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A mulher que busca ser mãe (e até as que não buscam) sabem que existem dois tipos principais de parto: o normal e a cesárea. Mas dar à luz é muito mais do que apenas esses dois procedimentos. Na verdade, existem diferentes tipos de parto que se adaptam às necessidades de cada mulher e é importante saber das opções – afinal, a cesárea não é obrigatória para ninguém.

A gente fala isso porque o Brasil é recordista mundial de partos cesárea no mundo todo. Por aqui, segundo dados divulgados pelo BBC, a cada 10 partos que acontecem por aqui, 8,5 são cesárias. O recomendado pela Organização Mundial de Saúde é 1,5. Esse número marca a rede privada no país, e nos coloca em estado de atenção, afinal, essa cirurgia deveria ser usada apenas em casos de necessidade e não como uma regra. Por conta disso, surgem milhares de caso de violência obstetrícia e leva o valor para partos normais à estratosfera.

Por isso, decidimos falar um pouco mais sobre os diferentes tipos de parto para você entender direitinho quais são as suas opções e levar tudo para o seu médico durante a gravidez – e fazer uma escolha consciente do que vai ser melhor para você e o seu bebê.

Conhecendo os diferentes tipos de parto

A enfermeira obstetra Cinthia Calsinski divide os diferentes tipos de parto em três categorias diferentes:

  1. Parto vaginal: define o parto normal. Esse tipo de parto pode ser totalmente natural, sem intervenções, ou com alguma intervenção que induz o nascimento do bebê, como rompimento da bolsa, ou analgesia (aplicação de algum medicamento para tirar a dor do momento do parto);
  2. Parto instrumental: quando há uso de ferramentas como o fórceps e o vácuo extrator, que auxiliam no nascimento da criança. Aqui, o parto ainda é vaginal, mas já não é mais 100% natural;
  3. Parto cesariano: é a cirurgia, onde o bebê é retirado da barriga da mãe através do abdômen, não há passagem da criança pelo canal vaginal durante o nascimento e é um procedimento 100% cirúrgico (ele possui riscos e deve ser um último recurso, dependo das necessidades da mãe e do bebê).

Cinthia também explica que, ao contrário do que muita gente imagina, o tipo de parto não é determinado durante o pré-natal. É óbvio que a mãe tem a opção de falar sobre a sua preferência e de buscar um médico obstetra que, por exemplo, faça partos 100% naturais. Mas a definição mesmo só vem na hora H: “Na grande maioria das vezes, a determinação do parto ocorre em trabalho de parto, e não na consulta de pré-natal. É determinado através das condições clínicas da mulher e de bebê”.

A questão da cesariana

No Brasil, o número de cesárias é tão alto porque criou-se uma cultura de deixar na mão do médico o procedimento completo. Porém, um parto depende também da presença e do trabalho das enfermeiras obstetras e de toda uma equipe preparada para isso. Diferente de outros países, dificilmente as mulheres dão à luz com a equipe que está de plantão no hospital, mas apenas na presença do seu próprio médico. Além disso, os convênios médicos pagam os profissionais por parto acompanhado e não por turno trabalhado – o que alimenta esse ciclo de cirurgias porque os médicos recebem por parto individual.

Além disso a cesariana é uma operação que tem riscos e deve ser usada principalmente em questões de necessidade – e não como a única opção. “Casos como placenta previa, bebê transverso, herpes ativa, algumas situações de mulheres HIV positivo, prolapso de cordão umbilical, pré-eclampsia e descolamento prematuro de placenta são algumas situações onde a cirurgia é bem indicada”, explica Cinthia. Ou seja, acompanhar de perto a saúde da mãe e do bebê é essencial para saber se essa operação será, de fato, a melhor opção para o parto.

Cinthia também atenta para outro ponto importante. Como aqui a cultura da cesárea é muito forte, as mulheres têm medo do parto normal. Não se conversa muito sobre histórias de sucesso, e a falta de controle sobre o nascimento da criança é assustadora. A opção, então, vira uma forma de evitar o desconhecido e o que pode acontecer durante um parto normal. Parece melhor fazer a cirurgia, onde tudo é controlado e não existem surpresas.

Mas e o parto humanizado?

O parto humanizado não diz respeito à forma como o bebê vai nascer, propriamente dito, mas tem tudo a ver com a mãe: “O termo humanizado é utilizado quando a mulher é protagonista de seu parto, quando seus desejos são respeitados e ela pode opinar e tomar decisões clínicas com a ajuda dos profissionais que a auxiliam no processo. Ele independe do local de parto, uma confusão comum é achar que parto humanizado é parto domiciliar”, explica Cinthia.

Ou seja: não necessariamente um parto em casa é um parto humanizado, assim como nem todo parto no hospital deixa de ser assim automaticamente. É uma questão de respeitar e ouvir os desejos da mãe – querendo ou não, é uma forma de empoderamento, já que a mãe tem voz ativa nas decisões a respeito do seu próprio corpo. É um conceito que bate de frente com o histórico de violência obstétrica no parto, porque a mulher, historicamente vista apenas como uma ferramenta reprodutora pela sociedade, é tratada dessa mesma forma no parto, e acaba com cicatrizes no corpo e ou passando por situações absurdas que são fruto de uma visão machista.

E parto humanizado também não significa que a mulher não vai sentir dor. A dor é muito relativa – cada pessoa tem uma sensibilidade diferente – e não é necessariamente um sinal de que alguma coisa está errada. “Existem estratégias para lidar com as contrações do trabalho de parto, e mesmo na cirurgia cesariana onde durante a operação sente-se poucos incômodos, o pós-operatório não é isento de dor. Todos os diferentes tipos de parto terão desconforto em diferentes graus e em algum momento”, diz a profissional.

Concluindo…

Não existe certo e errado na hora do parto. É importante a mãe conversar – muito – com o seu médico obstetra e sua equipe e pesquisar a fundo o que ela gostaria para o nascimento do bebê. Ainda assim, é importante também manter a mente aberta e saber que no momento do nascimento a situação pode mudar e a equipe médica precisará intervir.

Estabelecer o diálogo com a equipe faz toda a diferença. Converse, tire dúvidas, pesquise, leia a respeito e tome uma decisão consciente sobre o parto que você quer fazer. Você não precisa passar a gestação inteira com medo do momento final, ok?

Imagem: Reprodução

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