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O que você procura?

A não ser que seu trabalho seja afagar ursos pandas, o estresse sempre estará presente na rotina, afinal de contas vivemos em um mundo cada vez mais competitivo. Em casos extremos, as pessoas podem adquirir a Síndrome de Burnout, o tema principal do post de hoje.

Neste ano de 2016 fiquei contente de ver que a campanha Setembro Amarelo teve uma repercussão bem maior do que nos anos anteriores aqui no Brasil. Esta é uma campanha internacional e está em seu terceiro ano por aqui. O principal objetivo da campanha é alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção. No Superela aconteceu até um evento especial sobre o assunto que você pode ver aqui.

Ao longo deste mês vi várias pessoas escrevendo mensagens de apoio e principalmente contanto suas histórias pessoais ou experiências que tiveram com pessoas que tentaram suicídio ou possuem algum transtorno, que se não for devidamente tratado, pode levar a tentativa ou ao suicídio de fato. Este tipo de informação é fundamental para que consigamos prevenir novos casos de suicídio, já que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 90% dos casos poderiam ser prevenidos. Quanto mais informação a população em geral tiver sobre suicídio e possíveis causas do mesmo, mais preparada estará para prevenir novos casos.

Como o tema dos meus textos são relacionados à carreira, este não podia ser diferente e vou explicar sobre um assunto não muito conhecido pelas pessoas, que é a possibilidade de alguém literalmente desejar se matar por causa do trabalho. Pessoas que sofrem de Síndrome de Burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, podem apresentar ideais suicidas e em estágio avançado podem cometer suicídio devido ao desespero que sentem.

O que é Síndrome de Burnout?

A tradução da palavra “burnout” significa ser ‘consumido completamente pelo fogo’. Por isto, a imagem que sempre está relacionada a esta síndrome é de um palito de fósforo tendo a “cabeça” e todo o “corpo” queimado, pois é exatamente assim que as pessoas acometidas por este distúrbio psíquico se sentem, completamente esgotadas, não apenas mentalmente, mas também fisicamente.

Síndrome de Burnout

Este distúrbio surge em decorrência de condições de trabalhos que são física, emocional e psicologicamente desgastantes. Pessoas submetidas a tais situações podem apresentar estresse crônico e tensão emocional constante. Diferente do nível de estresse que muitos de nós estamos acostumados a sentir na nossa rotina diária e que possui alguns fatores positivos, como a motivação para realizar algo novo, na Síndrome de Burnout a pessoa não possui nenhum fator positivo, apenas os aspectos negativos do estresse.

Os profissionais que têm o trabalho voltado ao cuidado de outras pessoas, ou que as consequências de seu trabalho podem influenciar a vida de outros e sua rotina de trabalho exija contato direto e intenso com outras pessoas são os que têm maiores probabilidades de serem acometidos por esta síndrome.

Alguns exemplos de profissão são: professores, médicos, operadores de telemarketing, profissionais de RH, assistentes sociais, jornalistas, policiais, bombeiros e etc. Vale ressaltar que profissionais de outras áreas também podem desenvolver esta síndrome. Segundo estudos feitos pela ISMA-BR (International Stress Management Association no Brasil), 30% dos profissionais brasileiros sofrem de Síndrome de Burnout, ou seja, é um número significativo para ser ignorado. Pode ser que você mesma esteja passando por isso ou conheça alguém que tenha ou já teve.

Quais são os principais sintomas?

Como dito anteriormente, a pessoa sente esgotamento físico e emocional e por isto apresenta tanto sintomas físicos como psicológicos. Entre os sintomas físicos estão: dores de cabeça, tensão muscular, transtornos gastrointestinais, hipertensão, cansaço excessivo, palpitação, insônia, problemas respiratórios, alteração do sono e nas mulheres, alteração do ciclo menstrual. Os demais sintomas relacionados ao burnout são: mudanças de comportamento, como isolamento, agressividade ou irritabilidade; mudanças bruscas de humor; ansiedade; depressão; dificuldade de concentração; baixa autoestima; lapsos de memória e pessimismo.

Se você conhece alguém quem esteja apresentando esses sintomas e principalmente se a pessoa tem vivenciado estresse crônico no ambiente de trabalho, oriente a buscar ajuda profissional. No caso da Síndrome de Burnout, o tratamento deve ser feito com uso de medicamento antidepressivo e psicoterapia. Se você deseja conversar com um psicólogo sobre este assunto, aproveite que o Superela tem os Super Profissionais onde todos oferecem a primeira sessão de 30 minutos sem custo, é só escolher e conversar com um deles.

Um caso real

Para exemplificar como é vivenciar a Síndrome de Burnout, segue a história de uma pessoa (chamaremos de Carol) que passou por isso e consentiu em ter sua história divulgada:

Carol sempre foi muito dedicada ao seu trabalho e ao longo dos anos foi colocando ele em primeiro lugar. O tempo foi passando e conforme via os resultados de crescimento na carreira, mais se dedicava ao trabalho e menos a vida pessoal. Trabalhava muitas horas por dia e muitas vezes trabalhava até de madrugada, acordando entre 3 e 4 horas da manhã para poder dar conta de todas as responsabilidades que possuía e as novas que ia adquirindo.

No início dessa rotina, com novas responsabilidades e longas horas de trabalho, ela aparentemente estava bem e imaginava que resistiria às longas horas de trabalho e a pressão constante que sentia em seu ambiente de trabalho para apresentar mais e mais resultados. Porém, os meses foram se passando e ela começou a sentir um mal estar físico. Uma dor aqui, um incômodo ali e um problema respiratório cada vez mais persistente. Ela imaginava que isto não era muito importante. O trabalho era. E no fim ficaria bem. Ela precisava ir ao médico ver o que estava acontecendo com sua saúde, mas não tinha tempo. Se ela se ausentasse o trabalho se acumularia ainda mais e assim foi deixando a saúde para depois.

Os meses se passaram até que um ano se passou e a conta chegou. Depois de passar a adoecer quinzenalmente e fazer visitas mais frequentes a emergência hospitalar devido aos sintomas muito fortes de doenças simples, Carol se sentia muito mal física e emocionalmente. Para conseguir continuar trabalhando e se manter acordada com o mínimo de energia, passou a consumir doses cada vez mais elevadas de cafeína através de energéticos e cápsulas de pré-treino.

O corpo queria parar, mas ela tinha que continuar. A relação com as pessoas começou a se deteriorar, pois sentia-se cada vez mais irritada e impaciente. Os amigos mais próximos e colegas de trabalho começaram a reparar em sua brusca alteração de comportamento. Tanto o corpo como a mente dela sentiam uma dor constante. Ela não queria mais viver assim, até que chegou a pensar que não queria nem mais viver. Ela vivia pelo trabalho e o trabalho deixou de fazer sentido, logo a vida dela passou a não ter mais sentido.

Carol se deu conta de que estava no fundo do poço e resolveu buscar ajuda depois que ouvir repetidas vezes as pessoas próximas dizerem: “você não está normal”, “você não era assim”, “você não está bem” , “você precisa de ajuda” e etc.

Apesar de ter havido muitos pensamentos suicidas e algumas tentativas, esta história teve um final feliz. Após meses de tratamento com medicação e psicoterapia, Carol teve certeza de que não queria continuar tendo aquele tipo de trabalho, mesmo sendo um bom emprego numa boa empresa, não havia nada no mundo que pudesse valer mais que a própria vida. Ela acabou pedindo demissão e buscando fazer algo que fosse mais significativo para ela mesma e para outras pessoas. Agora ela sente que o trabalho dela tem impacto positivo não só na própria vida, mas na de outras pessoas também.

Ter um transtorno psicológico como este ou outro qualquer não é sinal de fraqueza. Pelo contrário, é sinal de que algo precisa ser mudado em sua vida. Portanto, se você estiver  passando por isso, busque “ouvir” o que seu corpo está tentando te “dizer” ao invés de ignorá-lo.

Um alerta importante sobre a Síndrome de Burnout é que ela é uma doença ocupacional e por isso os empregados que desenvolverem tal transtorno possuem direitos relativos a isso, como afastamento pelo INSS e estabilidade provisória no emprego (12 meses). Portanto, se você foi diagnosticada com este transtorno ou conhece alguém que foi, lembre-se que não é necessário tomar a decisão de pedir demissão como foi o caso da Carol. Na verdade a minha recomendação é para que se busque os direitos cabíveis deste tipo de situação.

Infelizmente a história da Carol não é única. Se você deseja pesquisar sobre outras pessoas que também passaram por isso, veja a história da Andrea Mota, ex-diretora de o Boticário que largou a carreira após o diagnóstico da Síndrome de Burnout e Arianna Huffington, criadora do The Huffington Post, um dos sites de notícias mais importantes do mundo. Depois de desmaiar de exaustão no próprio escritório devido ao excesso de trabalho, falta de sono e sobrecarga emocional, ela se deu conta de que esse estilo de vida a estava deixando doente. Ela lançou um livro chamado “A Terceira Medida do Sucesso”, onde fala sobre as lições que aprendeu, seus esforços para viver princípios que aumentam o bem-estar e sentimento de realização, também apresenta pesquisas científicas e dicas para melhorar a saúde e felicidade.

Se você está passando por isso

Se você se identificou com os sintomas relatados e/ou com as histórias, busque ajuda profissional imediatamente. Tanto os sintomas quanto as possíveis consequências da Síndrome de Burnout são bem sérios e você não precisa passar por isso sozinha, principalmente chegar ao ponto de pensar em acabar com a própria vida. Veja o vídeo abaixo onde explico a relação do funil da exaustão com o burnout e dou uma dica sobre como evitar a exaustão.

Se alguém próximo está passando por isso

Sei que não é nada fácil conviver com alguém assim, principalmente se a pessoa começou a mudar de comportamento se tornando mais irritada, agressiva e pessimista. Muitas vezes ela terá uma visão muito distorcida da realidade parecendo que vê a vida de uma forma muito pior do que realmente é. Para você que está de fora pode parecer que ela está exagerando ou não quer ver bem como as coisas são, mas não é isso, devido aos sintomas depressivos que o transtorno causa, a maneira de encarar a realidade fica afetada. É como se a pessoa passasse a usar óculos com lentes cinzas e agora ela vê o mundo cinza.

Você também não precisa passar por isso sozinha, por isso, oriente a pessoa a buscar ajuda profissional ou até mesmo a ajude marcando ou acompanhando até o lugar da consulta. Mais do que ouvir um “sermão” sobre o quanto ela está vendo a vida de maneira distorcia, quem passa por esse transtorno precisa sentir que está sendo acolhido e apoiado. Demonstre que você entende a pessoa e que ela pode se sentir bastante a vontade para relatar os seus sentimentos para você. Controle-se para não julgar o que ela disser.

Fique atenta a frases como: “Eu queria dormir e nunca mais acordar”, “seria bom se eu fosse atropelado”, “eu preferia estar morto”, “eu sou um peso na vida dos outros”, “vai ser melhor a vida dos outros sem mim” e etc. Esse tipo de fala pode indicar que a pessoa deseja se matar. Faça com que ela fale mais sobre os sentimentos, seus pensamentos e a oriente a falar com um profissional especializado sobre esse tipo de pensamento.

O mês de setembro praticamente acabou, mas a nossa luta para prevenir o suicídio não deve acabar! Vamos fazer com que esse tipo de informação chegue a mais e mais pessoas para que consigamos prevenir cada vez mais casos de suicídio. Assim como a Carol é uma sobrevivente e hoje vive uma vida feliz. Você ou alguém que você conhece também tem esse direito!

Imagens: Pinterest

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