes, que certamente poderão lhe encorajar ainda mais.

Outro exemplo claro é do caso da modelo Luiza Brunet, vítima de violência doméstica durante uma viagem de Nova York, fato que acarretou condenação penal e cível ao seu então marido.

A Cantora Preta Gil que gravou ao lado de Pablo Vittar a música “Decote”, também chamou a atenção para o assunto, esclareceu à mídia que “quando um homem manda você rir mais baixo, é porque ele não quer que você seja você mesma”.

“Cê duvidava que eu era capaz. Tô aqui consegui até mais. Agora não vem correr atrás. Você não me satisfaz…”

Assim, denunciar o agressor deve ser o seu próximo passo, podendo ser realizado através da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, mais conhecida como Ligue 180. É um serviço de utilidade pública, totalmente gratuito e confidencial, funcionando 24 horas por dia.

Há ainda outras alternativas, você pode comparecer a Delegacia de Polícia mais próxima de sua residência e lavrar um Boletim de Ocorrência. Em alguns casos mais extremos, solicitar a decretação de medida protetiva e o afastamento do agressor, com base nas determinações da Lei Maria da Penha.

A título de conhecimento, a medida protetiva pode ser solicitada na própria Delegacia de Policia na ocasião da lavratura do Boletim de Ocorrência, nos autos do processo criminal à qualquer tempo ou, em processos cíveis, com a imposição de multa caso haja o descumprimento por parte do agressor.

Concluindo…

Como sempre, a assessoria jurídica em casos semelhantes é de extrema importância, além do acompanhamento psicológico para minimizar os danos causados. Não se esqueçam, contar com o apoio dos amigos e da família também é primordia!

“Eu falei que eu era mais forte agora boa sorte. E me libertei…”

Imagem: Deposit Photos

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