Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Em sua 42º edição, a São Paulo Fashion Week inovou de vez, mostrando porque é a quinta maior semana de moda do mundo e a mais importante da América Latina. Assim como abraçou a causa da diversidade étnico-racial, com a adoção de cotas para modelos afrodescendentes e indígenas em todos os desfiles, o evento foi parceiro de campanhas institucionais nas áreas de saúde, cidadania, meio ambiente e inclusão social.

Esta edição, finalmente, levanta a bandeira da inclusão e diversidade. Com o tema SPFW42Trans, a edição abordou a transformação, transgressão, transição. E trouxe à tona discussões polêmicas e atuais, como a liberdade de gênero, a inclusão e representatividade das minorias do país.

spfw 2016

Fechando o desfile de segunda-feira (24), a LAB (Laboratório Fantasma), marca do rapper Emicida (sempre envolvido em militâncias contra o racismo), e seu irmão Evandro Fióti, com direção criativa de João Pimenta, inovou. A marca nos fez ver pela primeira vez na história do São Paulo Fashion Week um casting inclusivo e diversificado,  composto em sua maioria de modelos negros, além de plus size e artistas amigos da marca.

spfw 2016 - LAB Emicida

O rapper abriu o desfile entoando versos de empoderamento negro e o fechou cantando uma música inédita para o desfile, onde fazia-se crescer a frase: “fiz com a passarela o que eles fez com a cadeia e a favela… Enchi de preto!” (arrepiante). Com o tema Yasuke, um samurai negro que rompeu paradigmas no século XVI, a coleção manteve seu estilo street wear, trazendo um mix de influências orientais e africanas, com um toque mais contemporâneo, moderno e atual. Prevalecendo a cartela de cores entre looks em preto, branco e vermelho.

Ao final do desfile, as peças já estavam disponíveis no e-commerce da marca, seguindo o conceito see now buy now (saiba mais aqui), com preços mais acessíveis do que vemos por aí, trabalhando ainda o conceito de inclusão.

spfw 2016 - ronaldo fraga

Roubando a cena na São Paulo Fashion Week de quarta-feira (26), o estilista mineiro Ronaldo Fraga, conhecido também, além de suas criações, por sempre levar assuntos e discussões politicas à passarela (como em 2009, onde fez um desfile com casting de idosos e crianças correndo pela passarela), levantou a bandeira da transfobia nesta edição.

Com um casting composto apenas por mulheres trans, Ronaldo trouxe à tona um fato absurdo em nossa realidade: o Brasil ser o país com maior número de assassinatos de transgêneros de todo o mundo. A coleção, com o tema “El Día que me Quieras”, nome da famosa loja do estilista baiano Ney Galvão, na década de 70, e também do famoso tango de Carlos Gardel, de 1935, trouxe em suas peças a delicadeza e o lúdico. A inspiração voltou aos anos 20, 30 e 40 e peças com mangas bufantes, babados e renda.

A apresentação terminou com as modelos dançando valsa e o estilista não contendo a emoção. Eu, como mulher negra, me emocionei com o desfile da Lab. Assim como os transgêneros e transexuais com o desfile do Ronaldo Fraga. A SPFW42 será marcada, sem dúvidas, pelo encantamento, diversidade e inclusão. Mostrando que já não queremos ver apenas um biótipo na passarela. Afinal, quem vestem todas aquelas marcas são pessoas reais – e nada mais real do que nos vermos representados nelas.

@ load more