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Certa vez em uma entrevista de emprego me perguntaram onde me via daqui a cinco anos e para minha surpresa não soube responder. De início achei que era nervosismo por estar diante de um estranho e precisar impressionar, mas depois percebi que realmente não tinha planos. Então dei as respostas padronizadas que se espera em situações como essa.

E a vida seguiu, mas esse episódio nunca deixou de me incomodar.

Então pensei, onde estão meus sonhos, em que momento da vida os troquei pela realidade pura e sem expectativas? A questão é que as demandas da vida nos deixam muitas vezes inquietos, isso faz com que a rotina se torne um local cômodo e consequentemente leva ao medo do desconhecido.

Porém, ao fugir do desconhecido não deixamos de lado apenas as angústias e expectativas, diga-se de passagem muitas vezes frustradas, mas também as oportunidades. E pior que isso, nem sabemos o que perdemos, afinal não nos permitimos sequer a perguntar o que o futuro nos reserva por medo da resposta.

É comum em alguns pontos da vida nos sentirmos insatisfeitos, no entanto mudar dá trabalho e é muito mais cômodo ficar onde está. Nesses momentos pensamos que se já chegamos até aqui devemos seguir em frente. Precisa de muita coragem para mudar em determinada altura da vida. Muitos estão insatisfeitos com emprego e relacionamentos, mas abandonar o seguro pelo instável não é fácil. Voltar a ser novato no trabalho, aprender um novo ofício, começar do zero como fez na adolescência é um desafio.

Demanda muito mais coragem e força de vontade do que na época, afinal agora as responsabilidades aumentaram e o medo de errar também. Aquela impulsividade juvenil se foi e sua vida se tornou planejada e rotineira. Quando se está no início de carreira é possível simplesmente pegar a bolsa e ir embora quando algo não sai como planejado, mas a vida adulta traz responsabilidades e todas as falhas ao longo do caminho, agora pesam nas decisões.

Quem nunca se sentiu como uma hamster na rodinha, correndo e correndo, dia e noite sem sair do lugar?

Pois esse sentimento é normal, mas precisamos tomar a decisão de sair da rodinha. Quando penso nisso, lembro de um romance do Érico Veríssimo que por muitos anos esteve no topo de minha lista de livros preferidos. No livro o pai do protagonista lembrava uma história, onde riscavam um círculo com giz em volta de um peru e ele ficava ali dentro, acreditando estar preso. Então podemos levar isso como lema, seguir o conselho do personagem e pular o risco de giz, quem sabe assim descobrimos que as limitações estão em nossa cabeça e aquele obstáculo intransponível, na verdade era só giz.

A questão é que como no livro, nossas prioridades vão mudando e muitos sonhos realmente se tornam obsoletos, mas o fato é que não podemos deixar de sonhar ou planejar o futuro, realmente não conseguimos atingir tudo que almejamos, mas podemos chegar perto. Então se você, amiga leitora anda desanimada, achando sua vida entediante, saiba que não está sozinha, muitos compartilham de seus receios. Ter medo é até bom, afinal é ele que nos mantêm seguros, o que não pode é deixar que te impeça de seguir em frente e mudar seus objetivos, se isso te fizer bem.

Então não se acomode, às vezes realmente precisamos de uma pausa, mas ela não pode demorar demais ou ficaremos como o peru, presos em nossos medos, sem coragem para arriscar e dar uma chance ao desconhecido. Logo, amiga leitora, pule o risco de giz e vai para o mundo. Quem sabe se com um pouco de coragem e um toque de sorte, não descobre que o desconhecido pode ser motivador e empolgante?

Imagem: Unsplash

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