Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Quando você acha que sabe todas as respostas,
vem a vida e muda todas as perguntas.
\\desconheço autoria.

Compreendo a ordem natural do universo, embora nalguns casos não concorde. Natural é quando as forças acabam, quando os ossos já estão calejados de tanto carregar a vida, de tanto viver a vida, de tanto subir montanhas e caminhar por lugares novos e incríveis. Isso sim é natural. Mas como aceitar quando acontece de repente? Uma curva no meio da estrada, um pneu furado, um coração que explodiu de tão grande, um câncer que apareceu onde não deveria, um infarto no meio do campo de futebol, uma complicação cirúrgica… Não consigo aceitar, nem entender. Natural é aos noventa e tantos. E não aos vinte, trinta, sessenta e poucos.

Ano passado fiquei miúda quando um colega da faculdade não chegou ao trabalho. A vida dele foi interrompida às sete horas da manhã, de um dia comum, no meio de uma rotina comum e todos os planos — se mudar para casa nova, por exemplo — ficaram perdidos. Então já faz um certo tempo que preciso vomitar essa angústia que palpita aqui de dentro. Me maltrata essa ordem não-natural da vida, esses planos que param no tempo porque simplesmente não tem ninguém para concluí-los. Me maltrata. E assusta.

Esses dias comentei com o lóvi que sou mais desprendida que ele. É até bom, alguém tem que ser a razão no relacionamento. Mas até que ponto isso é realmente bom? Mantemos os pés fincados no chão, idealizando um futuro longínquo e poupando centavos para realizar os sonhos lá para frente, porque agora a prioridade é outra. Até compreendo, mas em dias como esse fico com um medo danado, sabe? E se no meio do caminho formos forçados a interromper esses sonhos? E se não der tempo de viver o tanto e o tudo que se sonha?

Passamos a vida seguindo, religiosamente, rotinas impostas pela sociedade. Acordamos, trabalhamos e nos preparamos para a) viver a mesma rotina amanhã b) guardar centavos para o futuro que um dia vem. Aí o tempo vai passando, os dias vão passando, o futuro parece ficar cada dia mais perto, cada dia mais palpável… Isso quando não o procrastinamos e adiamos o tempo inteiro. Deixando para viver amanhã tudo que deveria ser vivido hoje, deixando para sentir amanhã tudo que deveria ser sentido hoje, deixando para falar amanhã tudo que deveria ser gritado hoje. Vivemos adiando para viver amanhã e a única coisa que passa pela minha cabeça é e se não der tempo?

A vida parece tão frágil, tão repentina, tão traiçoeira. Eu venho buscando me desprender dos padrões e dos amanhãs, porque carrego um medo descomunal de adiar para depois e esse depois nunca chegar. Loucura? Talvez seja, mas não é muito mais loucura adiar tudo para depois, sem saber se o depois vai chegar? Ninguém tem certeza de nada. O amanhã é um grande ponto de interrogação e, sei lá, ninguém sabe o tanto de dias que tem para continuar adiando, sabe?

Conheci um Instagram recentemente, o @cinemorama, onde eles postam ideias de filmes, seriados, peças que deveriam ser produzidas. Uma delas me chamou atenção e me fez lembrar desse texto — que há tempos tinha vontade de escrever.

Se eu tivesse uma câmera dessas nunca tiraria uma selfie. #cinemorama #ideiasdefilmes

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Se fosse com você… Teria vivido tudo que sempre quis? Ou você continua adiando pensando que tem intermináveis amanhãs para viver?

Imagem de capa: Unsplash

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